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As principais notícias que já estão movimentando os mercados

Por Pablo Vinicius Souza
09 janeiro 2019 - 10:35
Ibovespa futuro tem leve alta

Os mercados acionários asiáticos avançaram ao final do pregão desta quarta-feira (9), em especial os da China, com seus investidores otimistas quanto ao possível acordo comercial entre Estados Unidos e China. Somado a isso, Pequim tem cercado a desaceleração econômica, se dedicado e encorajado os gastos dos consumidores para reverter este quadro já perceptível, especialmente nos setores de automóveis e de eletrodomésticos.

O grande destaque vai para o Xangai Composto que nesta quarta-feira subiu 0,71%, a 2.544,34 pontos. O bom resultado dos mercados acionários asiáticos se prova quando o resultado menos abrangente foi o de Shenzhen Composto, que avançou 0,54%, a 1.306,95 pontos. Também impulsionados pelo otimismo global, os índices futuros americanos continuam a subir.

Na madrugada desta quarta-feira as equipes da China e dos Estados Unidos encerraram as negociações comerciais em Pequim que, de tão complexas, se estenderam por um dia a mais do que o esperado. Essa demora, contudo, é vista com bons olhos pelos dois lados que atribuem a extensão ao comprometimento e seriedade de ambos. Segundo autoridades, os detalhes desta negociação serão divulgados em breve, deixando a todos com a expectativa de que uma guerra comercial em larga escala pode não acontecer.

Com suas opiniões e manifestações muito frequentes na internet, o presidente Donald Trump tuitou que as discussões “iam muito bem”. Assim como todo o mercado, o presidente dos Estados Unidos pode estar “ansioso” para fechar um acordo comercial com a China. Isso certamente contribuiria para a sustentação dos mercados financeiros que tiveram fortes perdas recentes em meio às tensões comerciais entre Washington e Pequim, de acordo com a Bloomberg, que citou fontes da Casa Branca.

Aqui no Brasil, embora o desempenho dos mercados seja muito positivo, ainda carece do entusiasmo dos estrangeiros que seguem emitindo sinais de cautela tanto na bolsa quanto no câmbio. A expectativa gira em torno da implementação das reformas prometidas pelo governo ao longo de sua campanha, em especial a reforma da Previdência.

Em meio a todas essas novidades, o Banco Mundial declarou suas perspectivas para a economia mundial no relatório “Perspectivas Econômicas Globais” não muito otimistas. De acordo com o Banco, as condições financeiras globais estão piores, as tensões comerciais se intensificaram, a produção industrial perdeu ritmo e alguns países emergentes de grande porte passaram por forte estresse financeiro. Embora nada disso seja novidade para você que acompanha nossas notícias, isso pode indicar um ano ainda incerto.

Na Oceania, a Dow Jones informou que a bolsa da Austrália seguiu o tom positivo das asiáticas e o índice S&P/ASX 200 subiu 0,98% em Sydney, a 5.778,30 pontos, atingindo o seu maior patamar ao longo das últimas oito semanas. As bolsas europeias também avançaram motivadas pelo otimismo com a possível resolução entre China e Estados Unidos, mas investidores seguem atentos ao Brexit, os preços do petróleo operam em alta e o dólar cai em relação a maior parte de seus pares.

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Os principais índices econômicos desta quarta-feira

Internamente nossa agenda econômica segue esvaziada nesta quarta-feira. No exterior, embora a agenda não esteja recheada, contará com a publicação de ata pelo Federal Reserve às 17h (horário de Brasília).

Esta é provavelmente uma das publicações mais aguardadas pelo investidor que tem buscado toda e qualquer pista relacionado aos bastidores da decisão unanime de elevar os juros em dezembro do ano passado.

Na mesma ocasião, contudo, Jerome Powell, o presidente do Fed já havia indicado uma visão mais branda para a política monetária em 2019, fato que despertou o otimismo nas bolsas diante da desaceleração das maiores economias mundiais.

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O cenário político continua em destaque

O Brasil deixará o Pacto Global para Migração Segura, Ordenada e Regular, comunicou o chanceler Ernesto Araújo a representações brasileiras no exterior por meio de um telegrama diplomático na manhã desta quarta-feira (9). O documento comunicava que o novo governo não participará de “qualquer atividade relacionada ao pacto ou à sua implantação”. O País havia aderido ao programa como uma das últimas medidas tomadas pelo ex-presidente Michel Temer em seu último mês de mandato. Em sua conta pessoal do Twitter, o presidente Jair Bolsonaro se manifestou: “O Brasil é soberano para decidir se aceita ou não migrantes” e afirmou que a iniciativa foi tomada para a preservação dos valores nacionais. “Não ao pacto migratório”, finalizou.

Apurações do jornal O Estado de S. Paulo indicam que a proposta da reforma da Previdência está prevista para ser apresentada ao presidente Jair Bolsonaro na próxima semana e, posteriormente, deve ser encaminhada ao Congresso junto com a criação de um novo modelo de capitalização. De acordo com o Valor Econômico, o texto que ainda está em andamento pode endurecer algumas regras de aposentadoria de regimes especiais como os que contemplam os professores, policiais militares e bombeiros.

