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Ata do Copom sinaliza mais cortes na Selic, mas juro se resiste a fechar mais

Por TradersClub
24 setembro 2019 - 11:14
atividade econômica (prévia do PIB); Banco Central
Foto: Arquivo Istoé

O Banco Central vê a consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva, abrindo espaço para novo corte na taxa básica de juros Selic, atualmente em 5,5% ao ano, com a retomada econômica ainda a passos lentos, a inflação bem-comportada e o impacto positivo do avanço das reformas no Congresso ofuscando os riscos do exterior, disse a ata da mais recente reunião de política monetária do colegiado.

Segundo a ata da reunião dos dias 17 e 18 de setembro do Comitê de Política Monetária do BC, um conjunto de fatores que inclui elevado grau de ociosidade na economia, expectativas de inflação ancoradas, dados de inflação subjacente em níveis confortáveis e projeções para a inflação abaixo da meta para o ano que vem “prescreve política monetária estimulativa”.

No entanto, o comitê conhecido como Copom condicionou as próximas decisões de juros à evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação, nessa ordem. Na ata, reiterou frase do comunicado da decisão de 18 de setembro que dizia que a decisão da semana passada não restringe a próxima – vista como uma clara sinalização de corte da Selic.

O texto veio antes da divulgação dos dados da prévia da inflação oficial para setembro, em linha com o consenso e cujas leituras subjacentes mostraram comportamento aceitável, disseram economistas.

O IPCA-15 mostrou variação mensal de 0,09%, comparado com o consenso de 0,08% colhido pela TC Mover. Na base anual, a inflação foi de 3,22%, comparado com os 3,21% do consenso. A média dos núcleos mostrou uma leve piora, de 0,13% para 0,19% em setembro; no entanto, o índice de difusão, que mede a porcentagem de itens na pesquisa do IPCA que mostraram altas no mês, despencou de 52,05% para 46,85%.

Na ata, os membros do Copom avaliaram que os chamados núcleos estão em níveis confortáveis, reforçando as projeções de inflação que haviam sido divulgadas com a decisão. No cenário com trajetórias para os juros e o câmbio esperadas pelo mercado, as projeções do Copom para a inflação ficaram em 3,3% para 2019 e 3,6% para 2020.  No cenário com Selic constante a 6% ao ano e câmbio a R$4,05, a inflação projetada se situa em torno de 3,4% para 2019 e de 3,6% para 2020.

O DI para janeiro próximo recuava pouco menos de um ponto base, mostrando que o mercado se recusa a fechar mais os juros futuros – quiçá uma indicação de que a cautela com o exterior impede maiores quedas nos contratos do DI. Os juros nas pontas média e longa operavam com pouco volume e voláteis por volta das 09h20.

O contrato futuro do Ibovespa avançava 0,27% em meio a um exterior ameno o pregão desta terça-feira, enquanto o dólar futuro ensaiava anular as quedas, e negociava em recuo de 0,06% a R$4,16250.


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