EconomiaHome

Alta da carne impulsiona IPCA de novembro; mercado mantém expectativa de corte na Selic

Por TradersClub
06 dezembro 2019 - 12:10
inflação

O contrato futuro de DI com vencimento em janeiro próximo recuava 3,7 pontos-base, para 4,547%, no início deste pregão, mostrando que o mercado mantém a aposta de corte de 0,5 na taxa Selic mesmo após os dados de inflação medidos pelo IPCA de novembro mostrarem uma aceleração mais forte e difusa do que o esperado.

O IPCA subiu 0,51% em relação a outubro, acima do consenso de mercado de 0,47% e dos 0,10% registrados na última medição. No acumulado de 12 meses, o índice atingiu 3,27%, acima dos 2,54% registrados em outubro e do consenso de 3,23%. A alta foi puxada pelas categorias de Alimentação e Despesas Pessoais, com os preços da carne disparando 8% no período. O núcleo do IPCA, que exclui os itens mais voláteis, passou de 0,21% para 0,26% em novembro. Já a taxa de difusão, que mede o número de itens em alta na amostra, disparou de 32,6% para 55,9%, mostrando que mais itens do IPCA estão subindo, ou seja, a inflação está mais generalizada, e não concentrada em poucos produtos.

O DI para janeiro de 2021 negociava em queda de 10 pontos-base para 4,650%, com o investidor reajustando posição após as fortes altas recentes na curva de juros. A projeção mostra que o mercado não está apostando em novos cortes depois do previsto para a reunião do Copom da semana que vem, que deve trazer a Selic dos atuais 5,0% ao ano para 4,5%, como já indicado na ata da reunião anterior e reafirmado até pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, em pronunciamento ontem.

Muitas casas importantes, como o Itaú, ainda projetam, porém, mais dois cortes de 0,25 ponto percentual na Selic no primeiro trimestre, o que tornará mais relevantes os próximos indicadores de inflação, como o IGP-DI, que sai na segunda-feira, e deve trazer dados do atacado. Com o corte de 0,5 ponto percentual já nas contas, a atenção do mercado ficará no recado do comunicado que acompanhará a decisão do Copom de quarta-feira que vem, que pode dar alguma pista sobre a trajetória e o possível fim do atual ciclo de cortes. O DI para janeiro de 2025 caía 4 pontos-base e negociava a 6,390%.


Sobre o autor