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Análise: Haverá transformação na Vale com o afastamento de Schvastman?

Por TradersClub
06 março 2019 - 11:13
Vale Ambev

O afastamento de Fabio Schvartsman da presidência da Vale deve concentrar as atenções dos investidores no pregão desta quarta-feira, na volta do feriado prolongado de Carnaval, em meio à forte volatilidade no papel em Nova Iorque e a releitura dos analistas sobre como a maior produtora de minério de ferro do mundo enfrentará os desafios legais e de governança que a assombram.

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A saída de Schvartsman e de outros três diretores, anunciada no sábado, não parece ter tomado o mercado por surpresa. De fato, cada vez mais gestores veem algum reflexo positivo da situação – especificamente, como a Justiça brasileira permitirá que as negociações para indenizar as vítimas do colapso da barragem em Brumadinho e a imposição de multas à companhia sejam feitas de forma mais justa e acelerada.

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É importante ressaltar que o Ministério Público e a Polícia Federal tinham recomendado o afastamento dos executivos, no que parece ser um ponto de partida para empreender essas negociações de forma expedita.

Schvartsman será substituído por Eduardo Bartolomeo, um veterano de dez anos na Vale e que já foi cotado para ser diretor-presidente da mineradora, lá na época que Schvartsman foi nomeado. Até sábado, Bartolomeo estava encarregado das operações mais problemáticas da Vale: o segmento de metais básicos, especificamente a operação de níquel – grande queimadora de caixa, alvo de diversas baixas contáveis e de conflitos trabalhistas de longa data. Segundo analistas, ele tem lidado bem com o assunto: é a primeira vez que a Vale pode dizer que, em mais de sete anos, a operação está mostrando sinais de uma reviravolta duradoura e positiva.

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O que ele precisa fazer para se firmar bem na posição, seja temporária ou permanentemente? Segundo o contribuidor TC Rafael Ferri, a interlocução com os investidores e com as autoridades será fundamental. Ele precisa mostrar que, apesar das próprias restrições impostas pela situação, a Vale será capaz de manter a disciplina de gasto, de endividamento e de custo-eficiência. Scotiabank reduziu a recomendação do papel na segunda para “manutenção”, enquanto Morgan Stanley e HSBC disseram que o afastamento temporário de Schvartsman não foi um fato inesperado e que a indicação de Bartolomeo pode trazer coisas positivas para a mineradora. Falta ver se, hoje, o mercado sinaliza que as mudanças anunciadas no fim de semana eram ou não consenso.

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Às 10h00 de hoje, o ADR tinha desacelerado a queda, de 2,25% para 0,55% em menos de uma hora. Sinal de que o mercado espera que alguma coisa evolua, especialmente no aspecto legal.

Apesar de passar a maior parte do pregão nova-iorquino de segunda-feira em baixa, os recibos da Vale, conhecidos como ADRs, fecharam com alta de 0,24%. Ontem, eles subiram 1,9%. Porém, hoje eles recuavam mais de 2% no pré-market nova-iorquino – que, segundo um trader sediado nos EUA, pode representar um movimento de cautela à espera do ajuste de preço que seja feito na bolsa paulista.

O bom comportamento dos dois pregões anteriores, disse o trader, teve a ver com o desempenho favorável dos ativos emergentes no exterior, as medidas de estímulo na China e a leitura de que a saída de Schvartsman não deve entorpecer o andamento das investigações e das medidas que a companhia precisa tomar na esteira da tragédia.

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Hoje, no entanto, duas coisas devem pesar no papel aqui na B3 e na NYSE: por um lado, a queda nos futuros de minério de ferro na China de hoje pode envolver uma leitura tardia de que a redução da meta de crescimento econômico na China deve ter um impacto na demanda pelo mineral e ingrediente mais importante para a fabricação de aço.

Por outro lado, a própria resiliência da Vale pode impactar os preços do mineral para baixo: segundo analistas da Bernstein, a mineradora brasileira está tirando parte dos seus estoques e incrementando a produção adicional vinda do Sistema Norte, especificamente da mina S11D, para manter a oferta relativamente estável e cumprir seus compromissos de entrega.

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Ainda assim, analistas se mantêm otimistas com o cenário para os preços do minério. Para o Citigroup, o minério pode chegar a tocar os US$100 a tonelada se um engarrafamento de de oferta se apresentar perto do meio do ano; já o Morgan Stanley elevou a projeção do preço spot, representado pelo contrato Qingdao, em 30% para US$81 a tonelada pelo aperto na oferta de curto prazo. O mercado deve se normalizar no ano que vem, diz a mesma casa.

(FOTO: DIVULGAÇÃO/KLABIN)


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