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Com economia em marcha lenta, semana tem reforma da Previdência, pânico argentino e mais

Por Pablo Vinicius Souza
12 agosto 2019 - 09:04

Em semana intensa, marcada por fortes indicadores, os investidores terão a oportunidade de reavaliar a saúde da economia global.

Ao mesmo tempo, bancos centrais ao redor do mundo podem manter um caminho de flexibilização em suas respectivas políticas monetárias.

A princípio, o PIB da zona euro, a inflação e vendas no varejo dos EUA e Reino Unido serão acompanhados.

Além disso, os movimentos no yuan chinês continuam chamando a atenção diante das incertezas comerciais entre EUA-China.

Outro assunto relevante que pode impactar diretamente os índices nos próximos dias é a continuidade da guerra comercial das potências.

A equipe de análise do BTG Pactual Argentina projeta queda de até 25% do peso nesta sessão, com mercados reagindo às eleições locais que deve conceder vitória à chapa mais heterodoxa.

Para Carolina Gialdi, analista de renda fixa do BTG Pactual Argentina, essa vitória será “muito negativa para os mercados”.

Há receio de que a derrota de Mauricio Macri em outubro seja inevitável, podendo levar a um sell-off de ativos argentinos com temor pelo retorno das políticas populistas de Cristina Kirchner.

No Brasil, as atenções se voltam para o começo da votação da reforma da Previdência na CCJ do Senado.

Há expectativa também sobre o acordo entre Mercosul e União Europeia, que sofre com as declarações do presidente Jair Bolsonaro.

No final de semana, Bolsonaro reagiu às notícias de que o governo alemão estaria suspendendo o repasse de 35 milhões de euros ao País.

O montante é destinado para preservar a Amazônia, mas foi suspenso em função do polêmico aumento do desmatamento na região.

“O Brasil não precisa disso”, afirmou Bolsonaro, que acusou ainda governos estrangeiros de quererem “se apoderar” do país.

Confira os principais destaques para começar a sua semana.

Em semana de peso, agenda econômica doméstica terá PIB, IGP-10, Focus e mais

Em semana de números de peso na agenda econômica, os indicadores globais serão acompanhados de muito perto pelos investidores.

No cenário doméstico, saem novos números de inflação que podem impactar as expectativas sobre a política monetária.

Atenção especial para o IBC-Br de junho, considerado uma prévia do PIB.

De acordo com os dados compilados pela Bloomberg, há expectativa de desaceleração (passando de +0,54% para +0,1% no comparativo mensal).

Saem também os dados do Boletim Focus do Banco Central, o IGP-M e o IGP-10 do mês.

Na Alemanha e Zona do Euro, os dados brutos trimestrais do produto interno bruto (PIB) serão divulgados na quarta-feira (14).

O mercado projeta um crescimento de 0,2% no segundo trimestre da Zona do Euro, assim como um encolhimento na Alemanha.

No final da semana, a zona do euro deve atualizar seus dados comerciais e o relatório de emprego de junho.

Espera-se que as vendas no varejo recuem 0,3% no mês passado depois de crescer, surpreendentemente, 1% em junho.

Na agenda econômica dos EUA, os investidores se concentrarão na inflação de preços ao consumidor de julho, que esteve controlada.

Apesar disso, o índice tem sido fraco nos últimos anos e permanecido abaixo da meta de 2% do Federal Reserve.

Assim também, a quinta-feira é muito aguardada pelo mercado, com expectativa pelas vendas de varejo e a produção industrial (julho).

O Goldman Sachs cortou a projeção de crescimento dos Estados Unidos no quarto trimestre, de 2% para 1,8%.

“Os fundamentos para esta mudança modesta se resumem na inclusão de uma estimativa dos efeitos de confiança e incertezas, além da resposta notável dos mercados financeiros às notícias recentes sobre o comércio internacional”, disse Jan Hatzius, economista-chefe do Goldman Sachs nos EUA, conforme apurado pela reportagem da CNBC.

Em paralelo, o mercado acompanha os últimos resultados corporativos do 2T19.

Mais inquietações

A China está em meio a diversos conflitos. Uma vez a situação é mais preocupante no que tange a guerra comercial com os EUA, outra com Hong Kong. Já são dez semanas de manifestações e agora, milhares de manifestantes ocupam o aeroporto internacional. As autoridades optaram por cancelar todos os voos, e a situação se agrava a cada novo dia.

O cenário também não está fácil na Argentina, após a derrota do presidente Macri em eleições primárias. O resultado final sai apenas em outubro, mas o pessimismo com o resultado que pode colocar de volta um presidente populista (escolhido por Cristina Kirchner) em meio a uma forte crise econômica, deve começar hoje. O problema não para aí, como também somos um país emergente, acabamos entrando no mesmo pacote de países com economia fragilizada e sofremos em conjunto – bem como o México e África do Sul que lideram perdas entre as moedas do bloco.

Apesar disso, ainda tentamos buscar algum resquício de otimismo por aqui. Por exemplo, há quem diga que o placar da Previdência já seja favorável à sua aprovação no Senado e o seu relator, Tasso Jereissati (PSDB-CE), pretende anunciar o parecer até o dia 28 de agosto. Ainda no Senado, começa a análise da indicação de Eduardo Bolsonaro para a embaixada de Washington – mas Jereissati já pediu ao governo para não “contaminar o ambiente” com mais ruídos, como a indicação.

