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As principais notícias que já estão movimentando os mercados

Por Pablo Vinicius Souza
15 janeiro 2019 - 10:36
indicadores econômicos

As quedas da última segunda-feira (14) ficaram para trás e, nesta terça-feira (15), as bolsas asiáticas fecharam em alta generalizada. A recuperação foi atribuída especialmente às medidas no curto prazo que o governo chinês tem praticado para atuar diretamente contra a desaceleração econômica no país.

Nesta terça-feira, o governo da China reiterou a ampliação de esforços para estimular sua economia após divulgar números de comércio externo bem mais fracos do que o esperado, depois que a guerra tarifária com os Estados Unidos pesou sobre seu setor comercial e levantou o risco de uma desaceleração econômica mais acentuada.

Como medidas prioritárias, autoridades econômicas chinesas comunicaram a redução de impostos, intensificação de gastos em infraestrutura e melhores condições de crédito para pequenas empresas. Para especialistas, Pequim vai estabelecer uma meta de crescimento de 6% a 6,50% para este ano.

Nosso ambiente doméstico chamou todas as atenções na bolsa de valores e, mais uma vez o Ibovespa alcançou patamares históricos. Esses resultados foram impulsionados por uma forte onda de valorizações.

As ações mais líquidas e de maior peso no índice seguiram o bom humor local.

As bolsas europeias também operam em alta em decorrência do resultado positivo cravado pelo gigante asiático. A incerteza nos humores europeus pode ser atribuído à espera de votação do Brexit. A projeção do mercado é de uma derrota para a primeira-ministra britânica Theresa May, uma vez que todos parecem divididos sobre o acordo (entre parlamentares de seu próprio partido e da oposição).

A valorização generalizada das bolsas mundiais segue contagiando Wall Street que também vê seus índices futuros operar em alta.

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Os principais índices econômicos desta terça-feira

Nos Estados Uidos, o índice Empire de manufatura referente ao mês de janeiro deste ano e o PPI serão divulgados, enquanto nossa agenda econômica doméstica, contará com a divulgação dos números referente a vendas no varejo do Brasil.

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O cenário político continua em destaque

A manhã desta terça-feira (15) contará com a assinatura do novo decreto que estava sendo preparado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública na Casa Civil e vem para flexibilizar a posse de armas para o cidadão comum brasileiro. O porte de armas que dá direito ao cidadão de andar com a arma na rua ou no carro não será incluso no decreto. Em solenidade programada para começar às 11 horas, Bolsonaro cumprirá uma de suas principais promessas realizadas em campanha. O novo decreto prevê o aumento do prazo para renovação da autorização de posse de arma (que anteriormente era de 5 anos e agora passará para 10) e contará com regras mais claras para a comprovação de necessidade da possa (os casos considerados aptos para comprovar a necessidade também devem ser ampliados).

O general Franklimberg Ribeiro de Freitas voltará a assumir o comando da Fundação Nacional do Índio (Funai), depois de deixar o seu cargo em abril do ano passado em decorrência de pressões da bancada ruralista. Na ocasião, o grupo enviou uma carta com a assinatura de, aproximadamente, 40 parlamentares, com o pedido de exoneração de Franklimberg ao então presidente Michel Temer. A indicação deve ser publicada nesta terça-feira no Diário Oficial da União após convite da ministra Damares Alves (Família e dos Direitos Humanos), pasta a qual a Funai passará a ser vinculada.

Segundo apurações do Valor Econômico junto ao exército, mais um militar será vinculado ao governo Bolsonaro, que agora contará com o atual chefe do Centro de Comunicação Social do Exército, o general de divisão Otávio Santana do Rêgo Barros, para assumir como o porta-voz do presidente Jair Bolsonaro. Embora a informação ainda não tenha sido oficializada pelo Planalto, a probabilidade é que isso aconteça nas próximas horas ou nos próximos dias.

