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Bolsonaro cancela ida a Davos; crescimento global em 2020 pode contrair; confira destaques

Por Bruna Santos
09 janeiro 2020 - 10:00

encarregada de Negócios do Brasil em Teerã, Maria Cristina Lopes, foi convocada para uma reunião pela chancelaria iraniana após uma nota oficial ter sido emitida pelo Itamaraty quanto ao conflito no Oriente Médio.

Ontem, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou o cancelamento do encontro, em meio aos questionamentos sobre a posição do governo brasileiro na crise EUA-Irã.

À Reuters, o Departamento de Comunicação Social do ministério desassociou o encontro do enfrentamento que afeta os principais índices globais.

Desse modo, a reunião trataria de temas culturais, mas foi adiada “a pedido do Brasil” diante do atual momento delicado.

Para alguns, esse cancelamento é mais um indício do momento enfrentado pelo governo para equilibrar seu posicionamento quanto a EUA-Irã.

Na véspera, o presidente Jair Bolsonaro aproveitou a deixa para ressaltar, em transmissão nas redes sociais, a tentativa de costura de um acordo nuclear pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2010, que tinha como propósito permitir acesso a urânio enriquecido ao Teerã, que usaria o mesmo em um programa nuclear para fins pacíficos.

Em resposta, o PT divulgou uma nota na qual diz que Bolsonaro “mente” em sua fala.

“O chamado ‘Acordo de Teerã’, fechado em 2010, é considerado até hoje como o melhor acordo nuclear já feito com o Irã. O próprio Obama escreveu uma carta dizendo expressamente que as condições conseguidas na negociação fechada pelo Brasil e pela Turquia eram as ideais”. Confira o documento na íntegra clicando aqui.

Após a soltura de Lula, o ex-presidente segue mirando 2022.

Segundo levantamentos do portal Dados Abertos da Câmara dos Deputados, ao lado de Michel Temer, Bolsonaro é o presidente que menos aprovou proposta em seu primeiro ano de mandato; apenas três proposições feitas pelo presidente viraram lei.

 

Todo o desespero foi embora e o sentimento de que não teremos a Terceira Guerra Mundial voltou a reinar. O Irã não fez nenhuma vítima americana e os EUA conseguiram seguir com o seu plano: aumentaram as sanções ao país, falaram que eles não terão armas nucleares e que outros países deveriam abandonar acordos. Você já pode se acostumar, em ano eleitoral nos EUA, teremos muita volatilidade, vaivém e disputas pelo mundo. Ao que tudo indica, o acordo com a China deverá ser assinado no dia 15, quarta-feira, e a equipe chinesa já se prepara para ir para Washington. Mas não se assuste se algum atraso acontecer ou se algum termo for mudado de última hora, será normal, mas ao menos o acordo em Fase 1 tem boa chance de ser bem-sucedido.

Por aqui, o pensamento é um só: quanto iremos crescer neste ano? O governo tem se comprometido com as reformas e tem tentado das mais diversas formas estimular o consumo e investimento. Pelos bancos estatais, Caixa e Banco do Brasil, tem conseguido oferecer os menores juros em oito das dez principais modalidades de crédito à pessoa física. É certo que já temos os juros na mínima histórica, mas enquanto os bancões demoram a reduzir as taxas, os estatais se antecipam e estimulam o consumo no país. Outro setor que deve crescer é a construção civil, com uma expansão esperada na casa dos três por cento e mais de 500 mil empregos, impulsionado pelo crédito habitacional e retomada dos investimentos em infraestrutura e pelo próprio crescimento econômico. A confiança está voltando e o país tem só uma direção: crescer.

Por Glenda Ferreira – Especialista em Investimentos na Levante Ideias de Investimentos

 

Bolsonaro cancela ida ao Fórum Econômico Mundial em Davos; Guedes representará governo

Com a proximidade do Fórum Econômico Mundial em Davos e a escalada das tensões no Oriente Médio, após o Irã reagir aos ataques dos EUA, o presidente Jair Bolsonaro cancelou sua participação no evento celebrado na Suíça.

De acordo com o porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros, a decisão engloba fatores de segurança, econômicos e políticos.

Em briefing à imprensa, Rêgo Barros rechaçou que a decisão decorra apenas de aspectos de segurança, destacando o conflito EUA-Irã.

Não há qualquer ligação com o fato que ocorreu no Oriente Médio“, afirmou ele.

Desse modo, Bolsonaro fica de fora do que seria a sua segunda participação no fórum.

Segundo a Reuters, será o ministro da Economia, Paulo Guedes, o substituto de Bolsonaro para representar o governo brasileiro.

Guedes se reunirá com uma série de executivos de multinacionais, conforme documento visto pela Reuters, a partir do dia 20.

Entre as autoridades que querem encontrar o ministro da Economia brasileira estão presidentes de empresas de diversos setores.

Além de participar em painéis do Fórum Econômico Mundial em Davos, Guedes se reunirá com o presidente do UBS Group, Axel Weber, da Microsoft, Brad Smith, da UPS Internacional, Nando Cesarone, do Canadian Pension Investment Board, Mark Machin, e os CEOs da Arcelor Mittal, Lakshmi Mittal, e Chevron, Mike Wirth, destacou a Reuters.

Outros encontros estão previstos como, por exemplo, com o CEO da Coca Cola, James Quincey, do Uber, Dara Khosrowshahi e o presidente da Royal Dutch Shell, Ben Van Beurden.

O ministro recebeu ainda outras 20 solicitações de reunião e sua agenda deve ser atualizada.

Embora não esteja presente no Fórum, Bolsonaro sinalizou que realizará viagem à Índia, onde será recebido como convidado de honra.

