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BB mira melhora da margem e venda de ativos para elevar retorno

Por TradersClub
14 fevereiro 2020 - 12:31
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Depois de registrar em 2019 o maior lucro de sua história, o Banco do Brasil espera aumentar os ganhos neste ano e ampliar seu retorno sobre o patrimônio para mais de 18%, aproximando-se da média dos bancos privados, com uma combinação de melhora de eficiência, das margens financeiras e vendas de ativos, segundo indicou hoje o presidente da instituição, Rubem Novaes, que alertou para o destino inevitável do banco estatal de caminhar para a privatização nos próximos anos.

O BB superou as projeções de desempenho da maioria dos analistas, que citam o banco estatal como um dos mais atrativos entre as grandes instituições de varejo. As projeções para este ano, de crescimento da carteira de crédito e da margem financeira, porém, parecem modestas se comparadas aos seus concorrentes Itaú e Bradesco, como observa Guillermo Parra-Bernal, editor-chefe da TC Mover. Em compensação, o banco prepara um ambicioso programa de venda de participações que tende a engordar o lucro deste ano, e que deverá ser reinvestido em melhoras operacionais, uma vez que o volume de distribuição de lucro aos acionistas, o chamado payout, foi mantido, observa Parra-Bernal.

A expectativa de Novaes de um retorno sobre o patrimônio superior a 18% anualizados, acima dos 17,3% de 2019, leva em conta o ponto médio do guidance de lucro para este ano, de R$19,5 bilhões. O banco espera ampliar a melhora da margem financeira, que voltou a crescer depois de dois anos de retração, com a continuidade da mudança do mix de crédito, com mais operações com pessoas físicas e pequenas e médias empresas, que têm spreads maiores, e pelo menor custo de captação, explica o vice-presidente Carlos Hamilton.

Novaes diz que o banco seguirá com a estratégia de se desfazer de participações que não agreguem valor à sua operação. Na área de cartões, o BB contratou uma consultoria para reexaminar os negócios em conjunto com Bradesco na Cielo. Novaes nega que o BB tenha decidido vender sua participação na Cielo e qualquer decisão será negociada com o sócio Bradesco. Mas admitiu que “dependendo do preço, qualquer venda seria possível”.

Com relação à negociação de sociedade para a área de gestão de recursos da BB DTVM, Novaes disse que o processo avançou e se aproxima de fase de entrega de propostas. Segundo ele, o modelo deve seguir o da parceria com o UBS, com a criação de uma empresa em que o novo sócio terá 50% mais 1% do negócio. Mas, diferentemente do UBS, que não envolveu recursos financeiros, a parceria da gestora deverá render “bilhões” para o banco, pois ele transferirá parte de seus recursos sob gestão na BB DTVM para a nova empresa.

A venda do BB Americas, por sua vez, atrasou devido a entrada de novos interessados, explicou Novaes, mas também deve ser fechada até junho, espera. Já com relação à venda do argentino Banco da Patagônia, o BB quer esperar até a situação na Argentina ficar mais clara, diz.

Novaes voltou a defender a privatização do banco, mas destacou que há uma questão política maior a ser considerada. Ele sugeriu que o processo de privatização poderia ser gradual, mas que deveria começar logo, pois o banco terá de encarar nos próximos anos a concorrência das fintechs e mudanças da indústria que exigirão uma agilidade e eficiência que a condição de banco estatal limita. O presidente do BB defende a venda de uma parte do capital do banco, tornando seu controle pulverizado, o que depende, porém, de autorização do Banco Central.


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