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BC reduz projeção de PIB; Guedes ameaça deixar cargo; rusgas no governo afetam reforma e mais

Por Pablo Vinicius Souza
28 março 2019 - 10:13

Redução na projeção do PIB, tensão política e alta do dólar aumentam pessimismo do mercado.

O clima penalizou os preços dos principais ativos brasileiros na sessão de ontem.

Esse intenso nervosismo derrubou ainda o Ibovespa em 3,57%, bem como ergueu o dólar comercial em 2,2% ante o real.

Ao final da sessão da última quarta-feira (27), o dólar estava valendo R$ 3,95.

Este é o maior valor alcançado desde 1º de outubro do ano passado.

Em apenas uma semana, o Ibovespa perdeu 8 mil pontos, totalizando 91.903.

O andamento da reforma já não ganha destaque na atenção do investidor, mas sim o conflito entre Executivo e Legislativo.

A ameaça de Paulo Guedes de deixar o cargo se não tiver apoio político ajuda a manter a tensão.

Índices acionários globais reagem ao Treasuries, Brexit e negociação entre EUA e China

O juro da T-note de 10 anos bateu seu menor patamar em mais de um ano, derrubando as bolsas asiáticas.

Muita atenção é dada aos juros dos Treasuries desde a última sexta-feira (22).

O retorno da T-note de 10 anos rendeu menos que a T-bill de 3 meses. Isso não acontecia desde 2007.

O fenômeno de inversão da curva de juros é popularmente conhecido como sinal de maior probabilidade de recessão nos EUA.

A expectativa quanto a nova rodada de negociações comerciais entre EUA e China também contribuiu para a sessão em baixa.

Os índices futuros norte-americanos, por sua vez, apontam para uma abertura estável. Na Europa, as bolsas sobem.

Contrapondo ao cenário, a bolsa australiana subiu, de acordo com a Dow Jones Newswires.

Em commodities, o minério de ferro cai, ao passo que o petróleo mantém os US$ 59.

Tic tac

O cenário internacional não está nada animador e segue no vermelho. Agora, ao que parece, o encontro entre Trump e Xi Jinping ficará apenas para junho – que parece tão distante quanto o Natal para trazer como presente um acordo entre os dois países.

A curva de juros dos EUA, também está antecipando uma recessão econômica, com os títulos sendo negociados em níveis baixos. E não é só por lá, o bônus dos títulos alemães, japoneses e até australianos seguem caindo apontando o fraquíssimo crescimento dos países. Mas hoje é dia de conhecer o PIB do quarto trimestre do EUA e de agenda cheia que pode movimentar e dar fôlego aos mercados.

Uma troca de farpas sem fim, é isso o que está acontecendo entre o governo e o Planalto. Enquanto, as discussões não tem fim, os investidores colocam um pé para trás e os brasileiros ficam sem soluções práticas. Até o superministro da Economia (e queridinho do mercado), Paulo Guedes, ameaçou sair da equipe caso não haja a aprovação da reforma. E de nada ajuda a fala de que a bola está com o Congresso – as articulações políticas estão aí para serem feitas. Com o relógio ticando sem parar, cada minuto é menos tempo para a aprovação da reforma e mais tempo sem vermos o governo agir.

Glenda Ferreira – Especialista em Investimentos na Levante Ideias de Investimentos

Para que Brexit seja aprovado, a primeira-ministra britânica, Theresa May renunciará

Como moeda de troca, May planeja reivindicar seu cargo no partido quando o Brexit for concluído.

“Sei que há o desejo por uma nova liderança na segunda fase do Brexit e não serei um obstáculo para isso”, disse May na reunião.

Embora não haja uma data cravada para sua renúncia, especula-se que ocorra em breve.

O único obstáculo parece ser a aprovação do acordo para a saída do Reino Unido da União Europeia no Parlamento.

Após novas rejeições ao Brexit por parte do Parlamento, a libra recua no mercado de câmbio.

E-book: Guia completo e definitivo da Previdência Privada

A fim de minimizar rusgas no governo, Mourão volta a se posicionar em favor de Rodrigo Maia

Para o vice-presidente da República, os desafetos entre Rodrigo Maia e Jair Bolsonaro não passam de “ruído”.

“Ruídos ocorrem. Estamos em um mundo onde a comunicação se faz de forma instantânea e a transparência é muito maior que em outros períodos”, avaliou Hamilton Mourão, mas ponderou também que as coisas serão “acertadas”.

Mourão já havia dito antes, mas reafirmou a importância de Maia e o classificou como:

“Imprescindível no processo que estamos vivendo no Brasil pelo papel que ele tem dentro da Câmara dos Deputados”.

Presidente da Câmara estende a cortesia e quer trocar “convocação” por “convite” a Moro

Depois de se desentenderem quanto ao pacote anticrime, as coisas parecem estar se acertando entre Maia e Moro.

Além de recolocar a medida na pauta da Câmara, Rodrigo Maia quer transformar uma convocação em convite a Moro.

Uma vez que o ministro da Justiça tem comparecido aos debates, o presidente da Câmara acha a medida impositiva desnecessária.

