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Brexit sem acordo levaria a redução de cerca de 10 mil empregos no Brasil

Por Eloiza Amaral
08 abril 2019 - 11:54
soja brasileira; agronegócio
Foto: Federação das Industrias do Estado do Paraná.

Uma pesquisa feita pelo Instituto Halle de Pesquisa Econômica (IWH), da Alemanha, aponta que uma possível saída do Reino Unido da União Europeia sem acordo causaria a perca de até 10 mil empregos no Brasil.

O levantamento, que considera o cenário em 43 países, calcula que os trabalhadores afetados em território brasileiro se encontram em dezenas de setores ligados às exportações, mas principalmente na agricultura, atividade em que o país se destaca como maior fornecedor da UE.

“Mais de 5 mil dos 10 mil empregos estariam em risco na agricultura brasileira. Outras atividades sentiriam menos”, disse em entrevista à BBC News Brasil Oliver Holtemöller, chefe do departamento de macroeconomia e vice-presidente do instituto, que também é um think tank membro da Associação Leibniz, que reúne institutos de pesquisa alemães de diversos ramos de estudo.

No entanto, apesar das perdas em alguns setores, há ainda chances de oportunidades com o Brexit.

Com uma manobra sem acordo, o Instituto Halle estima que os produtos da União Europeia comercializados com o Reino Unido passariam a ser tarifados, o que os deixaria mais caros e reduziria o apetite britânico em consumi-los.

Este efeito iria se espalhar pela cadeia produtiva que abastece esse mercado e chegaria de forma “indireta” a vários países, inclusive ao Brasil.

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A importância do Brasil para a União Europeia e oportunidades com a cisão

A União Europeia ressalta que o Brasil é seu 10º maior parceiro comercial e seu maior fornecedor de produtos agrícolas, com vendas de carnes, soja, café, milho, algodão, frutas, sucos e outros subprodutos. Só no ano passado, as exportações totais do Brasil para o mercado britânico alcançaram US$3 bilhões.

Uma pesquisa feito pelo Departamento de Inteligência e Competitividade da ABIA, a pedido da BBC News Brasil, mostra que, só em 2018, as exportações de alimentos in natura e de alimentos industrializados do Brasil para os britânicos alcançaram US$859,7 milhões – ou, 28,65% dos US$3 bi negociados com esse mercado no período.

“O problema com uma saída abrupta seria o potencial caos que se criaria. O Reino Unido simplesmente perderia do dia para a noite a base do seu comércio mundial,  e teria que renegociar seus acordos individualmente”, explica o professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (IRI-USP), Kai Enno Lehmann.

É indiscutível que terão impactos para todos os membros da União Europeia, sobretudo os danos serão maiores para o Reino Unido que “ficaria muito frágil e com menor poder de barganha”, o que geraria vantagens para o Brasil em possíveis negociações individuais, mas não no curto prazo.

“Para o Brasil e vários setores as oportunidades são grandes, caso o país assuma um pensamento estratégico e estabeleça o que quer do Reino Unido e de um acordo de livre comércio. Se eu fosse representante de um setor estratégico faria muita pressão no governo (para assumir essa postura) e tentar se aproveitar dessa situação.”

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