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Agenda de indicadores; Integração Brasil-Argentina; Câmbio derruba safra 2018/19 da Biosev e mais

Por Pablo Vinicius Souza
07 junho 2019 - 10:42

O investidor se volta para a agenda de indicadores relacionados ao mês de maio, nesta sexta-feira (7).

Nos Estados Unidos, sai o resultado do relatório de empregos (payroll). Aqui, destaque para índices de inflação IGP-DI e IPCA.

No cenário político e corporativo, a Petrobras recebeu o aval do STF para vender sua subsidiária, TAG, com ressalvas.

Ademais, o cenário global opera de forma positiva, em meio aos avanços nas negociações entre EUA e México, que retomaram ontem o diálogo sobre comércio e imigração.

Saiba quais são os principais compromissos econômicos globais para esta sexta-feira 

Em nossa agenda doméstica, destaque para as divulgações do Índice Geral de Preços (IGP-DI), pela FGV.

Posteriormente, o IBGE publicará o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Lá fora, os EUA apresentam ao mercado os dados de postos de trabalhos criados, bem como taxa de desemprego e salário médio por hora, todos relacionados ao mês de maio.

Além de divulgar os índices, os dados sobre estoques no atacado e crédito ao consumidor também estão previstos para hoje.

Na Alemanha, houve um superávit comercial de 17 bilhões de euros no mês de abril, de acordo com dados ajustados sazonalmente e publicados pela Destatis, agência de estatísticas do país.

Além disso, as exportações alemãs recuaram 3,7% no mesmo período ante março.

As importações, por outro lado, contraíram um pouco menos, apenas 1,3%, no mesmo período, segundo informações da agência do país.

A produção industrial da Alemanha também recuou (1,9% em abril ante março), após dois meses seguidos de crescimento.

El Trump

As idas e vindas da decisão de Trump de taxar ou não mais países, vem ditando o ritmo dos mercados. Dessa vez, a perspectiva de que um acordo seja atingido com o México, animou investidores. Mas a decisão final e negociação deve sair hoje, uma vez que a taxação iniciaria já na segunda-feira. Então atenção às falas e aos dados de emprego nos EUA, que são determinantes para calibrar as chances de novos cortes nos juros norte-americanos.

Enquanto isso, aqui também estamos de olho em dados que indiquem possibilidade para novos cortes na Selic. Apesar de o Banco Central seguir com o discurso de que não fará movimentações no curto prazo, em especial sem a reforma aprovada ainda, o mercado financeiro opta por outro caminho e deposita suas expectativas em novas quedas da taxa. O IPCA, que mede a inflação apresentou forte desaceleração de 0,13 por cento, abaixo da expectativa. Além disso, temos vitória no Senado. O STF autorizou a privatização de subsidiárias de estatais podem ser vendidas sem o aval do Congresso, só as “empresas mães” que precisam do aval. Por ora, está liberada a venda da TAG que pertence a Petrobras.

Por Glenda Ferreira – Especialista em Investimentos na Levante Ideias de Investimentos

Guedes: Integração Brasil-Argentina vai fazer Mercosul funcionar; governo prevê moeda única

Na Argentina, o presidente da República, Jair Bolsonaro, sinalizou uma possível união monetária com o país.

Para o ministro da Economia, Paulo Guedes, essa aproximação entre ambos os países vai colocar o “Mercosul para rodar”.

“Estamos combinando uma integração energética, integração das fronteiras agrícolas”, disse ele, na tradicional transmissão ao vivo de Bolsonaro, às quintas-feiras.

Segundo destaques do Estadão, os governos discutiram a criação de uma moeda comum entre Brasil e Argentina, nomeada “peso real”.

O objetivo não é recente. Desde o início do Mercosul, em meados dos anos 90, especulação a criação da moeda.

Embora as políticas macroeconômicas possam avançar para uma moeda comum, o Banco Central negou que haja estudos para esse fim.

Quanto ao acordo entre Mercosul e União Europeia, o ministro da Economia comentou brevemente dizendo que “estamos a três semanas de fazer o que não se fez em 30 anos”.

Durante a transmissão no Facebook, Bolsonaro também falou que é preciso haver um “casamento de meio ambiente e progresso”.

Reforma da Previdência: regra para servidor perto da aposentaria pode mudar

O Estadão/Broadcast apurou que as regras para aposentadoria de servidores públicos podem mudar nesta reta final de elaboração do parecer.

Segundo publicação, o relator e deputado, Samuel Moreira (PSDB-SP), sofre pressões para realizar modificações no texto da reforma da Previdência.

Sendo assim, é possível que Moreira altere as regras para servidores que ingressaram até 2003 e estão próximos da aposentadoria.

Nos bastidores, o questionamento é se o cenário se repetirá para a transição dos trabalhadores de inciativa privada.

Além disso, governadores divulgaram ontem duas cartas destinadas ao Congresso. Uma delas faz um apelo para que Estados e municípios sejam mantidos na proposta.

Banco Central revela saída de R$ 718,7 milhões da caderneta poupança em maio

De acordo com o Banco Central, os brasileiros voltaram a retirar dinheiro da poupança no mês de maio, após os saques líquidos de R$ 2,877 bilhões do mês anterior.

