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Ativos de risco disparam com trégua comercial EUA-China; investidor deve repensar apostas de juros

Por TradersClub
01 julho 2019 - 08:50
Mercados ensaiam rali após China anunciar remoção de sobretaxas com os EUA

As bolsas e o petróleo avançavam na manhã desta segunda-feira, depois de que os presidentes dos Estados Unidos e da China acertaram uma trégua na guerra comercial e concordaram em retomar as negociações para um acordo – dando um gás extra ao apetite pelos ativos de risco. A trégua pode gerar uma reavaliação das apostas do investidor global quanto à iminência de cortes de juros nos EUA, disseram gestores e contribuidores TC.

Os futuros dos principais índices referência dos EUA subiam mais de 1% no pregão europeu, com especial destaque para o contrato para o Nasdaq Composite, após o presidente americano Donald Trump concordar em aliviar as restrições à chinesa Huawei como parte da trégua com seu colega chinês Xi Jinping. As ações de tecnologia lideravam a alta no Stoxx600, enquanto as ações de petrolíferas ensaiavam um rali após a disparada do petróleo na esteira do acordo entre grandes produtores da commodity para estender os cortes na produção. O mercado de Hong Kong se manteve fechado em meio a novos protestos na cidade, enquanto Xangai e Tóquio lideraram os ganhos na Ásia.

Alívio

A ansiedade por acordos durante o G-20 no Japão valeu a pena. A União Europeia e o Mercosul fecharam um acordo histórico de livre-comércio e Trump e Xi Jinping fizeram as pazes. Ao menos por enquanto, as duas maiores potências econômicas não estão em pé de guerra, a sobretaxação de 25 por cento sobre produtos chineses não entrará em vigor, mas o que já está em vigência, ainda não será alterado. Outro ponto discutido, foi a possibilidade de volta de negócios entre empresas americanas com a Huawei – uma boa surpresa. Ou seja, quando Trump está na mesa de negociação há temor (não podemos esquecer das eleições no próximo ano), mas ainda assim, tudo é negociável.

Por aqui, estamos aliviados com o cenário internacional e de olho no aumento das exportações em até 100 bilhões de dólares na próxima década e meia para a Europa e impactos para empresas e o PIB. Ademais, hoje chegamos a seis meses de governo Bolsonaro e um balanço das realizações e polêmicas, é inevitável. Por isso, uma das mais importantes realizações do governo que é a aprovação da reforma da Previdência, é o foco. A leitura do parecer sobre as novas regras para aposentadoria é esperada para amanhã e a votação já para o dia seguinte. Os esforços estão a todo vapor, e se passar antes do recesso, teremos comemoração e avanço da credibilidade do comando do país.

Por Glenda Ferreira – Especialista em Investimentos na Levante Ideias de Investimentos

Limitando o rali, indicadores globais mostraram que a manufatura nos maiores países do planeta teve desempenho fraco no final do segundo trimestre, refletindo, em grande parte, os efeitos da guerra comercial EUA-China. Tanto na Ásia quanto na Europa houve um encolhimento da atividade industrial, com as vendas, as exportações e a produção caindo na China. Apesar da menor aversão ao risco, os preços dos Treasuries recuaram, em parte por conta da trégua comercial. Os dados dos chamados PMIs de manufatura dos EUA serão divulgados mais tarde.

BOLSAS:

Os futuros do índice S&P500 e Dow Jones Industrials subiam 1,1% e 1,02% cedo, e apontavam para uma abertura na máxima histórica; as variações eram as mais fortes para os dois indicadores em mais de dez dias. O índice Stoxx600 tocava sua maior nível em quase dois meses, após subir 0,84% por volta do mesmo horário, graças à alta nas ações de energia e de tecnologia. O ETF iShares MSCI Emerging Markets dispara 1,3%, enquanto o fundo de índice da MSCI para o Brasil, o iShares MSCOI Brazil, conhecido como EWZ, despencava 1,6$ – quiçá precificando mais uma demora na tramitação da Reforma da Previdência.

MOEDAS E JUROS

O índice DXY subiu 0,4%, tocando o maior patamar em mais de uma semana, mas traders esperam que o dólar comece a recuar em breve graças à trégua comercial. O ouro teve sua pior queda diária em mais de três meses, tombo do 1,4% para US$1.390,09, após o acordo EUA-China tirar a pressão de demanda por ativos mais seguros. O euro caiu 0,4%, a libra esterlina afundou 0,5% e o iene japonês cedeu 0,4%, patamar o mais fraco em pouco menos de duas semanas. O rendimento dos Treasuries de dez anos avançava 1 ponto-base para 2,02%, com o menor apetite por ativos de menor risco.

COMMODITIES

O petróleo Brent para entrega em setembro disparava 2,5% para US$66,40 o barril, maior patamar em pouco mais de um mês. Já o futuro do petróleo WTI retornava aos US$60 o barril, o maior em quase seis semanas, após os países membros da Opep mais Rússia, acertaram a extensão dos cortes de oferta por mais um período. No caso do minério de ferro, o futuro do mineral na bolsa de Dalian, na China, disparou para um novo recorde, 873 iuanes a tonelada, com analistas esperando que a produção australiana do mineral tenha seu primero recuo anual em 18 anos. O cobre, um indicador da dinâmica econômica global, subia 0,40%, com a trégua EUA-China ofuscando os temores com a atividade manufatureira fraca na Ásia e na Europa.


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