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Bolsonaro quer levar reforma à oposição, capitalização da Eletrobras segue indefinida e mais

Por Pablo Vinicius Souza
26 fevereiro 2019 - 10:44
velha política

Depois de uma reação positiva à declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump que concordou em adiar o prazo final para a imposição de novas tarifas à potência asiática, a terça-feira (26) foi mais cautelosa para os principais índices do continente.

As bolsas asiáticas tiveram um baixo desempenho nesta terça-feira (26), puxados especialmente pelos índices acionários chineses que apagaram boa parte dos robustos ganhos do pregão anterior. Os índices norte-americanos também apontam para uma abertura em queda.

Sem novidades quanto ao acordo entre Estados Unidos e China, as bolsas europeias também reagem negativamente na manhã desta terça-feira. A atenção dos investidores se volta também para os desdobramentos do Brexit, uma vez que Theresa May, a primeira-ministra britânica pode estar considerando um adiamento do divórcio entre o Reino Unido e a União Europeia, marcada inicialmente para acontecer no dia 29 de março.

Em commodities, os preços do petróleo buscam uma recuperação após a queda na sessão anterior, quando fecharam em queda de mais de 3%. O Brent amargou sua pior sessão de 2019, após o pedido de Trump para que a Opep aliviasse os altos preços.

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Saiba quais são os principais compromissos econômicos globais nesta terça-feira

A agenda de indicadores está tranquila para os principais polos econômicos mundiais. A Europa aguarda a divulgação do índice GfK de confiança do consumidor da Alemanha.

Nos Estados Unidos, as atenções se voltam para uma sabatina do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, pelo Senado americano.

Internamente, nossa agenda de indicadores segue esvaziada. O destaque vai para a divulgação de novos balanços financeiros, mas também para a divulgação da pesquisa CNT/MDA que trata da popularidade do presidente Jair Bolsonaro.

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Olhar para os BCs

Hoje, o dia será marcado pela fala de presidentes de Bancos Centrais. Enquanto a agenda é esvaziada no exterior e sem impulsos para altas após a extensão da trégua tarifária, os investidores aguardam a fala de Jerome Powell (presidente do banco central norte-americano).

Enquanto isso, por aqui, teremos a sabatina de Roberto Campos Neto, o novo presidente do BC. Ao passo que não temos novidades quanto à aprovação da reforma da Previdência e há receios quanto a crise da Venezuela (com impactos no petróleo, por exemplo), veremos um dia de mais cautela e receio para ativos locais.

Glenda Ferreira – Economista e bacharel em Relações Internacionais pela Facamp, tem experiência em planejamento financeiro. Atualmente é Especialista em Investimentos na Levante Ideias de Investimentos.

Bolsonaro “ouve não” após convidar oposição para discutir reforma da Previdência

O presidente Jair Bolsonaro colocou em prática uma estratégia para abrir o diálogo com siglas que se opõe a reforma. O convite para a reunião de discussão foi estendido ao PDT e ao PSB, que prontamente se negaram, de acordo com o jornal O Estado de S. Paulo. Os líderes de ambas as legendas criticaram o fato de o convite não ter sido encaminhado aos demais partidos de oposição, citando por exemplo o PT, o PSOL e o PCdoB.

Reeleito presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia disse que a instalação das comissões permanentes da Casa será realizada após o carnaval, a contar a partir do dia 12 de março. Isso quer dizer que o prazo para a tramitação da PEC relacionada a reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania (considerada a primeira etapa do processo), deve atrasar.

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Outra etapa muito aguardada é o envio das propostas de mudanças no sistema de aposentadoria para os militares, que devem ser realizadas por meio de medida provisória, de acordo com o Valor Econômico. Há uma forte pressão para que a mudança seja acelerada.

Enquanto isso, o setor público deve encontrar respaldo no Supremo Tribunal Federal para combater o aumento de até 22% a mais na contribuição previdenciária. O jornal Valor Econômico escutou um ministro da Corte, que indicou que, caso a proposta seja aprovada pelo Congresso, deve ser barrada pela Justiça.

Paralelo as articulações para o andamento da reforma previdenciária, Maia se vê diante de um “overbooking” enquanto tenta acomodar aqueles que o apoiaram em cargos e espaços na estrutura da Casa. De acordo com o Valor Econômico, a velha política está rendendo um problema na acomodação de todos.

Relatório gratuito – Petrobras: O petróleo é nosso

Eletrobras ainda não tem um modelo de capitalização definido e outras notícias corporativas

O governo Bolsonaro está direcionando a maior parte de seus esforços na condução da reforma da Previdência, deixando a privatização e capitalização em segundo plano. Bento Albuquerque, ministro de Minas e Energia informou que ainda não há um modelo definitivo para a capitalização da Eletrobras. Em revisão, o modelo anterior implicava na perda do controle societário que hoje está sob o comando da União. O ministro, contudo, disse ainda que a capitalização poderá acontecer ainda neste ano.

De acordo com a Embraer na manhã desta terça-feira (26), a liminar que impedia a realização de sua assembleia de acionistas para tratar sobre a fusão da empresa com a Boeing, foi revogada. “Desse modo, não há qualquer óbice para a realização da Assembleia Geral Extraordinária da companhia convocada para o dia 26 de fevereiro de 2019”, destacou a Embraer em comunicado oficial ao mercado. Quanto ao posicionamento dos acionistas, analistas de mercados ouvidos pelo Valor Econômico apontam que a formação de duas joint venture não deve encontrar resistência.

Relatório gratuito – Banco do Brasil: O gigante acordou

Em dia de baixa do Ibovespa, somado ao resultado divulgado pelo BTG Pactual referente ao ano de 2018, as units do banco recuaram 0,4%. Ainda ontem, o Grupo Pão de Açúcar vendeu 3,09% de sua participação do capital social da Via Varejo. A porcentagem equivale a 40 milhões de ações ordinárias e a transação movimentou R$ 200 milhões. O Santander, por outro lado, adquiriu as ações da Getnet que ainda não eram suas e agora detém de 100% da credenciadora de cartões.

A General Electric firmou um acordo referente uma venda para a Danaher da maior parte de sua operação de ciências da vida BioPharma. A transação está avaliada em US$ 21 bilhões, em dinheiro. Este é um grande passo para a GE que busca reduzir seu endividamento.

Acionista controlador da Cemig, o governo de Minas Gerais indicou na última sexta-feira (22) cinco nomes para o conselho de administração da estatal mineira. O objetivo é que a cadeira seja ocupada por um experiente executivo do setor privado. Entre os destaques está Márcio Utsch, que deixou a presidência da Alpargatas no final de 2018, após uma trajetória de 15 anos.

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No setor de beleza, a fabricante de produtos de beleza e higiene pessoal Natura, deslanchou na última sessão da bolsa de São Paulo. O impulso positivo veio seguido da esteira de divulgação dos resultados referente a 2018, somado a novos planos de operação no varejo físico em 2018. Os investidores seguem entusiasmados e tudo indica que o pregão desta terça-feira (26) na B3 também será muito positivo.

A Avon deu mais um passo na reestruturação da operação de comércio eletrônico e, para isso, contratou a produtora de conteúdo MediaMonks. O principal foco do projeto é desenvolver serviços que devem ser utilizados pelas revendedoras e, consequentemente, aumentar o crescimento das vendas on-line.


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