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Atraso tecnológico do Brasil ocorre por falta de investimentos em pesquisa e desenvolvimento

Por Eloiza Amaral
25 junho 2019 - 13:52
Abertura desta quinta-feira

Por falta de investimentos em pesquisa em desenvolvimento, o Brasil ainda pode se considerar bem distante da fronteira tecnológica. Isso pode ser constatado, principalmente, quando falamos de investimentos em softwares, setor que lidera o avanço tecnológico mundial, apontou o jornal Valor Econômico desta terça feira (25).

O parâmetro utilizado para definir ‘’fronteira’’ tem como base comparativa os investimentos feitos em pesquisa e desenvolvimento pelos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), responsáveis por 80% dos gastos com P&D.

Atualmente no Brasil, os segmentos que mais investem em P&D são o de fabricação de aviões e farmacêuticos, os mesmos da OCDE. No entanto, o que nos diferencia deles é a magnitude e origem dos investimentos.

Por exemplo, enquanto aqui 60% destes gastos vem do Estado (através de universidades públicas, autarquias e institutos de pesquisa), no grupo da OCDE 75% dos investimentos vêm do setor privado.

Pesquisadores acreditam que a diferença brutal de investimentos no setor de softwares explica boa parte do atraso tecnológico do Brasil, uma vez que na OCDE o setor aplica o equivalente a 29% do PIB do setor em P&D, enquanto aqui o gasto não passa de 4,5%.

“Esse é o segmento em que o país deveria estar caminhando mais. Ali está o núcleo da transformação tecnológica do mundo e da quarta revolução industrial”, disse ao Valor o pesquisador Paulo Morceiro, do Núcleo de Economia Regional e Urbana da Universidade de São Paulo (USP).

Outros comparativos ainda podem ser feitos: no segmento de equipamentos de informática, eletrônicos e óticos, os países da OCDE investem em P&D o equivalente a 24% da produção desse setor, já no Brasil essa parcela é de apenas 10%. Na indústria farmacêutica, o desembolso médio da OCDE é de até 28% e aqui de 5%.

Para a indústria de produção de aviões e naval, a OCDE investe em média 20%, enquanto no Brasil a porcentagem é de 10,7%.


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