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Brexit: Tudo o que você precisa saber para acompanhar a votação de hoje

Por Eloiza Amaral
29 janeiro 2019 - 12:53

Será realizada hoje pelo parlamento britânico a votação das propostas do plano B para o Brexit apresentadas por Theresa May na segunda feira passada (21). O debate entre deputados acontecerá na Câmara dos Comuns, e a expectativa é a de que alguns apresentarão emendas à moção de retirada do Reino Unido da União Europeia (UE).

Para resolver todas pendências antes do Brexit o governo estuda a ampliação do número de sessões de debate e a duração delas. De acordo com o jornal britânico Sunday Times, também está em análise a implantação de uma lei marcial para o caso de ocorrer distúrbios em uma saída sem acordos.

Glenda Ferreira, economista e especialista em investimentos da Levante Ideias de Investimentos, acredita que a saída seria positiva para a Europa, pois o Reino Unido é uma economia grande e significante. ‘’Aqui no Brasil não estamos sentindo tanto os efeitos. A Bolsa anda bem descolada do cenário internacional, e está sendo mais impactada pelas resoluções dos EUA e China do que Europa. Os efeitos aqui seriam muito pequenos,’’ disse.

Entendendo o Brexit

Por que os britânicos desejam abandonar a União Europeia?

Alguns dos motivos que fizeram a nação tomar esta decisão foi o fato de criticarem a contribuição feita para o bloco (que é maior do que a dos demais países) e normas burocráticas impostas pela sede do Conselho Europeu (Bruxelas). Os primeiros impulsos surgiram principalmente do Partido Conservador, do qual Theresa May é membro.

Um forte sentimento nacionalista também impulsionou o movimento após a crise humanitária no Oriente Médio e na África. O medo de perder empregos e a qualidade de vida se tornou constante.

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E o que fizeram depois?

O Reino Unido se encontra numa profunda crise há mais de dois anos, quando os britânicos votaram a favor da saída do Reino Unido do bloco econômico em um referendo realizado em 23 de junho de 2016, onde obteve 17.410.742 votos válidos (o que representou 51,9% dos votos).

Com base em uma pesquisa da Confederação da Indústria Britânica os primeiros impactos econômicos surgiram a partir desse momento, quando 40% dos empresários locais sentiram quedas nos investimentos em seus negócios.

Desde então, a primeira ministra Theresa May vem negociando com a União Europeia diversos termos do pacto de saída tocantes a pontos como o valor a ser pago para o bloco econômico por quebra de contrato de parceria (algo em torno de 39 bilhões de libras), a situação de britânicos que vivem na Europa e vice e versa e a liberação de fronteiras.

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 Quais serão as consequências disso?

Ainda não se sabe ao certo quais serão as sequelas geradas pelo Brexit, mas o fato é que, num primeiro momento abalará as estruturas econômicas, políticas e sociais do Reino Unido e da Europa de modo geral.

Já foi publicado um estudo feito pelo Fundo Monetário Internacional com a estimativa de que a economia britânica (o PIB, registrado em 2017 de 2,622 trilhões de dólares) encolha entre 1,5% e 9,5% com a consolidação da saída. Com o fechamento das fronteiras os produtos ingleses devem ficar mais caros e, consequentemente, menos competitivos nos países europeus, seus principais parceiros comerciais.

O parlamento também se choca com o debate sobre as taxas alfandegárias que serão cobradas nas fronteiras quando o Reino Unido estiver formalmente fora do mercado único e da união aduaneira da Europa. Atualmente, os países membros possuem um pacto de livre comércio e circulação de produtos e serviços sem cobranças de impostos.

A questão é ainda mais complicada tratando-se da Irlanda (parte da Grã Bretanha) e Irlanda do Norte (pertencente à UE).  Mesmo May tendo proposto no acordo regras alfandegárias especiais para estas nações, agricultores e empresários norte-irlandeses desejam alguma garantia de que, independente do que aconteça, não serão erguidas barreiras físicas para separar as duas Irlandas.

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O grande desfecho

Para que os danos sejam menores, é de fundamental importância que o Reino Unido entre num acordo com a União Europeia. Por hora, um período de transição foi combinado entre ambos com o intuito de permitir que formulem um compromisso de comércio para que empresas possam se organizar.

Caso nenhuma proposta de saída seja aprovada pelo Parlamento, o Reino Unido sairá da União Europeia sem acordo e sem período de transição. Para o governador do Banco de Inglaterra, Mark Carney, a ausência de consenso entre o Reino Unido e a União Europeia levará a “grandes” consequências para a economia, gerando à revisão das taxas de juros e ao desemprego no setor financeiro.

Está previsto que a saída aconteça às 23:00 do dia 31 de outubro (horário de Londres), e o prazo poderá ser prorrogado caso todos os outros 27* membros do bloco concordem com a necessidade.

 (*Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Croácia, Chipre, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Holanda, Irlanda, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Polônia, Portugal, República Tcheca, Romênia e Suécia.)


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