A expectativa é que em dez anos todos os brasileiros já estejam se aposentando com a idade mínima a ser definida por lei e amplamente defendida por Bolsonaro. É muito provável que o documento a ser encaminhado também inclua mudanças nas regras das Forças Armadas com elevação do tempo de serviço para aposentadoria elevado para os 35 anos.

Os ministros Onyx Lorenzoni (chefe da Casa Civil) e Paulo Guedes (ministro da Economia) sinalizaram que a visão da equipe econômica de uma reforma mais duradoura deve prevalecer na versão que será apresentada ao presidente na próxima semana, quando Bolsonaro deve bater o Marcelo quanto ao desenho final do documento.

O que também já tem previsão de ser encaminhado para análise é o decreto que flexibiliza a posse de armas no Brasil. Ontem, Onyx Lorenzoni afirmou aos jornalistas que o decreto já está sendo discutido com o ministro da Justiça, Sergio Moro, e deve ser apresentado na semana que vem. Ainda em conversa com os jornalistas na porta do Ministério da Economia, o chefe da Casa Civil anunciou a revogação de leis que “atrapalham a vida das pessoas”.

Ainda em destaque nesta esfera política, a equipe de Bolsonaro tem estudado o modelo de concessões de rodovias federais. A Folha de S. Paulo indica que, em vez de exigir pedágios mais baratos, o Ministério de Infraestrutura está avaliando cobrar outorgas bilionárias nos próximos leilões. Em caso de a proposta ir para frente e ser aprovada, o dinheiro “extra” arrecadado já tem um destino final: o abastecimento de um fundo rodoviário nacional que terá como principal objetivo a implementação de melhorias e duplicações nas demais vias.

Relatório gratuito – Petrobras: O petróleo é nosso

As principais notícias corporativas desta quarta-feira

O Banco do Brasil confirmou a nomeação de Antônio Hamilton Rossell Mourão, filho do vice-presidente Hamilton Mourão, como assessor especial da presidência do BB. Embora a promoção seja vista como algo não muito comum entre os funcionários, Rossell Mourão já atua há 11 anos como assessor na área de agronegócio da instituição e vai assessorar o presidente, Rubem Novaes, em assuntos agro. A BB Seguridade foi rebaixada pelo analista Domingos Falavina do JP Morgan a ‘neutra’. Seu preço-alvo, por outro lado, indicou um potencial de alta equivalente a 1,7% em relação ao último fechamento quando também foi rebaixado de R$ 29 para R$ 28.

Segundo o Valor Econômico, os planejamentos para 2019 da Engie Brasil Energia (EBE) incluem uma provável retomada de negociações com Petrobras para a aquisição da Transportadora Associada de Gás. A TAG é uma das subsidiárias da estatal brasileira e dona de uma rede de gasodutos com, aproximadamente, 4,5 mil km de extensão nas regiões Norte e Nordeste do país.

Falando em Petrobras, a petroleira fechou um contrato de compra e venda de gás natural com a BR Distribuidora. A transação que tem prazo de 730 dias está avaliada em R$ 2 bilhões.

As ações do Itaú Unibanco foram rebaixadas pelo analista Luis Fernando Azevedo do Safra de ‘outperform’ para ‘neutro’, enquanto o preço-alvo dos papéis indicaram um potencial de alta de 2,6% em relação ao último fechamento quando foram elevados de R$ 34 para R$ 38,50.

O conselho de administração da Taurus Armas, nova denominação da Forjas Taurus, aprovou ontem (8) a celebração de um acordo preliminar para encerrar ação judicial proposta no Tribunal do Distrito Sul da Flórida dos Estados Unidos por William Burrow, Oma Louise GBurrow, Suzanne M. Bedwell e Ernest D. Bedwell, envolvendo supostos defeitos apresentados em modelos de revólveres. De acordo com a companhia, este acordo pode representar um efeito negativo em suas demonstrações financeiras e afetar o patrimônio líquido entre US$ 7,1 milhões a US$ 7,9 milhões.

Relatório gratuito – Banco do Brasil: O gigante acordou

Recorde atrás de recorde

As negociações entre EUA e China se estenderam por mais um dia além do programado. Seguindo a linha de que uma boa conversa, resolve tudo, os mercados internacionais amanheceram mantendo a linha otimista. Um declaração sobre o resultado será divulgada em breve, mas deve trazer boas novas. Há ainda a divulgação da ata do Fed (banco central norte-americano) pela tarde que atrairá a atenção de investidores.

Por aqui, seguimos o ritmo de euforia. O petróleo, o minério de ferro em alta somados a possível apresentação da reforma da Previdência (mais robusta) na próxima semana, estão empolgando. Ainda que tenhamos acompanhado algum desencontro de informações sobre diversos temas, não estão sendo capazes de conter o ânimo com mudanças estruturais mais significativas.

E eu com isso

Para não perder a nova tendência de janeiro, o dia será positivo para ativos locais.


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