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‘Buraco fiscal’; Copom mantém juros em 6,5%; privatização; porte de armas para 20 categorias e mais

Por Pablo Vinicius Souza
09 maio 2019 - 09:53

O mercado deve repercutir em sua abertura a manutenção dos juros em 6,5% ao ano, pelo Copom.

De acordo com o Comitê, incertezas quanto a aprovação da reforma da Previdência pode estar retardando o avanço da economia.

Ademais, Guedes falou de ‘buraco fiscal” em sua nova participação na Comissão Especial, blindada por aliados.

No exterior, as principais bolsas operam majoritariamente em queda, impulsionadas pela tensão comercial entre Estados Unidos e China.

Tensão comercial EUA-China derruba bolsas asiáticas em dia de dados chineses modestos

As tensões comerciais entre Estados Unidos e China derrubam as bolsas asiáticas, que encerraram a sessão majoritariamente em queda.

Os posicionamentos quanto a novas imposições de tarifas minam o campo antes fértil para uma resolução entre as duas potências.

Paralelo a esse receio, investidores se deparam com indicadores chineses modestos.

A Oceania reagiu e o índice S&P/ASX 200 fechou o pregão desta quinta-feira (9) em alta de 0,42%, em 6.295,30 pontos.

De acordo com a Dow Jones Newswires, o mercado acionário de Sydney foi encarado como “porto seguro” ante às complicações comerciais entre EUA e China.

As principais bolsas europeias abriram sessão em queda, reagindo aos conflitos comerciais EUA-China.

Paralelo a isso, os futuros de Nova York também operavam em queda nesta manhã.

Saiba quais são os principais compromissos econômicos globais para esta quinta-feira

A agenda de indicadores na China trouxe muitos dados relevantes na sessão de hoje.

Primeiramente, os novos empréstimos recuaram no país, a 1,02 trilhão de yuans (US$ 150,3 bilhões) em abril.

Essa informação foi cedida pelo Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês).

Ademais, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 2,5% no mesmo período, em comparação anual.

O índice de preços ao produtor (PPI), por sua vez, subiu 0,9%, também em comparação anual relacionado ao mês de abril.

Nos EUA, destaque para a divulgação dos índices de preços ao produtor (PPI), o saldo, as exportações e importações norte-americanas.

Além disso, os pedidos de auxílio-desemprego também são aguardados, bem como a publicação dos estoques no atacado de março.

Internamente, o IBGE divulgará dados do varejo e estimativa da safra de grãos (março), medido pela Pesquisa Mensal do Comércio.

O mercado também se prepara para a continuidade da bateria de resultados corporativos nesta quinta-feira. Hoje, destaca-se a Vale.

Bem-vindos?

Uma recepção nada calorosa tem feito os mercados internacionais ficarem com um pé atrás. Após (novamente ele) Trump dizer que a China quebrou o acordo que estava em andamento, a expectativa quanto a uma trégua no curto prazo, esfriou. Com isso, as Bolsas asiáticas já fecharam em forte queda e as americanas caminham para abrir no mesmo sentido, diante de um encontro que ainda não apresenta motivos para comemorações.

Já por aqui, o mercado local se animou com Paulo Guedes – o herói da Faria Lima – na comissão especial, onde ele falou sobre a necessidade de aprovação da reforma. Além disso, outro impulso ficou por conta do apoio manifestado pelos partidos do Centrão, o que fez com que os investidores renovassem as suas esperanças com a aprovação da reforma, e fez a Bolsa subir, mesmo em meio a um ambiente tão conturbado lá fora. Hoje o dia é de agenda cheia aqui e lá fora, por isso muito atenção aos dados que prometem movimentar mercados e mostrar como anda a economia dos dois gigantes, como balança comercial, preços ao produtor norte-americano (PPI), preços na China (CPI), dentre outros.

Por Glenda Ferreira – Especialista em Investimentos na Levante Ideias de Investimentos

Copom mantém juros em 6,5% e afirma que incertezas inibem novos estímulos monetários 

O Comitê de Política Monetária (Copom) não surpreendeu ao manter a taxa básica de juros inalterada em 6,5% ao ano.

Essa se tornou a nona decisão consecutiva pela manutenção, já projetada anteriormente pela maior parte do mercado.

A economia brasileira deve ser reavaliada, além disso, um corte de juros em um futuro próximo parece estar descartado.

Acredita-se que as incertezas quanto a aprovação da reforma previdenciária pode estar retardando a retomada da economia.

Ainda que a manutenção permaneça estável, o mercado divide opiniões para o fim de 2019.

Embora parte dos especialistas especulem o corte do juro, a maioria segue com cautela ante o cenário de inflação.

Ao final do mês passado, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Nego, disse que “não existe juro baixo com inflação baixa e ancorada, com fiscal desarrumado por muito tempo”.

Além disso, o presidente defendeu que o “cenário central” do BC é de aprovação da reforma da Previdência.

Previdência na Comissão Especial: ‘buraco fiscal ameaça engolir o Brasil e precisa ser atacado’

O ministro da Economia, Paulo Guedes, participou ontem de uma audiência na Comissão Especial para defender reforma da Previdência.

Em sua última visita ao Congresso, Guedes foi pressionado pela oposição e chegou a ser chamado de “tigrão” e “tchuchuca”.

Dessa vez, o ministro procurou se esquivar das armadilhas elaboradas pela oposição em uma audiência de quase 8 horas.