No mês, o órgão aponta que R$ 718,718 milhões líquidos saíram da caderneta (média obtida dos R$ 204,305 bilhões em saques, contra R$ 203,586 bilhões em depósitos).

Segundo apurações do Estado de Minas, o saldo global da poupança chegou aos R$ 795,160 bilhões no respectivo mês.

Assim sendo, o acumulado do ano totaliza R$ 16,997 bilhões em retiradas líquidas da poupança (R$ 980,894 bilhões em saques e R$ 963,897 bilhões de depósitos).

Investidor estrangeiro acumula saldo negativo na Bolsa; investidor institucional tem superávit

Após o investidor estrangeiro findar maio com saldo negativo no índice Bovespa da B3, as primeiras sessões de junho estão sendo marcadas pelo forte movimento de venda dos mesmos.

Na sessão da última terça-feira (4), o grupo comprou R$ 5,901 bilhões e vendeu R$ 6,890 bilhões, negativando em R$ 998,997 milhões.

Desse modo, o acumulado do mês de junho começa negativo em R$ 1,469 bilhão para o segmento.

A jornada não foi exclusivamente negativa para o investidor estrangeiro: os investimentos de empresas públicas e privadas também recuaram.

No mesmo dia, o grupo comprou R$ 61,861 milhões e vendeu R$ 97,310 milhões, totalizando R$ 35,449 milhões no dia.

Assim sendo, o acumulado do mês de junho equivale a um saldo negativo de R$ 29,467 milhões.

Ademais, os investimentos das instituições financeiras adquiriram R$ 747,831 milhões e alienaram R$ 751,943 milhões, totalizando R$ 4,112 milhões negativos.

Com o resultado, os números positivos do mês recuaram para R$ 531,380 milhões.

Os investidores institucionais, por sua vez, revelam um movimento na direção contrária ao investidor estrangeiro.

Na mesma jornada, o grupo adquiriu R$ 4,971 bilhões. Por outro lado, as alienações totalizaram R$ 4,055 bilhões, resultando em um superávit de R$ 915,203 milhões.

Desta forma, o acumulado do mês de junho é positivo em R$ 870,091 milhões para o segmento.

O investidor pessoa física registrou entradas em R$ 2,677 bilhões e saídas em R$ 2,560 bilhões, totalizando R$ 117,363 milhões.

Com o saldo da jornada, o mês do investidor acumula um resultado positivo de R$ 128,376 milhões.

Câmbio derruba safra 2018/19 da Biosev, sem efeito caixa; margem melhora

A Biosev, uma das líderes globais na produção de açúcar e etanol, amargou prejuízo de R$ 1,2 bilhão na safra 2018/19.

Conforme publicação oficial, os dados da usina na respectiva safra foram considerados até 31 de janeiro deste ano.

Na temporada anterior, a empresa já havia registrado um prejuízo líquido de R$ 1,27 bilhão.

Em contraste com o resultado impactado pela variação cambial, o saldo anterior à variável negativou em R$ 344,5 milhões.

Desse modo, houve uma melhora ante aos R$ 859 milhões negativos na temporada 2017/18.

Assim sendo, o braço sucroenergético do grupo de commodities Louis Dreyfus, encerrou o período com um EBITDA Ajustado em R$ 1,5 bilhão, com Margem EBITDA de 24,5%.

O resultado equivale a um aumento de 2,2 p.p., e crescimento de 8% no EBITDA Ajustado Unitário.

Ademais, as despesas gerais e administrativas recuaram 27,1%, ao passo que o Mix de etanol subiu 12,6 p.p., atingindo 65,1%.

Esse é o maior índice registrado no período pela Biosev, atribuído à maior rentabilidade desse produto frente ao açúcar.

Você pode conferir o release de resultados, clicando aqui.

Governo e Petrobras vencem no STF com destravamento de venda da TAG

A venda ou perda de controle acionário de empresas subsidiárias de estatais não precisará mais ser aprovada pelo Poder Legislativo.

Esta foi a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na última quinta-feira (6), mas incluiu algumas regras a serem seguidas.

Posteriormente, o ministro Edson Fachin revogou a liminar que travava a venda da Transportadora Associada de Gás (TAG) pela Petrobras.

Desse modo, o STF respondeu à insegurança jurídica que afetava o plano de desinvestimento da Petrobras desde o ano passado.

Em suma, a venda da chamada ‘empresa-mãe’ (pública ou sociedade de economista mista) foi barrada pela Suprema Corte.

Há exceção, contudo, para a venda mediante autorização legislativa em casos assim.

Isso quer dizer que, o plano de desinvestimentos da Petrobras foi aprovado sem que haja intervenção do Legislativo.

Com a operação, a petrolífera espera injetar US$ 26,9 bilhões em seu caixa. Ainda assim, a venda da própria Petrobras precisaria passar pelo Congresso.

Ao mesmo tempo, a venda de subsidiárias deve seguir um procedimento pautado nos princípios da administração pública, previstos na Constituição.

Embora alguns ministros tenham exemplificado o método já previsto pelo decreto que estabelece regras de desinvestimento de ativos pelas sociedades de economia mista federais, editado em 2017, ainda é incerto, contudo, qual será efetivamente esse procedimento.


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