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Bolsonaro admite dificuldades; estímulos econômicos; capital de giro; Federal Reserve e mais

Por Pablo Vinicius Souza
02 maio 2019 - 10:23

Na TV, Bolsonaro admite dificuldades iniciais enfrentadas pelo governo, mas não falou de temas voltados ao trabalho.

No 1º de Maio houve manifestações contra a reforma da Previdência e proposta de cortes acima de R$ 1 trilhão.

A B3 retoma as atividades após feriado e pode repercutir a fala de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve.

Além disso, o ministério da Economia deve propor até 50 ações focadas no estímulo econômico para negócios do País.

Federal Open Market Committee pressiona índices; Europa começa em baixa operação do dia

Conforme antecipado em nosso portal no feriado, a reunião do Federal Open Market Committee (Fomc) impactou, de fato, os mercados.

O Federal Reserve manteve inalterada a taxa básica de juros norte-americana (entre 2,25% e 2,50%).

Apesar disso, as falas do presidente do Fed, Jerome Powell, fizeram os índices oscilar.

Isso porque frustrou as expectativas de corte dos juros. Ademais, Powell reforçou o compromisso de meta de inflação de 2%.

De acordo com Powell, não há espaços para mudanças de conduta neste momento.

A decisão continua repercutindo no primeiro dia útil do mês para várias bolsas globais, inclusive a B3.

Na Europa, a maior parte das bolsas operam em queda no início do dia em negociações.

Embora a operação negativa reflita as falas de Powell, a divulgação de balanços importantes também afeta os índices.

No continente asiático, vale ressaltar uma semana de liquidez reduzida em razão à sequência de feriados regionais.

Os principais índices encerraram a quinta-feira (2) apresentando um desempenho misto.

As bolsas da China e do Japão estão fechadas e só retornam na próxima segunda-feira (6).

Em commodities, os preços do petróleo operavam em queda, em função da produção recorde dos Estados Unidos.

Destaque do dia para a visita ao Teerã do secretário-geral da Opep.

Após sensações dos EUA ao Irã, Opep se manifesta contra o “uso político” do petróleo

As sanções impostas pelos Estados Unidos ao Irã podem causar um recuo de 400 mil barris por dia neste verão.

Hoje, em visita ao Teerã, o secretário-geral da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), Mohammed Barkindo advertiu o uso político dos mercados de petróleo.

De acordo com o Estadão, o Irã tem sofrido com as sanções e as projeções para o verão são preocupantes.

Todavia, Barkindo afirmou em conferência que a Opep trabalha para “despolitizar o petróleo” e “isolar nossa organização contra a geopolítica”.

Isso, no entanto, não é o único responsável pelo recuo na economia da região.

Em 2018, Donald Trump retirou os Estados Unidos do acordo multilateral sobre o programa nuclear iraniano, de 2015.

Surpreendentemente, antes disso, o Irã exportava 2,5 milhões de barris por dia, de acordo com a Dow Jones Newswires.

Saiba quais são os principais compromissos econômicos globais para esta quinta-feira

Hoje, os Estados Unidos divulgarão pedidos de auxílio-desemprego, bem como condições empresárias e encomendas à indústria.

Esses índices são muito aguardados pelo mercado e seguem a fala do presidente do Federal Reserve quanto a economia norte-americana.

Internamente, nossa agenda doméstica também protagonizará um dia importante.

Em destaque, está a divulgação nesta manhã da Produção Industrial referente ao mês de abril.

No universo corporativo, o dia promete agito com divulgações do Itaú Unibanco, IRB, Natura e Odontoprev ao final do pregão.

Também hoje, a B3 deve publicar a terceira e última prévia da carteira teórica que deve valor entre maio e agosto.

Presidente admite que governo enfrenta dificuldades e fala superficialmente do 1º de Maio

O feriado que paralisou muitos dos principais índices globais não chamou tanta a atenção do presidente da República.

Em pronunciamento na TV, Bolsonaro falou de “dificuldades iniciais” enfrentadas pelo seu governo, atribuídas pelo próprio a “posições políticas antagônicas”.