Por Glenda Ferreira – Especialista em Investimentos na Levante Ideias de Investimentos

Reforma da Previdência esquentará o clima no Senado, onde passa a ser discutida esta semana

A reforma da Previdência esquentará o clima no Senado, onde será discutida esta semana na Comissão de Constituição e Justiça.

De acordo com o Placar da Previdência, elaborado pelo ‘Estado’, a matéria já conta com 53 votos positivos ao texto.

É preciso que 49 senadores votem (dois turnos) para aprova-la. Assim sendo, a PEC 6/2019 esquentará o clima na Casa.

De antemão, o relator e senador, Tasso Jereissati (PSDB-CE), defende abertamente que os colegas confirmem o texto aprovado pelos deputados.

Apesar disso, diversos parlamentares reforçam que não querem ser apenas carimbadores das decisões efetuadas na Câmara.

Jereissati defende que as alterações propostas pelos senadores estejam em PEC paralela, apoiada pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

Os contrapontos, no entanto, devem esquentar o clima no Senado.

A reforma da Previdência deve ser discutida em até 30 dias na Comissão de Constituição e Justiça do Senado.

Para os primeiros dias são aguardados debates em audiências públicas com a participação de representantes de trabalhadores e de empresários.

Segundo o ‘Estado’, Tasso deve apresentar o relatório na comissão no dia 28 de agosto.

Passada a apreciação na CCJ, a matéria precisa passar por dois turnos de votação no plenário da Casa.

Assim também, o governo encaminhará a proposta de emenda à Constituição que restitui o modelo de capitalização no sistema previdenciário.

A informação foi confirmada no sábado (10) pelo o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. Segundo ele, a equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, está finalizando a proposta.

O sistema de capitalização fazia parte da proposta original de reforma da Previdência enviada pelo governo federal em fevereiro.

Enquanto tramitava na Câmara dos Deputados, o relator da PEC na Comissão Especial da Casa, deputado Samuel Moreira (PMDB-SP), retirou esse item do seu parecer.

Economia em marcha lenta: serviços impactam e endividamento atinge maior nível em 3 anos

Com economia em marcha lenta, volume de serviços prestados impacta negativamente e o endividamento atinge maior nível em 3 anos.

Segundo o Banco Central, o endividamento das famílias saltou para 44,04% (maio), em relação à renda acumulada em 12 meses.

Desse modo, marcou sua sétima alta mensal consecutiva, assim como o maior nível desde abril de 2016, quando atingiu 44,2%.

A Confederação Nacional do Comércio (CNC) sinalizou que o percentual de famílias endividadas passou de 64% (junho) para 64,1% (julho).

Levantamento realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) mostra que a cada dez consumidores que começaram o mês de agosto com o CPF inscrito na lista de inadimplentes, 37% devem até R$ 500.

Além disso, o volume de serviços prestados na economia brasileira também tem deixado a economia em marcha lenta.

Em junho, o índice caiu e foi inferior em 2,3% ao patamar observado em dezembro de 2018.

O quadro negativou mesmo descontando o efeito calendário. A fraqueza dos serviços aparece tanto no curto como no longo prazo.

Esse setor representa, aproximadamente, 70% do Produto Interno Bruto (PIB).

Assim sendo, influencia diretamente na atividade econômica.

De acordo com os economistas do Banco Itaú, o PIB retraiu 0,7% em junho, influenciado por serviços e indústria.

Hoje, o mercado estima uma recuperação fraca para a economia brasileira, empurrando as expectativas mais otimistas para o futuro.

A receita nominal caiu 1,1% entre maio e junho e cresceu apenas 0,4% entre os meses de junho na comparação anual de 2018 e 2019. Ademais, retração do volume entre maio e junho foi registrada nas cinco atividades pesquisadas, sendo mais intensa nos serviços de informação e comunicação (-2,6%).

Governo prepara pacote para reforma tributária, privatização e medidas administrativas

O governo está preparando um pacote de medidas que contempla a reforma tributária, programa de privatização e medidas administrativas.

De acordo com a publicação do jornal O Globo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, quer desvincular receitas obrigatórias.

Além disso, o ministro busca zerar impostos para importação de máquinas e descentralizar recursos para Estados e municípios.

Compilados pela Folha, a análise de indicadores dos seis primeiros meses do atual governo revela que, os que mais sofreram perdas foram aqueles relacionados à educação, saúde e meio ambiente.

A oferta de assistência básica piorou e apenas 1 em 12 índices do Ministério da Educação reportou alta, segundo publicação.

Em contrapartida, houve melhora na segurança e na economia, onde 20 dos 47 indicadores melhoraram, como Bolsa e emprego.

Ainda no âmbito econômico, o Estadão destaca que a proposta de estender a isenção da tabela do Imposto de Renda para quem ganha até cinco salários mínimos (R$ 4.990), representaria uma perda de, em média, R$ 39 bilhões na arrecadação.

Atualmente, quem ganha até R$ 1,903,98 por mês, está isento de declarar o IR, de acordo com o jornal.

A intenção do governo é alcançar, aproximadamente, 11,2 milhões de pessoas.

O cálculo, contudo, não considera o fim das deduções médicas na declaração de IR, medida em estudo pela equipe econômica.

Embora seja um tema recorrente abordado pelo presidente Jair Bolsonaro, assim como promessa de campanha, a equipe econômica segue resistente à ampliação da faixa dos que não pagam o IR.

Segundo fontes ouvidas pela reportagem, o benefício não pode ser concedido agora.

Mesmo assim, a orientação dada à Receita é encontrar uma solução que contemple o pedido do presidente.


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