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Caixa não está cedendo informações sigilosas à equipe de transição do novo governo que teme “surpresas”

Por Pablo Vinicius Souza
17 dezembro 2018 - 09:45

Segundo apurações do Estadão/Broadcast, a equipe responsável pela transição na Caixa tem se deparado com algumas dificuldades para acessar os dados de operações sigilosas da instituição financeira, usado como braço do governo na liberação de crédito ao longo dos últimos anos. De acordo com o Broadcast, a principal fonte de informações do novo comando está sendo o Tribunal de Contas da União (TCU), onde há 200 processos abertos para apurar irregularidades no banco.

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Liderado por Pedro Guimarães, o nome escolhido para presidir o banco, a equipe de transição já foi oito vezes ao TCU e, segundo apurações, ao se encontrar com diversos ministros tem recebido feedbacks distintos em relação aos processos do banco. Embora essa informação tenha sido comentada pelo Estadão, a Caixa optou por não a comentar até a presente data.

Até o momento e à disposição da equipe de transição, foram entregues apenas os documentos públicos, ou seja, balanços e outros relatórios que também estão disponíveis na internet. A equipe que assumirá com a posse do presidente eleito, Jair Bolsonaro, precisará das principais informações da instituição. O motivo pelo qual este assunto tem gerado polêmica e tensão entre as duas equipes é porque o novo governo tem como objetivo se adiantar para não ser pego posteriormente de surpresa por operações que podem estar comprometendo a saúde financeira da Caixa.

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A intenção governamental de Bolsonaro é que sua equipe escolhida para liderar a Caixa acabe com as irregularidades já sabidas que aconteceram, especialmente, em razão do fatiamento político ao longo dos últimos anos. Embora o novo governo vá encontrar resistência (alguns partidos já se manifestaram contrários às medidas, como o PP e o PR), a expectativa é de que seus planos não sejam abandonados ao longo do caminho e se concretizem em tempo hábil.

Ao final da última semana, outro assunto que tem gerado manifestações contrárias aos pronunciamentos de Bolsonaro ganhou destaque e pode sugerir o porquê tem se notado uma indisponibilidade de uma equipe para com a outra. Após Bolsonaro manifestar em seu Twitter a intenção de rever R$ 2,5 bilhões em publicidade e patrocínio do banco, esse saldo foi contestado na última quinta-feira pela Caixa Econômica Federal.

De acordo com a instituição financeira, a informação divulgada pelo presidente eleito sobre ações de publicidade, patrocínio e comunicação da instituição não procedem. Em nota oficial, o banco informou que o “orçamento com recursos do banco projetado para ações de publicidade, patrocínio e comunicação em 2018 foi de R$ 685 milhões, sendo realizado até novembro de 2018 (o valor) de R$ 500,8 milhões”. Ainda em nota, a Caixa também afirmou que “as ações de comunicação do banco são voltadas para alavancagem de negócios, produtos e serviços e vêm sendo reduzidas desde 2016”.

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Conforme apurações realizadas pelo Estadão/Broadcast, Bolsonaro tem orientado à sua equipe que assumirá o comando em janeiro de 2019, uma considerável mudança na estratégia de patrocínios, de modo que as prioridades sejam dedicadas à projetos regionais em vez de grandes eventos esportivos. Para a nova gestão, o planejamento é que a Caixa passe a focar seus esforços e principais investimentos em suas tradicionais linhas de já grande sucesso como o crédito imobiliário, e nas políticas públicas, como a gestão do FGTS.

Ainda de acordo com apurações do Estadão, Bolsonaro deve indicar algum militar para assumir a vice-presidência de tecnologia da informação da Caixa com o objetivo de “vasculhar” os contratos da instituição, plano que pode não ser sucedido em função da recente e nova política do banco que, em síntese, define que a escolha de diretores deve ser realizada por meio de empresas de contratação de executivos.

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