“Então, se ele tem vindo por que vamos convocar? Principalmente em uma comissão que não é ligado a ele”, disse.

O posicionamento revela uma preocupação com a relação de comunicação estremecida anteriormente.

“Temos de tomar um certo cuidado para não errar nessa relação. Não me parece o caminho adequado”, completou.

Guedes ameaça deixar governo e diz que articulação com Congresso tem “falha dramática”

Na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, o ministro da Economia chamou a atenção ao colocar as cartas na mesa.

Paulo Guedes afirmou que deixaria o seu cargo caso não encontre apoio para dar continuidade aos projetos da equipe econômica.

“Se o presidente apoiar as coisas que eu acho que podem resolver o Brasil, eu estarei aqui”, afirmou.

Ainda em audiência, Guedes atribuiu ao governo parte da responsabilidade na “falha dramática” em termos de articulação política no Congresso.

O ministro acredita que o problema se encontra na tramitação das matérias, uma vez que o Executivo está trabalhando.

Para ilustrar, Guedes destacou o envio da reforma da Previdência e do pacote anticrime.

Onyx diz que momento é de pacificação, mas que ainda pode haver ‘escorregões’

As falas de Paulo Guedes causaram um impacto negativo no mercado, como quando afirmou não ter apego ao cargo.

Além disso, ontem surgiu uma nova rusga entre o presidente da República e o presidente da Câmara.

Em entrevista a TV Bandeirantes, Jair Bolsonaro negou problemas de relacionamento com o Congresso como um todo.

Maia, no entanto, rebateu o presidente ao dizer que o mesmo está “brincando de presidir o país”.

O ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, por sua vez, tranquilizou a jornalistas quanto a possíveis “deslizes” nos próximos dias.

Ontem, Lorenzoni destacou a busca do governo pela pacificação de suas relações com deputados e senadores.

Ele ponderou, contudo, que há chances de desavenças ao longo do processo de apaziguar a relação entre Executivo e Legislativo.

Manual do Imposto de Renda para Investidores

Saiba quais são os principais compromissos econômicos globais para esta quinta-feira

A agenda econômica externa está tranquila nesta quinta-feira (28), com destaque para o PIB anualizado do 4º nos Estados Unidos.

Na doméstica, o clima é outro.

Em resposta ao forte avanço do dólar, o Banco Central anuncia leilão de linha de US$ 1 bilhão.

Além disso, o Relatório Trimestral de Inflação divulgado pelo BC destacou a redução da previsão de crescimento do PIB brasileiro.

O recuo foi de 2,4% para 2% e, de acordo com o BC, tem relação com a tragédia em Brumadinho.

“Às reduções em prognósticos para a safra agrícola e à moderação no ritmo de recuperação”, completou.

Previsto para esta manhã, o diretor de política econômica, Carlos Viana, comentará o relatório.

Posteriormente, Roberto Campos Neto concederá entrevista coletiva para falar da condução da política monetária.

Na parte da tarde, serão divulgados o resultado primário do governo central referente ao mês de fevereiro.

Leilão de ferrovia Norte-Sul acontece nesta quinta-feira (28), mas pode parar na Justiça

Segundo o Estadão, duas ações tentam impedir o leilão do trecho central de 1,53 mil quilômetros da Ferrovia Norte-Sul.

Marcado para acontecer na tarde de hoje, na B3, o questionamento jurídico das regras pode abafar o clima do certame.

A oferta atraiu apenas duas empresas interessadas e, mesmo que o leilão aconteça, pode ser questionado na Justiça posteriormente.

BTG Pactual fará uma redução singela em sua fatia de participação na Eneva 

O banco de investimentos brasileiro não deixará de ser um sócio relevante da Eneva, mesmo após a oferta secundária ter sido divulgada na última quarta-feira (27) pela companhia.

A apuração foi realizada pelo Valor Econômico, que destacou ainda uma redução na participação do BTG sobre a Eneva.

Atualmente, o banco tem uma participação de 26,8% sobre as ações da empresa.

Com base na oferta anunciada, sua participação deve ser reduzida a, aproximadamente, 23%.

Em busca de ampliação em instalação de fibra óptica, Oi negocia créditos no exterior

A operadora de telefonia Oi quer elevar sua capacidade de instalação de fibra óptica até a residência do cliente.

Para que isso seja possível, a prestadora de serviço de telecomunicação foi em busca de recursos no exterior.

Bancos estrangeiros são os principais alvos da companhia.

Com base em seus recursos atuais, a operadora pode estender essa rede para até 200 mil domicílios por mês.

Se os recursos forem conquistados, essa média pode mais que dobrar e chegar a 550 mil.

Apenas seis meses após assumir a presidência, Ana Recart renuncia ao cargo na Gafisa

A executiva foi recomendada ao cargo pelo então maior acionista da Gafisa, o GWI Group.

Ana Recart renunciou ao cargo às vésperas da divulgação dos resultados do 4º trimestre do ano passado.

Sua saída marca o desfecho de um dos capítulos da crise da incorporadora, duas semanas antes da assembleia geral extraordinária.

O compromisso foi marcado para eleição de um novo conselho de administração.


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