Economia

Aversão ao risco derruba emissão de debêntures incentivadas em 40%

Por Bruna Santos
27 maio 2020 - 08:15 | Atualizado em 27 maio 2020 - 11:58

O cenário de forte aversão ao risco dos investidores devido às incertezas econômicas, na esteira da pandemia do coronavírus, derrubou as emissões de debêntures incentivadas.

De acordo com a última edição do boletim da Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia, essas operações recuaram 40% até abril.

Conforme o comparativo realizado pela entidade, as operações sobre debêntures incentivadas somaram R$ 3,840 bilhões de janeiro e abril deste ano, contra R$ 6,4 bilhões apurados na mesma base de comparação do ano anterior.

Vale ressaltar que a pandemia conduziu o clima econômico brasileiro mensurado pelo mercado financeiro ao pior patamar dos últimos quatro anos.

Dados da Sondagem Econômica da América Latina, publicado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) em parceria com o instituto alemão Ifo, mostraram que o clima econômico do Brasil passou de -23,2 pontos para -60,9 pontos nos quatro primeiros meses de 2020. Esse é o pior resultado desde abril de 2016 (-63,1 pontos).

Na avaliação do coordenador geral de Reformas Microeconômicas da SPE, César Frade, uma maior aversão ao risco aumenta a exigência do investidor sobre as operações. Segundo ele, as empresas se retraíram por causa das taxas mais altas, especialmente entre março e abril devido aos efeitos da Covid-19 na economia.

Em meio a esse cenário adverso, a expectativa de que as emissões incentivadas de infraestrutura superassem os R$ 33,7 bilhões de 2019 foi abandonada. Para o coordenador, “vamos passar alguns meses sem emissões” até que o mercado se normalize e as empresas voltem a emitir debêntures.

Entre janeiro e abril, a remuneração foi de IPCA +5,5% a.a., superando a média da remuneração verificada no mesmo período de 2019 (IPCA +4,7% a.a.).

Debêntures tradicionais x incentivadas

Mesmo assim, as debêntures incentivadas continuam apresentando liquidez no mercado secundário superior ao das debêntures tradicionais, conforme apontou o boletim da SPE.

Para se ter uma ideia, as debêntures não incentivadas apresentaram giro de 5,9% no mês de abril, contra giro de 7,1% do estoque das incentivadas. As emissões desses papéis, isentos de IR, foram criadas para financiar projetos de infraestrutura.

Por fim, o boletim mostra que a demanda por fundos de infraestrutura vem decrescendo fortemente no ano. Em dezembro de 2019, por exemplo, havia 179.228 cotistas que caiu para 131,302 investidores em abril, isto é, um recuo de 47.926 cotistas.


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