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Ainda que o panorama internacional seja desafiador, o dia será positivo para ativos locais

Por Pablo Vinicius Souza
14 janeiro 2019 - 10:20
Eleições nos EUA e cenário interno devem aumentar a volatilidade do Ibovespa

No Brasil o destaque segue para as ações políticas que registraram novas controvérsias nos últimos dias. A Previdência voltou a estar sob todos os holofotes, atraindo a atenção de investidores de todo o mundo que continuam cautelosos até que a implementação ocorra.

Essa proposta, contudo, segue sendo o termômetro para os negócios no mercado financeiro brasileiro e deve apontar bons números nessa semana. Externamente, as bolsas asiáticas encerraram o primeiro pregão da semana em queda, com repercussões negativas acerca dos índices referentes à balança comercial da China publicados nesta segunda-feira.

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Em dezembro do ano passado, as exportações e importações chinesas caíram consideravelmente em relação ao mesmo mês do ano anterior, de 7,6% e 4,4% respectivamente.

Esse desempenho foi claramente afetado pela guerra comercial entre Washington e Pequim, com tarifas impostas pelos Estados Unidos, o que enfraqueceu a demanda.

As bolsas europeias também recuam sob o reflexo do desempenho asiático, em especial com base nos números chineses. O Brexit também tem contribuído na tensão dos investidores, mas só amanhã trará uma resposta mais clara para o assunto.

Os índices futuros em Wall Street também não estão tendo o seu melhor desempenho, motivados pelos receios com o Brexit, mas tendo como o seu principal imã o “shutdown” que já chega ao seu 24º dia. A paralisação parcial do governo americano ainda não afetou os mercados externos, mas o receio já bate à porta de todos.

Em commodities, o petróleo voltou a cair abaixo de US$ 60, índice que repercutiu os dados fracos da China. Na última quinta-feira a World Steel Association (Worldsteel) publicou que a produção mundial de aço bruto em novembro registrou expansão de 5,8%, em base de comparação anual e a União Europeia está planejando impor limites à entrada de sete produtos siderúrgicos exportados pelo Brasil para seus países-membros a partir de 2 de fevereiro, para proteger produtores locais.

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O cenário político continua em destaque

A semana política promete ser muito movimentada, com as atenções de todos os mercados voltadas para as possíveis medidas provisórias e decretos a serem assinadas pelo presidente Jair Bolsonaro.

O grande destaque segue sendo a reforma da Previdência, prestes a ser apresentada ao presidente. De acordo com as estimativas e apurações do Valor Econômico, o novo texto elaborado para a reforma deve ser capaz de gerar em 10 anos uma economia muito superior ao que seria gerado com base no texto original apresentado ao Congresso no final de 2016, pelo ex-presidente Michel Temer apresentou ao Congresso no fim de 2016. Na época, o cálculo era de R$ 802,3 bilhões gerados.

Hoje, a estimativa deu um considerável salto e, segundo o Valor, a economia pode chegar na casa do trilhão. Isso, é claro, considerando os ajustes que já estão sendo realizados e deve ser negociada posteriormente com a Casa Civil para depois ser apresentada formalmente ao presidente Bolsonaro.

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Enquanto o texto final não lhe é apresentado, Jair Bolsonaro deve voltar suas atenções para uma medida provisória que visa a diminuição de R$ 17 bilhões a R$ 20 bilhões em perdas na seguridade social até o mês de dezembro deste ano. Ainda previsto na agenda presidencial desta semana está a assinatura de um decreto que trata da flexibilização da posse de armas no país, uma de suas principais propostas durante sua campanha.

Aliado a isso, o Supremo Tribunal Federal (STF) colocou em sua agenda a retomada de julgamentos para casos polêmicos ainda no primeiro semestre deste ano como os processos que tratam da prisão após o fim dos recursos em segunda instância da Justiça, a criminalização da homofobia e a descriminalização do porte de drogas para uso pessoal.

O ano do Judiciário tem início efetivo a partir de 1º de janeiro, após o período de recesso, com uma sessão solene e será marcado pela decisão do presidente Jair Bolsonaro de reconduzir ou não a atual procuradora-geral da República, Raquel Dodge, ao cargo.

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As principais notícias corporativas desta segunda-feira

A Petrobras deve fazer algumas poucas mudanças em seu plano de negócios e gestão 2019-2023 com a posse do presidente Roberto Castello Branco. O documento – que hoje prevê investimentos de US$ 84,1 bilhões, deve contar com alterações especialmente no programa de desinvestimentos. Somado a isso, a petroleira ganhou a reintegração de um decreto presidencial que facilita a venda de ativos, medida que deve contribuir para o avanço dos planos de Castello Branco.

Na manhã desta segunda-feira (14), o banco Bradesco tornou público uma série de mudanças estruturais, inclusive a redução do número de vice-presidências de seis para quatro.

Mesmo após vender a Campo Austral, em uma transação que movimentou US$ 35,5 milhões, a empreitada da BRF na Argentina deixará de atuar no país. De acordo com o Valor Econômico, a companhia já vem perdendo mais de R$ 1,2 bilhão no país desde 2011.

Na última sexta-feira, a Gol anunciou suas projeções financeiras para o período de 2018 a 2020, fato que levou a companhia aérea a ofuscar a Embraer no último pregão mesmo com a definição de joint venture. Os dados publicados contemplam o ano de 2018, onde prejuízo por ação deve subir e a receita líquida total caiu de R$ 11,5 bilhões (antes estimado) para R$ 11,4 bilhões. No presente ano, a receita total prevista é de R$ 12,9 bilhões, com um reajuste considerável de R$ 100 milhões (positivo) quando comparado à última estimativa. No ano que vem, a receita líquida total deve avançar 10%, em base anual, para R$ 14,2 bilhões.

E por falar no setor aéreo, após a notícia positiva vinda do gabinete da presidência de que Jair Bolsonaro não iria se opor à joint venture entre Embraer e Boeing, somado a reunião extraordinária realizada pelo Conselho de Administração da Embraer onde foi concedida uma autorização para a continuidade dos negócios, as duas companhias agendaram a assinatura dos contratos para a próxima quarta-feira, segundo uma fonte do Valor Econômico. A mesma ocasião pode ser aproveitada para assinatura de algum termo referente a nova joint venture na área de defesa para acelerar a comercialização do cargueiro KC-390, fabricado pela brasileira.

Made in China

O cenário internacional segue desafiador. No geral, as Bolsas caem devido a balança comercial chinesa ter reportado resultados piores do que o previsto – as exportações tiverem a maior contração em dois anos e as importações também caíram. O receio da desaceleração do gigante chinês contamina os mercados. Somado a isso, os EUA já estão no maior período de paralisação (shutdown) e há expectativa em relação ao Brexit.

Por aqui, a história é bem diferente. A perspectiva de que seja entregue ainda esta semana uma proposta da reforma da Previdência ainda mais ampla do que a anterior, contagia positivamente o mercado local.

E eu com isso

Ainda que o panorama internacional seja desafiador, o dia será positivo para ativos locais.

Glenda Ferreira – Economista e bacharel em Relações Internacionais pela Facamp, tem experiência em planejamento financeiro. Atualmente é Especialista em Investimentos na Levante Ideias de Investimentos.


Sobre o autor