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Bolsas mundiais reagem ao impacto do coronavírus com novos estímulos de Bancos Centrais

Por Bruna Santos
02 março 2020 - 08:36
1º pregão do ano

As principais Bolsas de Valores mundiais procuram reagir ao impacto do coronavírus em suas respectivas economias. Nas Bolsas asiáticas, por exemplo, março começou com um avanço após o Banco do Japão prometer “ampla liquidez” aos mercados.

Desse modo, Tóquio fechou em alta de 0,95% e Xangai saltou 3%, mesmo após dados muito negativos da Markit. A Markit confirmou que a indústria chinesa despencou no mês de fevereiro, quando a doença se alastrou com intensidade.

Assim também, os índices acionários europeus inauguraram a sessão em alta após o anúncio de que o Eurogrupo fará uma reunião de emergência na quarta-feira desta semana com o propósito de discutir medidas de apoio econômico aos países mais atingidos pelo Covid-19.

Como de praxe, o Banco Central do Brasil divulga nesta manhã (2) a pesquisa Focus.

Os destaques do noticiário corporativo voltam a ser a publicação dos resultados relacionados ao quarto trimestre de 2019. Além disso, atenção para a oferta pública de ações da incorporadora e construtora paulistana You, Inc, na B3.

No âmbito político, o Congresso Nacional retoma suas atividades do recesso de Carnaval com dois temas centrais. A expectativa é que os vetos do presidente Jair Bolsonaro à lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e o novo marco do Saneamento, que está no Senado sejam protagonistas das discussões entre os parlamentares, tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado, a partir de amanhã

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, espera aprovar o novo marco do Saneamento – que já passou pela Câmara – como está. A LDO, por outro lado, é muito mais complexa, uma vez que envolve negociações entre os poderes Legislativo e Executivo; Bolsonaro de não quer que o governo federal abra mão de R$ 30 milhões em emendas parlamentares, portanto, os mesmos exigem uma contrapartida da União.

Confira mais destaques.

Os efeitos do coronavírus no Ibovespa

Após uma semana de baixa, quando o Ibovespa perdeu 8,37% com o avanço do surto do Covid-19, os efeitos do coronavírus devem continuar a repercutir no mercado brasileiro. Recentemente, o Ministério da Saúde confirmou que há um novo brasileiro infectado pelo vírus. Um homem de 32 anos residente em São Paulo chegou de viagem da Itália em 27 de fevereiro.

Além disso, o câmbio segue um dos principais itens no radar. No pregão da última sexta-feira (28), a moeda chegou superou R$ 4,50. O movimento é um dos efeitos do coronavírus. Analistas apontam que as atuações do Banco Central com swaps são para suavizar o movimento e não segurar o câmbio.

Os indicadores econômicos globais ganham novo destaque após uma semana fraca e dominada pelos noticiários acerca do coronavírus. No cenário doméstico, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publica na quarta-feira (4) os dados do desempenho da economia referente ao 4º trimestre e acumulado de 2019.

Há também muita expectativa para dados do relatório de emprego de fevereiro dos Estados Unidos, conhecido como payroll. Esse documento ajuda o mercado financeiro e investidores a calibrarem suas apostas para os próximos passos da política monetária norte-americana.

No quesito de balanços corporativos, os números do quarto trimestre retomam sua força após uma semana de poucos dados. Nesse sentido, não há qualquer sinal dos efeitos do coronavírus, mesmo que a doença possa reverter o ciclo de recordes para frigoríficos brasileiros, portanto, o investidor volta sua atenção para os resultados da MRV (MRVE3) e do Vulcabras Azaleia (VULC3) nesta segunda-feira (2).

Amanhã, destacam-se os números do BRF (BRFS3) e Positivo (POSI3). Na quarta-feira, CSN (CSNA3) e Arezzo (ARZZ3) chamam a atenção; B3 (B3SA3) e Natura (NTCO3) na quinta-feira (5) e, por fim, Hypera (HYPE3) e M Dias Branco (MDIA3) na sexta-feira.

Covid-19: autoridades dos Estados Unidos e Itália reagem ao pânico do mercado

A escalada do Covid-19 provocou pânico no mercado norte-americano. O receio é que a doença consiga causar uma recessão global. Assim, autoridades do governo Trump disseram que houve exagero na reação pública e que as Bolsas de Valores se recuperariam.

De acordo com a Reuters, essas mesmas autoridades defenderam a ação da força subjacente da economia dos Estados Unidos. Na semana passada, o índice S&P 500 tombou 11,5%, à medida que o novo vírus acelerava a nível global. Essa foi a pior queda semanal desde a crise financeira global de 2008.

Para piorar, um homem residente do Estado de Washington foi o primeiro norte-americano a morrer pelo vírus, segundo autoridades. Embora não se saiba ainda como ele contraiu a doença, o Covid-19 já infectou cerca de 70 no país.

Assim também, a Itália procura colocar em prática nos próximos dias medidas no valor de 3,6 bilhões de euros para ajudar a economia a suportar o potente surto de coronavírus da Europa, segundo informou o ministro da Economia, Roberto Gualtieri. Ao jornal La Repubblica, Gualtieri, ele afirmou que isso equivale a 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB).

Essa medida se soma a um pacote de ajuda de 900 milhões de euros anunciado para as áreas mais afetadas. Segundo Gualtieri, o novo projeto incluiria créditos tributários para empresas que reportassem uma queda de 25% nas receitas. Do mesmo modo, reduções de impostos e financiamentos adicionais para o serviço de saúde serão levados em consideração.

Na Itália, mais de 1.100 casos de Covid-19 foram confirmados. Pelo menos 29 pessoas morreram. Essa, inclusive, foi a origem dos dois brasileiros cuja contaminação por coronavírus foram também confirmadas na última semana.

Atividade industrial da China tem pior resultado histórico em fevereiro por coronavírus e mais

Uma contração na atividade industrial chinesa já era esperada, a medida que o surto do coronavírus continua a avançar globalmente. Assim sendo, a epidemia do Covid-19 provocou a mais forte contração na atividade já registrada, conforme mostrou o PMI local.

Diante desse cenário, as fábricas situadas na China sofreram um grande impacto no mês de fevereiro, o que foi mostrado através do Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) do Caixin/Markit

A atividade industrial da China (PMI de indústria) contraiu para 40,3 no mês passado. De acordo com a Reuters, esse é o menor nível alcançado desde que a pesquisa começou em 2004. Em contrapartida, no mês anterior o indicador havia contabilizado 51,1.

Além disso, o número de fevereiro ficou bem abaixo da marca de 50 que separa crescimento de contração. Por outro lado, a contração da indústria da zona do euro perdeu força em fevereiro apesar do surto de coronavírus.

Mesmo o cenário de impacto sobre as cadeias de oferta encoraja o Banco Central Europeu conforme ele estimula o crescimento. Conforme o PMI de indústria do IHS Markit, o Índice de Gerentes de Compras da zona do euro subiu a 49,2 em fevereiro ante 47,9 em janeiro. O resultado superou a preliminar de 49,1, mas também contabilizou a melhor leitura em um ano.

Nos Estados Unidos a publicação mais aguardada é o relatório de emprego (Payroll).

Por aqui, saem indícios dos impactos do cornavírus na economia brasileira, através do relatório Focus do Banco Central (BC). Além das projeções dos economistas, saem os números do PMI manufaturas, da balança comercial e o destaque semanal, o PIB. Projeções compiladas pela Bloomberg, a economia brasileira deve registrar leve alta de 0,6% na comparação trimestral.


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