Mercados

Brasil vai voltar a captar recursos no mercado externo

Por Bruna Santos
03 junho 2020 - 16:00 | Atualizado em 03 junho 2020 - 17:14
Risco Fiscal

O Tesouro Nacional informou nesta quarta-feira (3) que vai captar recursos com a emissão de títulos de dívida (bônus) no mercado externo. A notícia contribuiu para forte queda de 3,22% do dólar, às 11h42 (horário de Brasília), e revela a oportunidade em meio ao tsunami de liquidez.

De acordo com o comunicado, dois novos títulos serão emitidos: o Global 2025, com vencimento para 2025, e o Global 2030, com vencimento para 2030.

O objetivo da nova diretriz é dar continuidade à estratégia de promover a liquidez da curva de juros soberana em dólar no mercado externo, prevendo referência para o setor corporativo, mas também para antecipar financiamento de vencimentos em moeda estrangeira, conforme o comunicado.

Bank of America, Deutsche Bank, Itaú BBA e J.P. Morgan são os bancos responsáveis pela liderança da operação, segundo o governo brasileiro. O resultado dessa operação será divulgado ainda hoje.

Essa comunicação, contudo, não constitui qualquer oferta para vender, nem mesmo uma solicitação de oferta para comprar, segundo o comunicado oficial emitido pela entidade.

Também não haverá qualquer venda de títulos referenciada nessa comunicação em qualquer Estado ou jurisdição na qual tal oferta, solicitação ou venda seria considerada ilegal se emitida antes do devido registro ou qualificação sob as leis que regulamentam a emissão de títulos de quaisquer dos referidos Estado ou jurisdição, de acordo com o Valor Econômico.

Por fim, os recursos oriundos dessa operação no exterior serão incorporados às reservas internacionais. Com o lançamento de títulos da dívida externa, o governo pegará dinheiro emprestado dos investidores estrangeiros para, depois, devolver os recursos com juros.

Recuo do risco-país para menos de 250 pontos pode influenciar a captação de recursos no mercado externo

CDS (Credit Default Swap), também chamado de risco-país, é o principal indicador usado pelo mercado hoje para mensurar o risco de insolvência, como uma espécie de seguro no mercado financeiro.

Assim, o comprador será assistido em caso de calote na dívida de um país ou empresa que emitiu títulos de crédito.

A boa notícia é que o indicador foi abaixo dos 250 pontos na véspera (2). Essa foi a 1ª vez que o indicador recuou a este nível desde o dia 26 de março, após forte ascensão diante dos efeitos da crise de saúde provocada pelo novo coronavírus. Em maio, o risco-país chegou aos 350 pontos; em março, o CDS aproximou de 400 pontos.


Sobre o autor