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Ata do Copom vê economia estagnada no segundo trimestre, deixando em aberto corte de juro

Por TradersClub
25 junho 2019 - 10:09
calendário de indicadores econômicos, copom; autonomia do banco central

O comitê de política monetária do Banco Central acha que a economia brasileira deve mostrar estagnação no atual trimestre, em mais um sinal de que há espaço para uma flexibilização da taxa básica de juros se a atividade enfraquecer ainda mais e a inflação se manter ancorada ao redor da meta oficial.

Na ata da decisão de juros da semana passada do Copom, como o comitê é conhecido, o colegiado disse que “julga importante observar o comportamento da economia brasileira ao longo do tempo, com redução do grau de incerteza a que continua exposta”, citando como destaque a série de reformas em discussão no Congresso para sanear as finanças públicas. A incerteza com o rumo dessas reformas tem um impacto contracionista na economia do país, disse a ata, e uma eventual frustração – ou seja, a não aprovação das reformas – pode levar a inflação e prêmios de risco maiores.

Com a ata, o que fica claro para alguns economistas é que o BC passou a considerar a possibilidade de uma nova recessão na economia brasileira. O PIB registrou queda de 0,2% primeiro trimestre na base sequencial – indicando atividade industrial e agrícola abaixo do potencial, assim como um mercado de trabalho em recuperação ainda muito lenta. Dois trimestres seguidos de recuo no PIB são geralmente avaliados como recessão técnica.

O investidor aposta amplamente na redução da taxa Selic antes do final do ano, da mínima histórica de 6,50% para os 6,00% ao longo do terceiro e quarto trimestres. Segundo o comitê, as condicionalidades que prescreveriam política monetária estimulativa depende das expectativas de inflação, da capacidade ociosa na economia, do balanço de riscos e das projeções de inflação. Em especial, a provisão de estímulo monetário requer ambiente com expectativas de inflação ancoradas, disse o documento.

Na semana passada, o Copom manteve a Selic inalterada em 6,50% pela décima reunião consecutiva. O contrato de juros futuros para janeiro próximo fechou ontem a 5,96%, recuo de 2 pontos-base, enquanto o DI com vencimento em janeiro de 2021 teve leve correção para cima, de 1 ponto-base, para 5,87%.


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