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Aliança pelo Brasil; coronavírus puxa queda em valor de mercado e mais destaques de hoje

Por Bruna Santos
27 fevereiro 2020 - 08:30

O retorno do Carnaval mexeu com a estruturas do Ibovespa, que voltou aos 105 mil após protagonizar queda de 7%. Os reflexos da ascensão do coronavírus já eram esperados, especialmente após a confirmação do primeiro caso de um brasileiro contaminado.

Hoje, a expectativa é por sessão tensa, em meio a baixa das Bolsas europeias e volatilidade dos contratos futuros norte-americanos.

Por aqui, a cúpula da Aliança pelo Brasil, sigla que o presidente Jair Bolsonaro tenta criar, admitiu que não vai conseguir participar dos pleitos deste ano. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) havia validado apenas 3.334 assinaturas até ontem, a menos de 40 dias para o prazo limite estabelecido pela Justiça Eleitoral para que os partidos políticos obtenham registro para disputar as eleições municipais. São necessárias, no mínimo, 492 mil para obtenção do registro.

Além disso, a equipe econômica do governo federal já começa a ver riscos de não avançarem rapidamente, neste primeiro semestre, as três pautas que eram dadas como certas para aprovação pelo Congresso: o projeto de autonomia do Banco Central e as Propostas de Emenda à Constituição (PECs) Emergencial e dos fundos públicos.

No âmbito global, a fim de manter a política monetária prudente e flexível para sustentar a economia local, o Banco Central da China afirmou que vai garantir ampla liquidez através de cortes de compulsório direcionados a bancos em um momento apropriado. Entre os indicadores econômicos, o índice de sentimento econômico da zona do euro subiu de 102,6 em janeiro para 103,5 em fevereiro, de acordo com a Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia.

A Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostrou que o IPC-S da última quadrissemana de fevereiro cresceu 0,17% até 22 de fevereiro. Segundo a FGV, o IGP-M contraiu 0,04% em fevereiro na comparação mensal, subindo 6,82% nos 12 meses até fevereiro.

Empresas do Ibovespa perdem R$ 257 bilhões em valor de mercado na volta do Carnaval

As principais companhias da Bolsa de Valores brasileira perderam R$ 257 bilhões em valor de mercado nesta quarta-feira de Cinzas. Esse recuo no preço das ações em apenas um dia se justifica pelo ajuste acumulado das cotações, segundo o levantamento do Valor Investe com base em dados da B3 e do Valor PRO.

Assim, leva-se em consideração o movimento em baixa dos mercados internacionais nas duas sessões anteriores, enquanto a B3 permaneceu fechada. Parte dessa perda está diretamente relacionada com o coronavírus, levando o Ibovespa ao seu pior pregão desde o “Joesley Day”. O dólar, por sua vez, disparou 1,12% e fechou a R$ 4,44.

No Brasil, a primeira pessoa contaminada foi confirmada ontem após dois testes subsequentes. Só para exemplificar, as 70 empresas com ações no índice Ibovespa valiam, em conjunto, R$ 3,858 trilhões na sexta-feira (21).

Ao final do pregão de ontem, contudo, o valor de mercado somado dessas mesmas companhias era de R$ 3,601 trilhões. De acordo com o Valor Investe, as companhias aéreas Azul (AZUL4)Gol (GOLL4) e a empresa de venda de pacotes turísticos CVC (CVCB3) foram algumas das que mais contabilizaram quedas percentuais elevadas.

Além disso, siderúrgicas como a CSN (CSNA3)Gerdau (GGBR4)Usiminas (USIM5) também caíram. Todas essas contraíram ao menos 10%. Em contrapartida, Petrobras (PETR3/PETR4), Vale (VALE3), Itaú (ITUB3) Bradesco (BBDC3/BBDC4) foram as que mais perderam valor de mercado em reais em termos absolutos.

Até mesmo os melhores desempenhos dentro do Ibovespa também foram negativos no que diz respeito ao valor de mercado. Nesse contexto, as empresas que menos sofreram no pregão – e caíram menos de 3% – foram a IRB (IRBR3), TIM (TIMP3), Cielo (CIEL3), Raia Drogasil (RADL3) Ambev (ABEV3), todas mais expostas ao mercado interno.

Tesouro Direto tem saídas de R$ 958 milhões em janeiro

O Tesouro Direto contabilizou um resgate líquido de R$ 958,3 milhões no mês passado, segundo a Secretaria do Tesouro Nacional. Conforme a publicação do órgão, as vendas do Tesouro Direto acumularam R$ 2,046 bilhões e os resgates, R$ 3,005 bilhões.

Nesse sentido, R$ 2,335 bilhões dos resgates efetuados em janeiro referem-se a recompras e R$ 669,3 milhões a vencimentos. Esse foi o terceiro mês consecutivo em que as retiradas superaram as emissões, de acordo com as informações da secretaria.

