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Boletim Focus; demissão presidencial no BNDES; menos impostos para produtos de tecnologia e mais

Por Pablo Vinicius Souza
17 junho 2019 - 10:10

Internamente, o mercado pode repercutir o pedido de demissão do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Joaquim Levy, após ter sua cabeça “colocada a prêmio” publicamente pelo presidente da República, Jair Bolsonaro.

Parte do governo avalia a situação como uma “crise desnecessária”, gerando preocupações ao setor industrial e críticas do mercado financeiro.

No âmbito da reforma da Previdência, a equipe econômica tentará realizar alguns ajustes ao texto junto ao relator da proposta.

No exterior, a semana é marcada pela reunião de política monetária do Federal Reserve, mas tem como destaque nesta segunda-feira (17) a fala do secretário do comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, que freou as expectativas quanto ao acerto entre Washington e Pequim.

“Acho que o máximo que sairá do G-20 talvez seja um acordo para retomar ativamente as negociações”, disse ao Wall Street Journal.

À emissora CNBC, Ross sinalizou que Trump pode tarifar os US$ 300 bilhões em produtos chineses, prometidos pela Casa Branca.

De acordo com o secretário, a condição para que isso não aconteça é uma resolução comercial entre ambas nações.

“Iremos eventualmente fechar um acordo, mas se não fecharmos, o presidente está perfeitamente feliz em continuar com os movimentos de tarifas que já anunciamos, assim como impor as novas que foram temporariamente suspensas”, disse Ross.

Indicadores econômicos: Boletim Focus; IPC-S; atividade industrial Empire State e mais

O andamento do comércio continuará em foco, sobretudo, enquanto as audiências do Congresso sobre as tarifas comerciais começarem nesta segunda-feira.

Destaque para o tradicional boletim Focus, pelo Banco Central em nossa agenda doméstica.

O documento apresentará projeções atualizadas do mercado para inflação, juros e PIB.

Também pela manhã, a FGV publica o IPC-S. Mais tarde, o Ministério da Economia publica dados da balança comercial semanal.

De acordo com o Valor Econômico, o subsecretario de Política Econômica do Ministério da Economia, Vladimir Teles, sinalizou que o “risco de recessão técnica é praticamente zero”.

Lá fora, o dia tem como destaque a publicação do índice de atividade industrial Empire State de junho, nos EUA.

Mais tarde, o índice de confiança das construtoras, também relacionado a junho será conhecido.

Com a proximidade da conferência de comércio do G20 neste mês, a crise entre Washington e Pequim é intensificada.

Em contrapartida, o Ministério de Finanças chinês publicou nesta segunda-feira (17) a emissão de bônus por parte dos governos locais.

O montante, referente a maio, está avaliado em 304,3 bilhões de yuans (US$ 44 bilhões), ao passo que 146,4 bilhões de yuans foram emitidos com propósitos específicos.

De acordo com o órgão chinês, o valor contemplará projetos de infraestrutura, a fim de impulsionar o avanço dos investimentos.

Além disso, a China ainda publicará o índice de preços de moradias ainda hoje.

Enquanto o panorama internacional começa a semana sem grandes novidades, as atenções ficam voltadas para o já tão aguardado encontro dos EUA e China no fim do mês, além do monitoramento dos próximos passos do Fed. Como há reunião do banco central norte-americano na semana, os investidores ficam ávidos por sinais de que um novo corte de juros virá logo. Mas qualquer decepção quanto aos comunicados, pode fazer com que o nível de aversão ao risco, aumente.

Aqui, mais uma baixa no governo. Dessa vez, de Joaquim Levy e como se soma a mais outras tivemos. A falta de foco do governo em meios a suas crises internas e em especial agora, com o pedido de demissão de um membro da equipe econômica que até então estava blindada, podem ligar o sinal de alerta. Além disso, o calendário apertado para a votação da reforma, pode deixar o investidor com um pé atrás e começar a recurar após tanta euforia vista.

Por Glenda Ferreira – Especialista em Investimentos na Levante Ideias de Investimentos

Demissão de Levy dificulta ambiente de estabilidade no mercado

Conforme antecipado pelo portal, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) se demitiu no último domingo.

No sábado, Joaquim Levy foi alvo de críticas públicas, proclamadas pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, em razão da nomeação do advogado Marcos Barbosa Pinto, para o cargo de diretor de Mercado de Capitais do banco de fomento.

