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As principais notícias que já estão agitando os mercados

Por Pablo Vinicius Souza
21 dezembro 2018 - 10:22
Seguindo o ritmo do bom humor externo, o dia é positivo para ativos locais

Ainda sentindo os efeitos do comunicado emitido pelo Federal Reserve na Fomc, os mercados globais entraram no modo “queda livre” na última quinta-feira e, em alguns casos, estenderam as perdas registradas na véspera. Em Nova York, os índices acionários recuaram até 2% no pregão de ontem, muito em função da iminência de desaceleração da economia mundial.

O comunicado que entrou em desacordo com a recomendação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem deixado os Investidores de todo o mundo ainda mais cautelosos e preocupados. Outro fator que tem chamado a atenção do mercado e colocado os Estados Unidos no centro dos holofotes é uma possível paralisação do governo americano no fim de semana. Trump já havia ameaçado parar o governo se o Congresso não aprovasse os recursos necessários para a construção de um muro na fronteira com o México.

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O mercado asiático também tem sentido os efeitos de Wall Street e da desaceleração econômica mundial. Além disso, os índices acionários chineses (que também caíram nesta sexta-feira), encerraram a semana em queda, dando destaque ao índice de blue-chips que atingiu a mínima de 33 meses em meio à fraqueza do mercado global.

Além disso, recentemente os EUA acusaram Pequim de participar ativamente em ações de hackers à agências governamentais e empresas de todo o mundo. Com a acusação atribuída à China aos crimes cibernéticos (a alegação é de que a China esteja tentando se apossar de segredos governamentais e de empresas de alta tecnologia), as bolsas sofreram. Apesar desses índices negativos, alguns mercados menores da região conseguiram se recuperar no fim dos negócios.

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Na Europa, as principais bolsas operavam em baixa nesta manhã, também afetada pelo presente momento que está enfrentando uma das maiores potências mundiais, os Estados Unidos. Esse receio tem minimizado o ímpeto de riscos dos investidores, que seguem evitando ações na esteira da decisão de política monetária do Fed. A perspectiva de mais altas de juros nos EUA reforça preocupações com a tendência de desaceleração da economia global.

Segundo o Dow Jones Newswires, a bolsa australiana segue pressionada por ações de grandes bancos domésticos e o S&P/ASX 200 caiu 0,69% em Sydney, a 5.467,60, nova mínima em dois anos. No mercado de commodities, o petróleo registrou uma singela alta após recuar 4,8% na última quinta-feira. O cobre recuou enquanto o nível subiu em Londres.

A agenda de indicadores para esta sexta-feira

Os Estados Unidos contam com uma bateria de dados econômicos para o último dia da semana e divulgará o PIB atualizado do terceiro trimestre. O mercado segue estimando uma alta de 3,5%. O grande destaque, contudo, está para a decisão orçamentária do governo que está prestes a acontecer e pode não apenas paralisar o governo americano, como afetar as demais bolsas mundiais. O Senado dos EUA aprovou na última quarta-feira (19) uma legislação que prevê o financiamento de inúmeras agências federais, mas não incluiu os R$ 5 bilhões solicitados por Trump para a construção de um muro na fronteira com o México. O projeto foi enviado à Câmara dos Deputados e precisa ser aprovada antes da meia noite de hoje, quando acaba o financiamento atual de diversas agências federais – o que inclui o Departamento de Segurança Interna.

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Em nossa agenda econômica, o dia promete muita movimentação. O destaque vai para o IPCA-15 referente ao mês de dezembro (estimativa do mercado é de desaceleração para deflação). Embora este seja o índice mais aguardado, o Banco Central vai divulgar as contas externas e, em coletiva de imprensa, o chefe do departamento de pesquisa econômica do banco, Fernando Rocha, discutirá o assunto nesta manhã. O Banco segue ofertando US$ 1 bilhão em dois leilões de linha a partir das 12h15, com encerramento previsto para às 12h40. Também no radar estão os dados de receita relacionados ao mês de novembro (o mercado segue estimando R$ 119,2 bilhões).

O dia lá fora não está em clima natalino, pelo contrário, está bem azedo lá fora. As tensões comerciais entre EUA e China persistem, há a possibilidade de paralisação (shutdown) do governo norte-americano, após Trump desafiar o Congresso e rejeitar o acordo para evitar essa parada, e ainda, há uma série de dados norte-americanos que serão divulgados para trazer mais volatilidade ao dia.

