Política

Celso de Mello do STF compara Brasil à Alemanha de Hitler

Por Bruna Santos
01 junho 2020 - 07:00 | Atualizado em 01 junho 2020 - 08:00
Supremo Tribunal Federal (STF)

O ministro Celso de Mello, do STF, comparou o momento vivido pelo Brasil com o da Alemanha sob Adolf Hitler, “guardadas as devidas proporções”.

De acordo com o Valor Econômico, o decano do Supremo Tribunal Federal alertou aos ministros que a “intervenção militar, como pretendida por bolsonaristas e outras lideranças autocráticas que desprezam a liberdade e odeiam a democracia”, nada mais é “senão a instauração, no Brasil, de uma desprezível e abjeta ditadura militar”.

“É preciso resistir à destruição da ordem democrática, para evitar o que ocorreu na República de Weimar quando Hitler, após eleito pelo voto popular e posteriormente nomeado pelo presidente Paul von Hindenburg como chanceler da Alemanha, não hesitou em romper e em nulificar a progressista, democrática e inovadora Constituição de Weimar, impondo ao país um sistema totalitário de Poder”, diz Celso de Mello.

Grupo pró-Bolsonaro protesta em frente ao STF

No domingo, um grupo de pessoas mascaradas e munidas de tochas protestou em frente ao Supremo, liderados por Sara Winter, conforme a publicação do Valor. Winter é um dos alvos do inquérito contra “fake news que tramita na corte. Além disso, ela lidera o chamado movimento “Os 300 do Brasil“.

O grupo era formado por poucas dezenas de pessoas e, segundo imagens divulgadas por eles, gritavam: “viemos cobrar, o STF não vai nos calar”.

Ademais, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, relator do inquérito das fake news, foi o principal alvo do protesto: “Ministro covarde, queremos liberdade. Inconstitucional, Alexandre imoral”.

Em sua página pessoal no Twitter, Winter se manifestou sobre a fala de Celso de Mello e pediu que o governo reaja. “Sabemos o que irá acontecer se nada for feito”, escreveu ela.

Antes, ela havia rebatido comparações entre o protesto de domingo e o grupo supremacista. “A ideia foi de um apoiador que é judeu e quem comprou as tochas e máscaras foi um organizador dos 300 que é negro“, disse.

Em contrapartida, a deputada estadual Janaína Paschoal (PSL-SP) se manifestou contra a manifestação feita no STF. “Entendo que os apoiadores do Presidente queiram mostrar apoio. Mas estão escolhendo as formas erradas“, declarou no Twitter.

Ela ainda pediu que alguém próximo de Sara Winter interceda em seu comportamento e que o governo “está cavando a sua própria cova”.

Até mesmo o ex-ministro Sérgio Moro se manifestou. “Tão loucos mas, ainda bem, tão poucos. O único inverno chegando é o das quatro estações“, escreveu.


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