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Após rompimento de barragens, ações da Vale nos Estados Unidos chegam a cair até 13%

Por Pablo Vinicius Souza
26 janeiro 2019 - 08:57
Vale

Três barragens da mineradora Vale se romperam no início da tarde da última sexta-feira (25) na cidade de Brumadinho, região metropolitana de Belo Horizonte. Até a noite de ontem, segundo informações prestadas pelo prefeito da cidade, já haviam sido registrados 50 mortos e mais de 300 desaparecidos (número muito diferente que o apresentado pela prefeitura de Belo Horizonte).

Em um primeiro momento, a Vale só havia confirmado o rompimento de uma barragem, a maior da mineradora do Complexo Paraopeba, utilizada para disposição de rejeitos. Fabio Schvartsman, o presidente da Vale afirmou que ainda não se sabe quantas pessoas foram atingidas pelo rompimento, mas haviam cerca de 300 funcionários próprios e terceirizados trabalhando no local.

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O rompimento, que aconteceu na hora do almoço, soterrou o restaurante de funcionários com a lama de rejeitos e parte da Vila Ferteco também foi destruída.

Três anos antes, a companhia já havia passado por uma situação parecida, quando, em novembro de 2015, a barragem da Samarco, empresa controlada pela Vale e BHP, localizada no subdistrito de Bento Rodrigues, a 35km de Mariana também se rompeu e foi considerado como o maior desastre ambiental do país.

Em 5 de novembro, data marcada pelo rompimento da barragem de Fundão, 19 vidas foram perdidas e, com o desastre, os papéis da Vale encerraram a sessão em queda de 2,6%. No pregão seguinte, o recuo foi ainda mais considerável, chegando a 7,5%. De lá para cá, as ações da mineradora já acumulam alta de 258% na B3. Da mínima alcançada pelo papel, com os desdobramentos do caso, até a sessão de ontem, a valorização é de 604%.

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A desvalorização foi gradativa, até chegar à mínima de R$ 7,97 no dia 2 de fevereiro de 2016, após a responsabilização da Samarco e de suas controladoras. Ao longo dos meses seguintes, seus papéis se mantiveram abaixo dos R$ 20 – até o fim de 2016. Em 2017 e 2018, a recuperação que estava sendo ensaiada ganhou mais força e as ações se valorizaram até que, em setembro do ano passado, chegaram à máxima de R$ 62,20.

Ainda não é possível mensurar o reflexo que o rompimento exercerá sobre as ações da Vale, uma vez que ontem as bolsas de São Paulo estavam fechadas em decorrência do feriado pelo seu aniversário. Apesar disso, o desempenho de seus ADRs (American Depositary Receipts) foram consideravelmente puxados para baixo a partir do momento em que o evento passou a ser anunciado.

Minutos após a divulgação da notícia, contudo, por volta das 13h30, os ADRs da Vale negociados na NYSE, que antes subiam aproximadamente 3% na primeira hora do pregão, zeraram os ganhos. Em todo o dia, seus índices chegaram a bater -13% por volta das 14h50, e fecharam o pregão com queda de 8,08%, a US$ 13,66. Foi possível observar também uma debandada estrangeira dos ativos da companhia.

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Thiago Salomão, analista da Rico, ressalta que “a notícia é claramente negativa para o papel, principalmente pela recorrência do acontecimento, sendo três anos depois de Mariana. Além disso, o investidor estrangeiro pode sair da posição em Vale e ir para empresas do mesmo setor ou podem montar posição em outras empresas brasileiras. Ou seja, ele não tem motivos para ficar posicionado na Vale”.

De acordo, a Jefferies avaliou que, embora o rompimento seja claramente negativo para a Vale, pode vir a favorecer outras mineradoras de minério de ferro devido a restrições de oferta. No pregão do último dia útil da semana na B3, os papéis da mineradora encerraram o dia cotados a R$ 56,15, em alta de 0,89%. Os efeitos do rompimento das barragens devem ser digeridos pelo mercado nos próximos dias.

“É absolutamente precipitado tentar quantificar efeito, responsabilidade e causa, neste momento, sem que seja compreendido não só a origem do rompimento da barragem como a extensão dos danos. Fazer uma comparação com o acidente da Samarco me parece equivocada neste momento. É tudo diferente, inclusive, a capacidade da própria barragem. E a postura da companhia pode fazer muita diferença na avaliação desse episódio. Quanto mais rápido a empresa agir e quanto mais eficiente ela for, maior será a contenção de danos e menor os efeitos colaterais”, ponderou o estrategista chefe da Eleven Financial, Adeodato Netto, por telefone ao Valor Econômico.

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A tragédia, por outro lado, não deve prejudicar a produção da companhia, segundo projeções realizadas pelo analista-chefe da XP Investimentos, Karel Luketic. O presidente Schvartsman também acredita que, nesse quesito, não haverá efeitos relevantes.


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