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Bradesco pode ser autuado pela Lava Jato por envolvimento indireto em lavagem de dinheiro

Por Eloiza Amaral
30 maio 2019 - 11:30
Bradesco (BBDC3; BBDC4)

Em entrevista ao jornal Valor Econômico nesta quinta feira (30), o Coordenador da Lava-Jato no Rio de Janeiro, e procurador da República Eduardo El Hage, disse que estuda pedir que o Bradesco seja responsabilizado por meio da lei anticorrupção.

Hage acredita que houve falhas no controle do banco que permitiram a continuidade de um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou cerca de R$ 1 bilhão entre 2011 e 2016.

A lei anticorrupção prega que sejam punidas empresas que cometeram atos ilícitos contra a administração pública. Caso o Bradesco seja condenado poderá ter que pagar até 20% de seu faturamento bruto em multa administrativa.

“O esquema dos chequinhos tem um padrão que foi repetido por anos. Os cheques eram depositados nas contas indicadas pelos doleiros e essas contas eram esvaziadas por meio da quitação de boletos. Valores milionários movimentados durante cinco anos e o Bradesco nunca percebeu isso?”, questionou o procurador.

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Os investigadores já compartilharam as provas com o Banco Central (BC) e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão de prevenção à lavagem ligado ao Executivo. As duas entidades devem produzir relatórios sobre a atuação dos bancos nos próximos 30 dias.

Dois gerentes-gerais do Bradesco que trabalhavam no Rio tiveram prisão temporária decretada pela Justiça Federal por participarem de um esquema de doleiros que contou com a cooptação de dezenas de gerentes de bancos para gerar dinheiro em espécie e alimentar a corrupção na administração pública do Estado do Rio de Janeiro, segundo o Ministério Público Federal.
Estes gerentes fechavam os olhos para a regra do ‘’conheça seu cliente’’, e o crime acontecia embaixo de seus narizes.

A Lava Jato entende que mesmo que não tenha havido envolvimento direto do Bradesco no esquema, as falhas de compliance da instituição favoreceram a continuidade da lavagem de dinheiro por cinco anos.

O Bradesco preferiu não se manifestar sobre o tema.


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