Relatório gratuito – Petrobras: O petróleo é nosso

Ontem, o presidente Bolsonaro havia anunciado o novo líder do governo na Câmara dos Deputados, o deputado Major Vitor Hugo. O Major, que assumirá seu primeiro mandato na Casa, contará com a responsabilidade de articular com bancadas da base aliada medidas prioritárias para o governo no Congresso. A reforma da Previdência, é claro, está inclusa e a expectativa é que ocupe o topo da lista.

O comunicado de que o Brasil não integrará mais o Acordo de Paris gerou polêmicas nos dias subsequentes à sua publicação, mas Ricardo Salles, o ministro do Meio Ambiente, disse na última segunda-feira (14) algo que parece indicar ter voltado atrás a decisão. De acordo com o ministro, há um consenso entre os membros do governo para que o país permaneça no Acordo, que estabelece metas entre os signatários para redução da emissão de gases causadores do efeito estufa.

“Por ora”, o Brasil não se abstém dos compromissos previstos em agenda oficial, disse Salles. Isso, contudo, não muda o posicionamento de que as implementações devem estar de acordo com o bem-estar dos empresários brasileiros. “Há pontos importantes no acordo que a gente quer valorizar, como aqueles que podem trazer recursos financeiros para o país”, disse, após participar de um almoço promovido pelo Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP).

Relatório gratuito – Banco do Brasil: O gigante acordou

As principais notícias corporativas desta terça-feira

O banco ABC Brasil busca se firmar no mercado de capitais e na assessoria financeira a projeto de fusões e aquisições. Isso, contudo, não vai substituir o seu carro-chefe – que hoje são os empréstimos e os financiamentos, mas deve, contudo, se tornar uma fonte de receita crescente para a instituição em um cenário de margens apertadas no crédito corporativo.

De acordo com o Valor Econômico, a primeira grande reorganização do banco Bradesco – que busca mais rentabilidade – realizada sob o comando de Octavio de Lazari tem agilizado muitos importantes processos e tornado mais claras as frentes de negócios do banco, que almeja ser mais competitivo.

De acordo com o comunicado da Petrobras, a estatal está em processo de desinvestimento em 70% das concessões em campos maduros e terras e águas rasas para as quais a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) solicitou uma decisão da petroleira, se irá continuar investindo ou se irá se desfazer dos ativos.

A Suzano Papel e Celulose e a Fibria contracenam a maior transação realizada em 2018, em um negócio avaliado em US$ 14,5 bilhões. Na última segunda-feira (14), ambas as companhias informaram a conclusão da fusão que teve início em março do ano passado, após o pagamento de R$ 27,8 bilhões aos acionistas da Fibria terem sido realizados pela Suzano.

As ações da Ambev têm oscilado atipicamente nos últimos pregões, até ser questionada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Em resposta, a companhia afirmou que desconhece os motivos para esses movimentos atípicos em suas ações na B3 no período que contempla os dias entre 27 de dezembro a 11 de janeiro.

Bom humor, euforia e otimismo

A terça-feira será cheia para os mercados internacionais. Se por um lado, a China pode cortar impostos para reverter os sinais de desaceleração ajudando pelo lado positivo. Por outro, haverá a votação do Brexit para a decisão de o Reino Unido sairá ou não da União Europeia que promete gerar tensões quanto ao governo da premiê Theresa May.

Já em terras tupiniquins, o assunto segue como a reforma da Previdência. O ano inteiro a Bolsa brasileira segue ignorando o cenário interno mais negativo e apenas sobe, renovando a cada dia máximas históricas de olho no ajuste fiscal.
E foram divulgados os dados de varejo. Em novembro, as vendas cresceram 2,9 por cento na comparação do ano anterior, maior do que o esperado. Mostrando que o varejo tem força para continuar crescendo com o aumento da confiança.

E eu com isso?

Com o cenário externo positivo e aqui melhor ainda, o dia será positivo para ativos locais.

Glenda Ferreira – Economista e bacharel em Relações Internacionais pela Facamp, tem experiência em planejamento financeiro. Atualmente é Especialista em Investimentos na Levante Ideias de Investimentos.


Sobre o autor