Barbosa Pinto já havia trabalhado como assessor da instituição durante o governo PT, entre 2005 e 2007.

Para o ministro da Economia, Paulo Guedes, é natural que o presidente se sinta “agredido” com “nomes ligados ao PT”.

Em nota, Levy desejou a Guedes “sucesso nas reformas” e espera que o ministro da Economia aceite sua demissão.

O comunicado intensificou o clima de instabilidade, gerado pela onda de demissões no alto escalão do governo de Bolsonaro.

A forma como Bolsonaro conduziu a demissão de Levy, contudo, foi recebida por críticas entre pesos pesados do mercado financeiro.

De acordo com o Estadão/Broadcast, o temor é que a visão do investidor estrangeiro sobre o Brasil seja afetada. Além de classificar a posição do presidente como algo desnecessário, pode também dificultar a atração de bons nomes para o governo.

Ao G1, Guedes lembrou da promessa de campanha de Bolsonaro: “abrir a caixa-preta” do BNDES, o que ainda não aconteceu.

Assim sendo, não é de hoje que o governo e a equipe econômica estão insatisfeitos com o desempenho do BNDES.

Ainda segundo o Estadão/Broadcast, executivos do mercado financeiro chamam atenção para o impacto que pode ser sentido no andamento da agenda de recuperação da economia brasileira.

Com isso, a Folha destaca que Bolsonaro intensifica “fritura” de aliados às vésperas da ida de Moro ao Senado para explicar os vazamentos de conversas com membros da força-tarefa da Lava-Jato.

Para estimular competitividade, governo pode reduzir imposto para produtos de tecnologia

“Para estimular a competitividade e inovação tecnológica, o governo estuda, via secretaria do Ministério da Economia, a possibilidade de reduzir de 16% para 4% os impostos sobre importação de produtos de tecnologia da informação, como computadores e celulares”, escreveu o presidente da República no domingo (16), em sua página pessoal no Twitter.

Essa possibilidade já havia sido antecipada na semana passada pelo secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, Marcos Troyjo.

Troyjo afirmou que a medida tem como finalidade aumentar a competitividade, bem como a produtividade das empresas que fazem uso desses equipamentos em suas atividades.

Uma vez que as tecnologias da informação são usadas atualmente em praticamente todos os setores da economia, os efeitos da medida seriam “exponenciais”.

“Tecnologias da informação são insumo. (O efeito) É exponencial. Quando você dá um choque não apenas de qualidade e preço, mas também mexe no acesso àquilo de mais avançado que está acontecendo, automaticamente multiplica por várias vezes sua produtividade interna”, afirmou o secretário na última quarta-feira (12).

Equipe econômica quer ajustar relatório da reforma da Previdência

O ministro da Economia, Paulo Guedes e sua equipe vão tentar negociar algumas mudanças no relatório da reforma da Previdência.

Tanto o deputado e relator da proposta, Samuel Moreira (PSDB-SP) quanto o secretário Especial de Previdência, Rogerio Marinho, já conversaram.

Embora o encontro tenha sido informal, Moreira sinalizou ao Estado que está aberto ao diálogo, indicando que o relatório está sujeito a mudanças. “Não é um decreto”, disse ele.

“Vou para o diálogo novamente”, completou.

Moreira e sua equipe devem se encontrar nesta segunda-feira (17). Anteriormente, Marinho se reuniu com técnicos para uma análise dos pontos que poderão sofrer ajustes, segundo o Estado.

No sábado, Bolsonaro disse, ao ser questionado sobre a reforma da Previdência, que “a bola está com o parlamento”.

“Se perder no voto, paciência. Vamos respeitar, disse ele.

De acordo com o Valor Econômico, o relatório apresentado pelo relator Samuel Moreira intensifica a carga tributária que atinge diretamente a B3, colocando a alíquota da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) em 20% sobre Bolsas de valores, mercadorias e futuros.

Embora a proposta imponha a mesma alíquota de bancos, a elevação da carga tributária para as Bolsas é ainda maior.

Na legislação atual, definida pela lei 7989/1988, essas entidades possuem alíquota de 9%.

Na última sessão, as ações da B3 caíram 5,3%, mas podem reagir com a sinalização de que o ministério da Economia planeja novos reajustes ao texto.


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