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Bolsonaro fala de multa do FGTS e desmatamento da Amazônia; confira mais destaques

Por Bruna Santos
22 julho 2019 - 09:11

Em semana de agenda esvaziada no Congresso, o início da temporada de resultados corporativos do segundo trimestre ganha destaque nacional.

No âmbito político, pode haver um anúncio oficial sobre a liberação de saques de contas do FGTS e do PIS/Pasep.

A informação foi reiterada ontem (21) pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, em Brasília.

Ainda faltam detalhes sobre a proposta e, em função disso, a medida não foi anunciada na semana passada, conforme previsto.

Ademais, contrariando Lorenzoni, Bolsonaro chamou a atenção no sábado para um possível novo corte no Orçamento de R$ 2,5 bilhões.

No continente asiático, a China surpreendeu ao suspender no último sábado (20) algumas restrições ao investimento estrangeiro no setor financeiro.

A potência econômica removerá os limites de participação de estrangeiros para possuir ações e fundos de investimento em 2020.

De acordo com o Comitê de Desenvolvimento e Estabilidade Financeira, a decisão foi antecipada em um ano diante do previsto.

Também será permitido aos investidores estrangeiros criar empresas de gestão de fundos, câmbio e previdência, conforme comunicado do Banco Central.

Além disso, diante da retomada das negociações com os Estados Unidos para resolução da guerra comercial, importadores chineses pediram a anulação de tarifas punitivas sobre produtos agrícolas importados dos Estados Unidos, segundo meios de comunicação oficiais.

O pedido ocorre três semanas após a trégua acordada entre ambas as nações.

Nos Estados Unidos, a incerteza quanto aos próximos passos do Federal Reserve pode influenciar no humor do mercado.

Membros do Fed sinalizaram possível corte no juro básico local, a fim de precaver diante de uma possível desaceleração econômica.

Indicadores econômicos da semana: IPCA-15; resultados corporativos; PIB no EUA e mais

A semana de indicadores econômicos locais é inaugurada com dados de criação de empregos.

O mercado projeta uma média de 24,8 mil novas vagas como resultado, em contraste com os 32.140 mil registrados anteriormente.

Posteriormente, o IPCA-15, considerado prévia do dado oficial de inflação, ganha destaque como um dos indicadores econômicos mais esperados.

“Mais uma vez, o indicador deverá mostrar inflação bem-comportada, com núcleos abaixo de 3,0%”, avaliam os analistas do Bradesco BBI.

A expectativa dos especialistas é que o dado, previsto para a próxima terça-feira (23), revele alta de 0,11% em julho.

Ademais, o mercado se prepara para os dados de confiança do consumidor. Para o Bradesco BBI, as expectativas são positivas.

Há ainda espaço para os resultados corporativos. A Profarma publica seus dados nesta segunda-feira (22), após o fechamento do pregão.

No decorrer da semana, outras publicações importantes são aguardadas. Dentre elas estão os dados da Ambev, Bradesco, Cielo e Usiminas.

Lá fora, dados que podem impactar em um cenário de menor crescimento global, como a divulgação do PIB nos EUA.

Para o Bradesco BBI, o resultado deve indicar uma desaceleração com o consumo mais intenso do que os investimentos.

Na Europa, por sua vez, a semana conta com a decisão do Banco Central Europeu (BCE) na quinta-feira (25).

Além disso, o mercado se volta para o discurso do presidente da instituição, Mario Draghi.

A expectativa do mercado é que Draghi fale sobre os planos projetados para a política monetária da instituição.

Semana de negociações em meio a mini férias

As tensões no Oriente Médio sempre estão presentes, apesar da nebulosidade em vermos o que se passa por lá. O desentendimento da vez
(novamente) é entre Irã e EUA, que está fazendo o preço do petróleo avançar. Enquanto é monitorado o risco iminente, os investidores não deixam de averiguar os efeitos da guerra comercial dos EUA com seus parceiros comerciais para as empresas. Como a temporada de resultados financeiros avança a todo vapor, cada novo resultado divulgado referente ao último trimestre pode demonstrar que as consequências econômicas poderão ser ainda maiores daqui em diante.

Enquanto isso, as atenções por aqui estão voltadas à liberação do saque do FGTS, mas o plano só deverá ser anunciado na quarta-feira (24). Como a medida não pode se tornar um 14º salário e ter os seus efeitos diluídos, o comunicado é bem aguardado. E é bom que seja um ótimo incentivo à nossa economia cambaleante que carece de medidas para que retome o crescimento. Ademais, grupos de WhatsApp falam sobre uma paralisação hoje dos caminhoneiros que não ficaram satisfeitos com a nova tabela de frete divulgada pela ANTT. É aquela paralisação que acreditamos ter a mínima chance de ocorrer, mas que sabemos que os seus efeitos são enormes – vide os dados brasileiros que vieram impactados até pouco tempo atrás. Por isso atenção às negociações do governo.

