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Bolsa deve ter ofertas de R$ 30 bilhões no início de 2020; exportação de petróleo e outros

Por Bruna Santos
03 janeiro 2020 - 09:21

As empresas brasileiras devem continuar se financiando na Bolsa de Valores, conforme publicado no jornal O Estado de S. Paulo. Segundo informações da edição da Coluna do Broadcast, o início de 2020 deve ser marcado por um forte movimento de oferta de ações na Bolsa brasileira, podendo totalizar R$ 30 bilhões.

Esse volume deve ser impulsionado por duas grandes ofertas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Além disso, as operações de abertura de capital e emissões de ações de companhias já listadas na B3 podem atingir entre R$ 150 bilhões a R$ 200 bilhões em 2020.

De acordo com o presidente-executivo da B3 (B3SA3), Gilson Finkelsztain, a operadora de infraestrutura de mercado espera progressos este ano sobre as discussões junto ao Ministério da Economia para adoção de um modelo mais simplificado de tributação sobre os ganhos dos investidores com investimentos em renda variável.

Caixa Econômica Federal contabilizou o maior lucro de sua história em 2019, segundo o presidente do banco, Pedro Guimarães. Embora os números ainda não tenham sido fechados, eles devem ser anunciados em fevereiro.

Em relatório, o adido do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) afirmou que o Brasil deverá colher um recorde de 123,5 milhões de toneladas de soja no biênio 2019/20. Não apenas as primeiras colheitas devem estar prontas para exportação neste mês, mas também há expectativas de que o Brasil se torne o maior produtor global de soja no referido biênio, superando os EUA, que viram sua safra contrair cerca de 20% nesta temporada.

No âmbito político, o presidente Jair Bolsonaro avalia como “difícil” implementar o juiz de garantias, medida aprovada pelo Congresso Nacional.

A medida, sancionada por ele, tem sido alvo de críticas de apoiadores do ministro da Justiça, Sergio Moro, que recomendou o veto.

Indicadores econômicos: IPC-S; pedidos de auxílio-desemprego; atividade econômica chilena

Por aqui, a FGV divulga nesta manhã um dos principais indicadores econômicos do dia: o IPC-S de dezembro nas capitais. Nos EUA, o investidor vai acompanhar a ata da última reunião do Fomc (Comitê de Mercado Aberto), celebrada em dezembro.Além disso, o Departamento de Comércio do governo americano divulga os gastos em construção e o índice PMI, de compras da indústria e comércio.

Ontem, o Departamento de Trabalho dos Estados Unidos revelou que os pedidos iniciais de auxílio-desemprego caíram em 2 mil, para 222 mil em dado ajustado sazonalmente na semana encerrada em 28 de dezembro.  A projeção de economistas consultados pela Reuters era de 225 mil novos pedidos. O recuo é percebido como um sinal positivo para o mercado de trabalho norte-americano.

No Chile, após o governo anunciar que deve emitir US$ 8,7 bilhões em títulos de dívida em 2020, o Banco Central local informou que a atividade econômica chilena contraiu 3,3% no mês de novembro, puxada pelo declínio na atividade mineradora, oriundo do impacto de quase dois meses de protestos começando a ser sentido no principal produtor de cobre do mundo. O índice de atividade econômica IMACEC abrange cerca de 90% da economia que o Produto Interno Bruto cobre.

Brasil bate recorde em exportação de petróleo no mês de dezembro e avança 9% em 2019

O Brasil bateu novo recorde em exportação de petróleo após registrar mais que o dobro contabilizado no mês anterior. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o país exportou 8,72 milhões de toneladas em dezembro.

Em contrapartida, foram 4,22 milhões na comparação anual do mês com 2018 e outros 3,77 milhões de toneladas em novembro. Anteriormente, o recorde mensal em exportação de petróleo foi registrado em 07/2018, quando o Brasil exportou 8,098 milhões de toneladas.

No acumulado de 2018, a exportação da commoditie pelo Brasil bateu a marca de 64,6 milhões de toneladas, frente a 59,2 milhões contabilizados em 2018. Os números representam um avanço anual de 9%, conforme publicado pela Secex. Agora, analistas assim como o governo federal especulam que as vendas externas permanecerão em crescimento nos próximos meses e anos.