De forma didática, Guedes alertou sobre o risco de, sem reforma, o País não conseguir garantir o pagamento a aposentados.

“É um buraco fiscal que ameaça engolir o Brasil e precisa ser atacado”.

Ao final, o ministro se desculpou por ter se “excedido” em alguns momentos na comissão.

Segundo o próprio, a proposta do governo deve ser compreendida em dois estágios, sendo eles a reforma do modelo atual de previdência assim como o lançamento de um novo regime de capitalização.

Para que a segunda fase seja possível, no entanto, a reforma precisa impactar em, aproximadamente, R$ 1 trilhão.

Em contrapartida, o PSB lançou uma campanha contrária à reforma proposta pelo governo.

Ao Valor Econômico, o presidente nacional da sigla, Carlos Siqueira, admitiu a necessidade de mudanças nas regras previdenciárias.

Apesar disso, Siqueira rechaça a proposta formulada pelo governo porque, de acordo com ele, desmonta a seguridade social.

Contrariando projeções do próprio governo, boa parte das privatizações deve ficar para 2020

“No ano de 2019 acontecerão poucas privatizações, mas muitos desinvestimentos”, disse o secretário de Desestatização e Desinvestimento do Ministério da Economia, Salim Mattar.

A fala gera um revés na expectativa do mercado, que esperava por mais privatizações de estatais ao longo deste ano.

Em janeiro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, previu uma arrecadação de R$ 20 bilhões com a medida, em 2019.

De acordo com o ministro, que falou no Fórum Econômico Mundial de Davos, esse montante melhoraria o resultado fiscal do governo, que prevê um déficit de R$ 139 bilhões.

Essa previsão, no entanto, deve ser frustrada. Segundo o secretário, “é uma questão de ajuste” para que as privatizações aconteçam.

“No segundo ano [mandato], acelera-se o volume de privatizações e conclui a grande quantidade em 2021”, completou Mattar a jornalistas.

Decreto de porte de armas gera controvérsias; Maia pede análise, mas nega mal-estar

O decreto polêmico assinado pelo presidente da República na última terça-feira (7) é mais amplo do que havia sido divulgado.

Com a finalidade de ampliar o número de categorias que podem querer o porte de armas, Bolsonaro contemplou 20 categorias.

Ademais, o limite de cartuchos por proprietários de armas de fogo cresceu, bem como a importação de armas de fogo.

Sendo assim, políticos com mandato eletivo, advogados, conselheiros tutelares, agentes de trânsito, oficiais de justiça, caminhoneiros, jornalistas (que realizem coberturas policiais) e moradores de áreas rurais terão permissão para requerer o permite, ou seja, a permissão para andar armado fora de casa.

Assim sendo, especialistas em Direito Constitucional questionam a legalidade do decreto.

De acordo com o Estado, juristas apontam que o decreto contraria termos da lei aprovada pelo Congresso para o tema.

Além disso, a medida assinada extrapola as responsabilidades do Executivo, e cria regras novas de forma irregular.

Como resultado, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, pediu uma análise da assessoria técnica da Casa para avaliar o decreto.

A medida, no entanto, não deve ser encarada como “mal-estar” com o governo, mas sim como algo de praxe.

“A Câmara sempre avalia se há alguma usurpação de prerrogativas que são do Legislativo”, disse Maia.

Petrobras deve divulgar modelo de venda para 8 refinarias a partir de junho

A Petrobras deve divulgar uma oportunidade de venda do modelo de desinvestimento em refino dentro de alguns meses, em junho.

É provável que sua subsidiária, a BR Distribuidora, adquira algumas das oito refinarias previstas no plano.

Recentemente, a estatal brasileira anunciou uma redução em participação na BR.

A petroleira deve vender cada refinaria (com capacidade de processamento de 1,1 milhão de barris diários) separadamente.

Balanço corporativo: MRV e Grupo JSL elevam lucro em 18% e 142,2%, respectivamente

Em comparação anual, tanto a MRV Engenharia quanto o Grupo JSL avançaram em seu lucro líquido do 1º trimestre.

Primeiramente, a MRV divulgou uma elevação de 18,2% em seu lucro líquido no primeiro trimestre do ano, ao passo que sua receita líquida cresceu 22,7%, para R$ 1,509 bilhão.

De acordo com a empresa, o resultado positivo foi atribuído ao incremento das vendas e da produtividade.

Da mesma forma, o Grupo JSL impressionou com um crescimento de 142,2% no lucro líquido do primeiro trimestre de 2019,

Segundo as demonstrações apresentadas pela própria companhia, o lucro líquido do mesmo período em 2018 foi de R$ 60,8 milhões.

Balanço corporativo: Hapvida e ArcelorMittal veem lucro recuar no primeiro trimestre

A bateria de balanços corporativos do 1º trimestre do ano tem apresentado uma variedade de resultados.

Na Hapvida Participações e Investimentos, o lucro líquido totalizou R$ 209 milhões, indicando um recuo de 2,4% em comparação anual.

De acordo com a empresa de assistência médico-hospitalar e odontológica, esses valores são atribuíveis aos controladores.

Como de praxe, foram comunicados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na noite da última quarta-feira (8).

Assim também, a ArcelorMittal viu seu lucro líquido amargar um recuo drástico, puxado pela queda nos preços globais do aço.

Se no primeiro trimestre do ano passado a gigante siderúrgica registrou US$ 1,19 bilhão, em 2019 no mesmo período o lucro líquido foi de apenas US$ 414 milhões.


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