Enquanto isso, o IPCA-15 (prévia da inflação) apontou uma deflação de 0,16%, um pouco abaixo do esperado de 0,12. Com isso, a inflação deverá fechar em torno de 4 por cento – abaixo da meta de 4,5 por cento – e ainda impactará os juros futuros por hoje.

Glenda Ferreira – Economista e bacharel em Relações Internacionais pela Facamp, tem experiência em planejamento financeiro. Atualmente é Especialista em Investimentos na Levante Ideias de Investimentos.

O cenário político continua em destaque nesta reta final do ano

O governo de Jair Bolsonaro estuda acelerar e simplificar o licenciamento ambiental a partir do ano que vem. Entre as mudanças, está previsto um licenciamento automático para o agronegócio, segundo o futuro presidente do Ibama, Eduardo Fortunato Bim. A ideia é que o produtor rural tenha acesso a um sistema eletrônico pelo qual possa emitir sua própria licença ambiental.

Ainda no radar político, de acordo com o Valor Econômico, Jair Bolsonaro vai aprovar o projeto de lei que prevê o perdão da dívida de produtores rurais e das agroindústrias com o Fundo de Assistência ao Trabalhador (Funrural). Se confirmado, a Receita Federal um rombo de R$ 17 bilhões nas contas do governo.

Bolsonaro também chamou a atenção quando optou por não convidar o presidente de Cuba para prestigiar a sua posse em 1º de janeiro do ano que vem. Segundo Bolsonaro, seu governo não convidará Nicolás Maduro para celebrar a democracia. Diante dessa manifestação, o presidente eleito recebeu na manhã da última quinta-feira (20) a visita do cubano Orlando Gutierrez, “um dos principais denunciantes das atrocidades cometidas pela ditadura daquele país”, segundo escreveu Bolsonaro em sua conta pessoal no Twitter.

De acordo com o Valor Econômico, os partidos PSB, PDT e PCdoB emitiram uma nota de oposição ao governo de Jair Bolsonaro. Este grupo de oposição não contará com a participação do PT, mas já despertou um feedback do presidente eleito que respondeu ao comunicado também em sua conta no Twitter: “PDT, PSB e PCdoB confirmam bloco de oposição a Bolsonaro na Câmara. Se me apoiassem é que preocuparia o Brasil. Não darei a eles o que querem!”.

As principais notícias corporativas desta sexta-feira

Na noite de ontem, a Petrobras informou que vai suspender novos projetos de desinvestimentos em decorrência de uma liminar emitida pelo ministro Marco Aurélio Mello, do STF, que suspende decreto que estabelece regras de governança, transparência e boas práticas para a venda de campos e blocos exploratórios da Petrobras.

Ainda no radar da petroleira, a estatal comunicou que detentores de um volume de US$ 1,212 bilhão em bônus externos aceitaram uma oferta de recompra, lançada no dia 7 de dezembro em operação realizada por uma de suas subsidiárias, a Petrobras Global Finance B. V. O pagamento (de US$ 1,135 bilhão) àqueles que tiveram os títulos entregues e aceitos para recompra está previsto para acontecer nesta sexta-feira (21).

A Embraer teve seu acordo com a Boeing suspenso mais uma vez por meio de uma liminar emitida pelo juiz Victorio Giuzio Neto, da Justiça de São Paulo. A companhia se posicionou garantindo que medidas judiciais cabíveis serão tomadas para a reversão desta liminar que, de acordo com a empresa, atendeu a pedido do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e da Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos. Quem também se manifestou contrário a decisão foi a Advocacia-Geral da União (AGU), que em comunicado oficial, informou que também vai recorrer contra a liminar.

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De acordo como Valor, a Qualicorp será investigada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo em virtude de um contrato de indenização assinado pela empresa com o fundador do negócio, José Seripieri Filho (mais conhecido como Júnior), no valor de R$ 150 milhões.

A IBM vai estrear sua participação em um novo setor de atuação e, para isso, assinou um acordo com o Corinthians. O clube esportivo marcou uma coletiva para esta sexta-feira (21) para falar do acerto e esclarecer quais outros serviços essa parceria prestará ao clube.


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