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Apesar de frustrar consenso, analistas veem progresso em balanço da Petrobras

Por TradersClub
20 fevereiro 2020 - 10:40
Petrobras

Apesar do lucro líquido ter vindo abaixo do consenso por conta da queda no preço do petróleo Brent e de baixas contábeis, a qualidade dos resultados da Petrobras no quarto trimestre melhorou na esteira de ajustes operacionais, geração de caixa saudável e a menor intromissão tanto financeira como estratégica do governo nos negócios da petroleira, disseram analistas de sete corretoras nesta quinta-feira.

Para o BTG Pactual, a Petrobras se tornou uma companhia “mais leve e mais forte, com um potencial de alavancagem operacional imenso”. Para os analistas do banco carioca, a geração recorrente de fluxo de caixa operacional foi impactada negativamente por conta da maior necessidade de capital de giro.

Para o UBS, o cenário positivo deve continuar até o ano que vem, quando se espera que a agenda de vendas de ativos tenha sido finalizada e os controles de despesas se consolidem ainda mais. Na avaliação do Credit Suisse, o balanço veio melhor do que aparenta e valida a avaliação atrativa do papel; o destaque, para o banco suíço, é a melhora nas margens de refino. Tanto o Credit Suisse como o UBS e o Bradesco disseram que, neste momento, recomendam o investidor procurar mais ações ordinárias da estatal, reflexo do anúncio de R$1,7 bilhão em dividendos para essa classe de papel. Já o Safra disse que a consistência dos resultados deve ajudar a estatal a reduzir a brecha de avaliação das ações ante as dos pares globais. Para a Mirae Asset, o balanço ainda deve ser mais forte em 2020 na esteira das vendas de ativos, redução de dívida e alta na produção. Todas as corretoras sinalizaram, em geral, que a companhia está menos dependente do preço do petróleo.

O lucro líquido da estatal atingiu R$8,153 bilhões no quarto trimestre, frustrando o consenso de R$8,41 bilhões. A receita líquida atingiu R$81,77 bilhões, ante consenso de R$83,10 bilhões. O EBITDA ajustado atingiu R$36,53 bilhões, batendo consenso de R$35,40 bilhões. O fluxo de caixa operacional totalizou R$30,69 bilhões, enquanto a dívida líquida da companhia atingiu US$78,86 bilhões, ou o equivalente de 2,46 vezes o EBITDA anualizado no final de dezembro. O indicador estava em 2,58 vezes em setembro. Em 2019, o lucro líquido tocou os R$40,137 bilhões, patamar recorde que representou aumento de 55,70% na base anual.

Em teleconferência com investidores hoje, o diretor-presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, disse que o objetivo da estratégia da companhia é deixá-la menos vulnerável às flutuações do preço do petróleo.


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