Por Glenda Ferreira – Especialista em Investimentos na Levante Ideias de Investimentos

Ausência de corte da Selic “decepcionaria” o mercado, avalia Itaú

Uma ausência de corte da Selic “decepcionaria” o mercado, avalia o superintendente de pesquisa econômica do Itaú Unibanco, Fernando Gonçalves.

De acordo com a Reuters, a curva DI indicava 85% de probabilidade de redução de 0,25 ponto percentual da Selic.

Até o fim do ano, os contratos de DI da B3 colocavam o juro básico em torno de 5,5%, destacou ele.

Isso significa o resultado de 1 ponto percentual abaixo do atual patamar, de 6,5% ao ano.

Além disso, a pesquisa Focus revela que o mês de julho pode trazer uma redução de 0,25 ponto no período.

Em contrapartida, o Itaú aposta em um alívio de 0,50 ponto.

O executivo ainda ressalta a significância da aprovação do texto principal da reforma da Previdência na distensão monetária mais intensa.

“As medidas dos núcleos de inflação estão bastante contidas”, começou ele.

“Nesse contexto, o que faltava era redução do risco fiscal. E isso foi feito com a Previdência”, concluiu.

Para Gonçalves, o espaço para corte interno da SELIC anda junto com as expectativas de reduções de taxa nos EUA.

Tanto o Fomc quanto o Copom anunciarão suas respectivas decisões de política monetária no mesmo dia, em 31 de julho.

“Não devemos subestimar a influência que um terá no outro”, disse o executivo

Multa do FGTS pode ser reavaliada no futuro

A multa do FGTS pode ser avaliada, mas apenas no futuro, afirmou ontem (21) o presidente da República, Jair Bolsonaro.

Para que isso seja possível, segundo ele, é preciso “ganhar a guerra da informação”.

Desse modo, Bolsonaro ressaltou a jornalistas que, embora essa possibilidade existe, não deve ser encarada como uma solução imediata.

“Menos direito e emprego ou todo direito e desemprego”, é o que o presidente propõe.

A Constituição prevê o pagamento da multa do FGTS, desde que seja equivalente a quatro vezes o valor de 10%.

O montante deve tomar como base o que foi estipulado pela lei que criou o fundo, em 1966.

Além disso, Bolsonaro reiterou a probabilidade de que a liberação dos saques seja anunciada na próxima quarta-feira (24).

” A gente está precisando. Um de vocês falou ontem no Alvorada, é um paliativo? É”, continuou.

“É uma vitamina que você tem que tomar agora, porque o ano está acabando”, completou ele.

“Você pode ver as sinalizações da Previdência emplacar alto, no primeiro turno, já fez a bolsa se estabilizar acima de 100 mil pontos”, comemorou ele que ainda destacou a queda do dólar.

“Já tem gente preocupado que o dólar não pode cair muito para não prejudicar as exportações”, disse Bolsonaro.

Desmatamento na Amazônia: Bolsonaro volta a criticar Inpe por dados

O presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar o (Inpe) por dados que mostram alta de desmatamento na Amazônia.

Os dados foram divulgados na última sexta-feira (19). Em resposta, Bolsonaro chegou a dizer que os números são mentirosos.

Além disso, acusou o diretor do órgão, Ricardo Galvão, de estar “a serviço de alguma ONG”.

Segundo o presidente da República, o desmatamento tem que ser combatido e não “fazer campanha contra o Brasil”.

Bolsonaro não apenas afirmou que a divulgação de dados alarmantes “prejudica o país”, como também chamou a responsabilidade para Galvão.

Para o presidente, “se o dado fosse alarmante”, no mínimo Galvão deveria ter procurado o ministro da pasta para alertar sobre os dados que apontam: o desmatamento na Amazônia Legal brasileira atingiu 920,4 km² em junho.

Isso representa um significativo aumento de 88% em igual período de 2018.

No presente mês, que ainda não findou, o material indica os maiores valores de desmatamento para um mês desde 2015.

No sábado (20), o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais rebateu as críticas de Bolsonaro em entrevista ao Estado.

“Mais do que ofensivo a mim, isso foi muito ofensivo à instituição”, afirmou o diretor do Instituto sobre a afirmativa de Bolsonaro quanto aos dados serem mentirosos.

Ademais, Galvão lembrou que os dados do Inpe são referendados internacionalmente e oferecem taxa oficial de desmatamento nacional desde 1989.


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