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BRFS3: Balanço da BRF surpreende com melhora operacional e desalavancagem, apesar de prejuízo

Por TradersClub
11 maio 2020 - 09:37 | Atualizado em 11 maio 2020 - 09:38

O balanço da BRF, divulgado ontem à noite para dar ao investidor mais tempo de análise, sentiu a variação cambial e o acordo com a ação coletiva contra a empresa nos Estados Unidos – levando a um prejuízo inesperado no primeiro trimestre. Contudo, analistas, gestores e membros experientes do TC disseram que são evidentes os sinais de melhora operacional e queda no endividamento no período. O BTG Pactual, por exemplo, espera reação positiva nas ações ordinárias da empresa no pregão de hoje.

O prejuízo líquido da empresa foi de R$38,20 milhões, ante consenso de lucro de R$478 milhões. Para o membro experiente do TC, Igor Leite, a redução de 46% da ociosidade aponta para a retomada operacional da BRF. O endividamento líquido atingiu 2,68 vezes o EBITDA ajustado anual no trimestre passado, ante 6,14 vezes um ano atrás. A empresa alongou o prazo médio do seu endividamento em quase 50%. Produtividade e rendimento melhoraram, houve duas aquisições em abril, o investimento cresceu quase 20% e a fatia de mercado no Brasil caiu apenas 2 pontos percentuais – sinal de reposicionamento na precificação. A receita líquida da BRF atingiu R$8,949 bilhões, abaixo do consenso de R$9,25 bilhões, enquanto o EBITDA ajustado chegou a R$1,251 bilhão, abaixo da expectativa de R$1,38 bilhão. O diretor-presidente, Lorival Luz, e a diretoria da maior exportadora de carne de frango do mundo explicam os resultados em teleconferência, às 10h00.

O gestor do fundo Cosmos Capital e membro experiente do TC, Pedro Albuquerque, disse que o momento operacional está chegando com força graças ao ciclo favorável para o setor de proteínas na esteira da crise do coronavírus. Já Thiago Duarte, analista do BTG Pactual, disse que “a combinação de resultados mais fortes do primeiro trimestre, com alguns sinais positivos, e a depreciação do câmbio devem levar os analistas de Wall Street a rever suas estimativas de lucro para cima, e nós estamos nesse grupo”. E completa que “isso por si só deve trazer uma reação positiva ao preço das ações. Dito isto, estamos ansiosos para ouvir mais da administração da companhia quanto à sustentabilidade de longo prazo das margens na Ásia, bem como melhorias no Brasil em meio ao que ainda vemos como riscos de que o ciclo do frango vire”, apontou Duarte. (Guillermo Parra-Bernal/ACS)


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