Economia

Brasil deve ter a segunda maior dívida bruta entre emergentes, segundo o FMI

Por Bruna Santos
08 junho 2020 - 08:00 | Atualizado em 08 junho 2020 - 08:55
economia brasileira

As medidas adotadas pelo governo para sustentar a economia brasileira durante a pandemia da Covid-19 levarão o país para a segunda posição entre os emergentes mais endividados, de acordo com as projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Os dados, compilados pelo Estadão/Broadcast, indicam que a dívida bruta do Brasil, atualmente em 89,51% do PIB, pode chegar a 98,24% no fim de 2020. Além disso, a dívida deve ser manter no mesmo patamar em 2021, refletindo o aumento dos gastos para minimizar os efeitos do isolamento social.

Essa análise oriunda do FMI englobou 36 países emergentes e de renda média. Quanto maior a dívida, maior o risco de calote.

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Nesse sentido, a projeção é que o porcentual do Brasil fique atrás apenas ao contabilizado na Angola, de 132,24% do PIB ao final deste ano. Foram excluídos, contudo, três pares emergentes – Líbia, Argentina e Venezuela, por não entregarem informações suficientes ou não terem dados confiáveis, segundo o Estadão.

Para o economista e antigo ministro da Fazenda durante o governo de José Sarney, Maílson da Nóbrega, “o Brasil vai sair desta crise sanitária com quatro fragilidades: mais empobrecido, mais desigual, com menor potencial de crescimento e mais endividado”.

Dívida/PIB para emergentes

O mundo precisou agir para sustentar a economia em períodos de quarentena e isolamento. Agora, mesmo com a reabertura parcial da economia pelo mundo, fato que vem animando os mercados, estimativas indicam que a atividade econômica deve despencar.

Assim sendo, a relação entre dívida e PIB é afetada, especialmente para os emergentes. O descompasso entre receitas e despesas do governo deve elevar o déficit primário brasileiro para 5,17% do PIB neste ano, conforme as projeções do FMI.

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Maílson explicou que “quanto maior a queda do PIB, quanto maior o déficit primário, maior será a alta da dívida bruta”. Na avaliação do economista, o País vai apresentar uma piora considerável, na mesma direção que os seus pares emergentes.

“Mas nós já tínhamos uma crise fiscal, vinda do governo de Dilma Rousseff, que não foi absorvida ainda”, acrescentou ele.


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