No período, o título mais demandado foi o indexado à Selic (Tesouro Selic), cuja participação nas vendas atingiu 55,7%. Na sequência, os títulos indexados à inflação (Tesouro IPCA+ e Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais) corresponderam a 29,9%.

Os prefixados, por sua vez, corresponderam a 14,4% do montante total. Em janeiro, 415.777 operações de venda de títulos foram efetuadas com um valor médio por operação de R$ 4.922.

Além disso, 61,1% das vendas corresponderam a títulos com vencimentos de 5 a 10 anos; 22% a títulos com prazo entre 1 e 5 anos; e 16,9% com prazo de mais de 10 anos. O estoque do programa alcançou R$ 59,3 bilhões, isto é, uma contração de 0,59% frente a dezembro (R$ 59,65 bilhões).

Na comparação anual com janeiro de 2019 (R$ 54,92 bilhões), por outro lado, o saldo avançou 7,97%. O resultado dos títulos remunerados por índices de preços são os mais representativos, que chegaram a 49,2% do estoque total.

Em segundo lugar estão os títulos indexados à taxa Selic, com participação de 33,6%, e os títulos prefixados, com 17,3%. No mês de janeiro, 319.460 novos participantes se cadastraram no Tesouro Direto.

No total, haviam 5.945.793 investidores ao fim do mês (+76,2% nos últimos doze meses). Sobre os investidores ativos, o número chegou a 1.211.123, variação de 43,3% no último ano.

IPCA 2020: projeção cai pela 8ª vez seguida, para 3,20% e estimativa do dólar sobe a R$ 4,15

A mediana das projeções dos economistas do mercado para o IPCA 2020 caiu mais uma vez, de 3,22% para 3,20%. Essa foi a oitava vez seguida que a inflação oficial foi revisada para baixo, conforme o Relatório Focus, do BC.

De acordo com as estimativas coletadas até o final da última semana, o ponto-médio das projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) 2021 foi mantido em 3,75%.

O indicador segue neste nível praticamente desde que a meta de inflação foi definida. Para o IPCA dos próximos 12 meses, a pesquisa indicou um avanço de 3,43% para 3,52%.

A meta de IPCA 2020 a ser perseguida pelo BC é de 4,00%, 3,75% em 2021 e 3,50% para 2022. Em todos os casos, há um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Assim também, o Bank of America (BofA) revisou sua projeção para o IPCA 2020, de 3,6% para 3,2%. Além disso, o banco avaliou que o balanço de riscos sugere que a variação pode ser ainda menor.

Para o ano que vem, a estimativa da instituição monetária passou de 3,7% para 3,6%. De acordo com o Valor Investe, a equipe do BofA indica a nova cesta de itens do IPCA, baseada na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018, como um novo fator baixista no cenário benigno para a inflação brasileira este ano.

Adicionalmente, a dinâmica benigna dos núcleos de inflação reflete a ociosidade da economia. Quanto à nova cesta do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, que reflete mudanças nos hábitos de consumo dos brasileiros, o BofA acredita que as mudanças, de maneira geral, devem trazer o índice ligeiramente para baixo.

Lucro da Ambev avança 22% no 4T19, para R$ 4,10 bilhões

O lucro da Ambev (ABEV3) atribuído aos controladores teve um saldo positivo no 4º trimestre de 2019, de R$ 4,10 bilhões. Esse montante representa um salto de 22% quando comparado aos últimos três meses de 2018.

O lucro líquido ajustado que exclui itens não recorrentes e é usado para comparação, cresceu 24,4%, para R$ 4,63 bilhões. Em contrapartida, a receita líquida da Ambev contraiu 1% entre outubro, novembro e dezembro, para R$ 15,86 bilhões.

Os custos de produtos vendidos cresceram 5,5%, para R$ 6,38 bilhões; o lucro bruto caiu 5%, para R$ 9,48 bilhões. Sobre as despesas operacionais totais, o avanço foi de 7,1%, para R$ 4,13 bilhões.

Por outro lado, as despesas financeiras líquidas caíram 6,2%, para R$ 1,56 bilhão. O lucro da Ambev antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado contraiu 9,3%, para R$ 6,92 bilhões.

Esse indicador ajustado é calculado excluindo participação de não controladores, despesa com imposto de renda, resultado financeiro líquido. Além disso, desconsidera-se a participação nos resultados de coligadas e subsidiárias, itens não recorrentes e despesas com depreciações e amortizações.

Em 2019, o lucro da Ambev foi de R$ 11,78 bilhões, + 7,1% em comparação com o resultado de 2018. No ano, a receita líquida cresceu 4,7%, para R$ 52,60 bilhões; o Ebitda ajustado recuou 2,5%, para R$ 21,15 bilhões.

Confira o press release da Ambev na íntegra.


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