Há chances, inclusive, de que o Brasil se torne um dos cinco maiores produtores globais de petróleo, diante de um avanço expressivo percebido na produção nos campos do pré-sal, afinal, “conforme avança a produção do pré-sal… e como o nosso refino está estável, a tendência é que a gente vá sequencialmente agora, mês após mês, batendo recorde de exportação”, afirmou o chefe da área de óleo e gás da consultoria INTL FCStone, Thadeu Silva.

O especialista prevê uma adição de produção de, aproximadamente, 200 mil barris de petróleo por dia (bpd) até 06/2020. Além disso, para os próximos anos, pontuou Silva, outros grandes projetos deverão entrar em operação, inclusive liderados por empresas estrangeiras. “Nos próximos três anos vamos nos acostumar a ver recordes de exportação de petróleo”, ressaltou ele. Por fim, o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) destacou à Reuters que o aumento da produção do petróleo pode ser atribuído às medidas adotadas para assegurar a retomada do setor.

Balança comercial encerra 2019 com superávit de US$ 46 bilhões; pior desempenho em 4 anos

Após registrar o pior desempenho desde 2005 em termos de balança comercial, o Brasil inaugura 2020 sob certa pressão. De acordo com o Ministério da Economia, o saldo das trocas comerciais contabilizou superávit de US$ 46,674 bilhões em 2019, montante que equivale a um recuo de 20,5% pela média diária sobre 2018, quando a balança comercial do Brasil registrou superávit de US$ 19,5 bilhões.

2019 foi um ano marcado pelo arrefecimento no comércio global culminado, por exemplo, pelas tensões sino americanas, crise na Argentina, assim como o menor crescimento doméstico que o previsto e a expectativa do governo é de nova redução em 2020. Embora a estimativa para 2020 seja divulgada apenas em abril, o secretário de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Lucas Ferraz, disse que, diante da continuidade de incertezas no front externo e da perspectiva de melhoria na economia local, o saldo da balança comercial deve piorar.

Assim sendo, Ferraz especula que o crescimento doméstico tenderá a impulsionar importações em proporção maior que exportações. Esse movimento pode pressionar o saldo da balança comercial este ano, afirmou ele, em coletiva de imprensa.

Economistas acreditam que o superávit da balança comercial cairá a US$ 39,40 bilhões em 2020, conforme boletim Focus mais recente. Em contrapartida, o Banco Central calculou saldo positivo ainda mais enxuto que o destacado acima, de apenas US$ 32 bilhões. Ao final do ano passado, o governo corrigiu para cima o registro das exportações de setembro a novembro. Foi corrigido uma subnotificação de US$ 6,488 bilhões que contribuiu na piora do resultado da balança comercial brasileira divulgado originalmente.

Mesmo assim, as exportações no ano contraíram 7,5% pela média diária frente a 2018, a US$ 224,018 bilhões. Por outro lado, as importações recuaram de forma mais singela, apenas 3,3% na mesma base de comparação (US$ 177,344 bilhões).

Bolsonaro indica sanção a fundo eleitoral de R$ 2 bilhões; “é lei”

O presidente Jair Bolsonaro reforçou a sua tendência de sancionar uma proposta aprovada pelo Congresso que estabeleceu um valor de R$ 2 bilhões para o fundo eleitoral de 2020. Primeiramente, Bolsonaro havia dado indícios de que vetaria o fundo eleitoral para 2020, aprovado por senadores e deputados,

“A minha opinião é que não tem que ter dinheiro para fundo eleitoral para ninguém“, havia dito ele anteriormente. Em meados de dezembro, contudo, ele esclareceu que sancionar a medida prevista no Orçamento é “lei”, então, deve cumpri-la.

Ontem ele voltou a reforçar seu posicionamento em frente ao Palácio da Alvorada. Bolsonaro destacou que o fundo eleitoral é previsto em lei, mas também que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) enviou ofício à Receita Federal com a estimativa do valor a ser repassado este ano, de R$ 2 bilhões.

Sem querer afirmar com todas as letras o seu próximo passo, o presidente destacou que a sanção é “uma obediência à lei”. “A conclusão agora é de vocês”, disse. Ele ressaltou, inclusive, estar em curso do crime de responsabilidade caso haja um veto.

Bolsonaro aproveitou a breve entrevista para salientar a publicação recente da medida provisória que fixou o valor do novo salário mínimo para 2020 em R$ 1.039. Nesse sentido, destacou, o valor do ano ficou acima do que caso a política de reajuste do mínimo da época dos governos petistas ainda vigorasse.


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