Lá, o presidente vai celebrar o Dia da República da Índia, para celebrar a entrada em vigor da Constituição indiana.

Banco Mundial reduz previsão de crescimento global em 2020 por comércio e investimento

Uma recuperação mais lenta que o esperado no comércio bem como no investimento foi decisiva na redução das previsões de crescimento econômico global para o biênio 2019-20, segundo informou na véspera o Banco Mundial.

Mesmo que as tensões comerciais de Washington e Pequim estejam mais brandas, a instituição multilateral de desenvolvimento afirmou que o ano de 2019 foi marcante no que quesito “expansão econômica mais fraca desde a crise financeira global de uma década atrás”.

Desse modo, embora haja expectativa de melhora, 2020 permanece vulnerável às incertezas sobre o comércio e sobre as tensões geopolíticas.

Em recente relatório denominado Perspectivas para a Economia Global, o banco reduziu em 0,2 ponto percentual as estimativas de crescimento econômico para o biênio.

Assim sendo, a previsão de expansão para 2019 era de 2,4%, ao passo que em 2020 era de 2,5%.

Para a referência em previsões econômicas do Banco Mundial, Ayhan Kose, esse aumento na perspectiva deve ser considerado como modesto.

Além disso, segundo ele, o avanço marca o fim da desaceleração iniciada em 2018 e que afetou drasticamente não apenas a atividade, mas também o comércio e os investimentos globais, especialmente em 2019.

De acordo com a Reuters, essas estimativas do Banco Mundial consideram a “fase 1” do acordo comercial entre EUA-China.

Embora a redução da tarifa tenha um efeito “singelo” sobre o comércio, espera-se que o acordo aumente a confiança empresarial e as perspectivas de investimento.

Isso, afirmou Kose, contribuiria para uma recuperação no crescimento do comércio.

Por fim, estima-se que o crescimento do comércio global melhore mais um pouco em 2020 para 1,9%, ante 1,4% (2019).

Conforme informações do Banco Mundial, o crescimento de 2019 é o mais baixo desde a crise financeira de 2008-2009.

Fluxo cambial tem saída líquida recorde em 2019

O fluxo cambial registrou uma saída líquida de US$ 17,612 bilhões em dezembro, conforme dados divulgados pelo Banco Central.

Desse modo, o saldo total de 2019 negativou em US$ 44,768 bilhões, afetado pela saída líquida recorde de dólares contabilizada.

A cifra é quase três vezes pior que a maior saída anual de recursos até então, registrada em 1999.

Na época, houve um fluxo negativo de US$ 16,182 bilhões.

Desde outubro, já se sabia que o fluxo cambial bateria um recorde negativo. Naquele mês, o fluxo acumulado negativou em US$ 21,46 bilhões, relembrou o Valor Investe.

Assim sendo, nota-se que não é de hoje que esse fluxo tem se intensificado, em meio a disparada do dólar.

Entre 25 e 29 de novembro, o saldo das operações de câmbio contratado no Brasil negativou em US$ 4,531 bilhões.

Na época, o presidente do conselho do Credit Suisse e ex-presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou que o cenário é de incerteza global e que “dificilmente teremos um grande fluxo de capital para o mercado”.

A festa é muito boa, mas a festa é nossa. O investidor estrangeiro não virá”, afirmou ele em dezembro (2019).

Posteriormente, no mês de dezembro, o fluxo cambial no Brasil contabilizou um déficit de US5 17,612 bilhões.

Este foi o pior resultado registrado para qualquer mês desde setembro de 1998 (-US$18,919 bilhões) e a maior saída para dezembro desde pelo menos 1982, início da série.

Empresas brasileiras captam quase R$ 500 bilhões em 2019

As empresas brasileiras captaram quase R$ 500 bilhões nos mercados doméstico e externo no ano passado, divulgou o Valor Econômico.

Esses R$ 498,97 bilhões levantados nos mercados de capitais do país e internacional em 2019 representam um avanço de 60,5% frente aos R$ 310,9 bilhões contabilizados em 2018, assim como o maior valor da série histórica da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

As operações com renda fixa e híbridos no mercado doméstico acumularam R$ 305,9 bilhões, ante R$ 237,4 bilhões em 2018.

De acordo com o Valor, as emissões de debêntures mantiveram o perfil de crescimento anual que vem ocorrendo desde 2017.

Assim, houve um aumento no volume emitido, R$ 153,7 bilhões em 2018 para R$ 173,6 bilhões.

A renda variável local bateu recorde de R$ 90,2 bilhões, superando os R$ 75,5 bilhões do pico anterior, em 2007.

As ofertas subsequentes de ações (follow-ons) também cresceram exponencialmente (1.500%); de R$ 4,5 bilhões (2018), as follow-ons saltaram para R$ 79,9 bilhões (2019).

Em contrapartida, as ofertas iniciais de ações (IPOs) passaram de R$ 6,8 bilhões para R$ 10,2 bilhões (+51,7%).

Em termos de operações, as ofertas subsequentes saltaram de 3 para 37 negócios, enquanto o número de operações passou de três IPOs, ambos na base de comparação entre 2018 e 2019.

Entre emissões de dívida, ações e instrumentos híbridos, os R$ 396,1 bilhões captados pelas empresas brasileiras superaram em 59,3% de 2018, de R$ 248,5 bilhões.

Os ativos de renda fixa reduziram sua participação no total emitido, de 89,1% para 68,2%.

Por outro lado, as ações subiram de 4,5% para 22,8% da captação doméstica em 2019.

Por fim, a Anbina ressaltou que as operações de renda fixa e variável no mercado externo totalizaram US$ 25,4 bilhões.

Em 2018, o índice contabilizou US$ 15,4 bilhões.


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