Acima de tudo, o presidente enalteceu a medida provisória da Liberdade Econômica, assinada às vésperas do feriado.

A medida promete uma redução na burocracia para abertura de startups e pequenos negócios.

Ainda assim, Bolsonaro pouco falou de temas correlacionados ao Dia do Trabalhador.

Recentemente, o IBGE expôs que o desemprego voltou a crescer no primeiro trimestre do ano, ficando em 12,7%.

Assim sendo, o presidente da República apenas fez uma menção direta ao 1º de Maio no final de seu discurso.

“O caminho é longo. Sei que, unidos, ultrapassaremos essas dificuldades, que são naturais nas transições de governo, especialmente se as posições políticas forem antagônicas”, disse Bolsonaro em seu pronunciamento.

“O Brasil elegeu a esperança, razão pela qual estarei sempre atento para não decepcioná-los. É o meu compromisso com você nesse Dia do Trabalho”, completou o presidente.

Após “tweets”, Rodrigo Maia afirma não ter interesse em conflitos com Jair Bolsonaro

Apesar de as redes sociais terem sido um forte instrumento para a eleição de Bolsonaro, o meio também provoca ruídos.

Com o intuito de falar a respeito da Venezuela, os presidentes da República e da Câmara protagonizaram um novo pivô.

Jair Bolsonaro se pronunciou a respeito de uma possível intervenção do Brasil no conflito.

Do mesmo modo, Maia “tweetou” um lembrete ao presidente da República sobre o processo legal para uma declaração de guerra.

Após a publicação de seu tuíte, Maia foi contatado pelo senador Flávio Bolsonaro, que esclareceu a postagem do presidente.

De acordo com ele, a fala de Bolsonaro não se refere a qualquer possibilidade de declaração de guerra.

Em seguida, o presidente da Câmara dos Deputados afirmou não ter “nenhum interesse” em entrar em conflito com Jair Bolsonaro.

Maia destaca que para a aprovação da reforma previdenciária, se faz necessária a união.

“Deixo claro que fiz apenas uma ressalva respeitosa. Não tenho nenhum interesse no conflito com o presidente. Precisamos estar juntos pra aprovar a Nova Previdência”, escreveu em sua página pessoal no Twitter.

Sergio Moro defende Coaf no ministério da Justiça e Segurança Pública: “Guedes não quer”

Em conversa com a rádio Jovem Pan, o ministro Sergio Moro falou do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

O ministro espera que o Coaf permaneça no Ministério da Justiça.

“Guedes não quer o Coaf, ele tem uma série de preocupações, tem a reforma da Previdência”, disse Moro.

De acordo com o ministro, “a tendência lá é ele (Coaf) ficar esquecido e na Justiça temos ele como essencial”.

Ainda em conversa com a rádio, Moro também manifestou querer o Congresso como “parceiro” na votação do projeto anticrime.

Embora o ministro queira que o texto seja votado o mais rápido possível, Moro compreende o tempo do Legislativo.

“Temos que respeitar. É um novo Congresso, assim como é um novo governo”, disse.

Governo quer melhorar os negócios no Brasil; no radar, facilitação de portabilidade de crédito

A equipe econômica do governo Bolsonaro deve lançar até 50 ações nos próximos meses, de acordo com O Globo.

Essas medidas têm como finalidade a melhoria no ambiente de negócios brasileiros e afetará, em especial, o setor imobiliário, rural e o de micro e pequenas empresas, inicialmente.

Para esses setores, o acesso ao capital de giro será mais fácil.

Desse modo, esses empreendimentos poderão se proteger de oscilações nos preços da safra bem como a criação de novos produtos.

De acordo com o Valor Econômico, o Ministério da Economia quer também ampliar a concorrência no sistema financeiro.

Apurações do jornal indicam que os representantes recebidos não se restringem a bancos, mas também empresas de tecnologia financeira, fintechs.

Segundo o Valor, uma das ideias é buscar a redução de custos e estimular a portabilidade do crédito.

No geral, essas ações devem complementar a MP da desburocratização, assinada no início desta semana.


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