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Com aceno de Trump a acordo de livre comércio entre Brasil e EUA, secretário alerta para alguns pontos

Por Eloiza Amaral
31 julho 2019 - 14:05
CARLOS BARRIA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump disse ontem (30), que está trabalhando para um acordo de livre comércio com o Brasil e, com isso, o secretário de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Marcos Troyjo, afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo que o governo visa um tratado mais ‘’ambicioso e abrangente’’.

Segundo informações do jornal desta quarta-feira (31), a ideia é buscar um acordo que inclua a retirada de tarifas e a criação de cotas de importação com menos tributos, mas tendo que ser fechado via Mercosul, assim como o da União Europeia.

O secretário de Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, que está cumprindo agenda no Brasil, disse não ser tão fácil lançar estas tratativas como o presidente acredita. De acordo com Ross, apesar do interesse, o risco de compromissos assumidos pelo Mercosul com os europeus pode ser empecilho.

“É importante que não haja nada nesse acordo que seja contraditório a um acordo de livre comércio com os Estados Unidos”, disse a jornalistas após participar de um evento ontem em São Paulo

Outros setores da indústria veem esta aproximação com os americanos com bons olhos. “É a economia desenvolvida com que o Brasil tem mais complementaridade e integração. Por muito tempo, o governo brasileiro não tinha interesse em ter uma relação mais próxima dos EUA, mas o setor privado tinha. A dinâmica de negócios então acabou se acelerando independentemente do governo” disse ao Estado Diego Bonomo, Gerente Executivo de Assuntos Internacionais da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Na visão de Troyjo, em algumas negociações com o Estados Unidos podem aparecer temas que não dependam do Mercosul, de forma que avancem bilateralmente.

A facilitação de comércio, redução de barreiras não tarifárias, convergência regulatória, regras de propriedade intelectual, comércio eletrônico, aceitação de certificados de origem digitais e reconhecimento de operadores econômicos autorizados são exemplos de temas independentes.

“O intercâmbio comercial entre Brasil e EUA está muito aquém do potencial. Um dos maiores desperdícios de oportunidade é o nível comparativamente pequeno de comércio com EUA, por isso que uma das prioridades para o Brasil é aumentar esse intercâmbio”, disse Troyjo.


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