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Ações com caraterísticas de renda fixa podem atrair fluxo com vencimentos do Tesouro em alta, diz Itaú BBA

Por TradersClub
01 outubro 2019 - 10:28

Cerca de R$2,9 trilhões em títulos da dívida pública vencem nos próximos cinco anos e, diante da queda da taxa básica de juros para mínimas históricas e a expectativa de manutenção dela nesses níveis, grande parte desses recursos devem migrar para o mercado acionário, especialmente para papéis com caraterísticas de renda fixa ou pagadoras de dividendos, como empresas concessionárias, de infraestrutura, de saneamento e do setor imobiliário, disse o Itaú BBA.

Hoje vencem R$100 bilhões em títulos do Tesouro conhecidos como LTNs. Por anos, o investidor local tem priorizado a liquidez ao retorno, parte pela percepção de que precisa de mais liquidez do que o necessário, parte pela volatilidade no mercado acionário. Em relatório, a equipe de estrategistas do Itaú BBA, liderada por Lucas Tambellini, disse que pode haver mais alta nas ações desses setores por conta da percepção de que os juros devem cair abaixo dos 5,00% em 2019. “Os fundamentos nunca foram melhores. Nunca houve um momento melhor para investir em ações do que agora. Por que as ações semelhantes a títulos devem ser uma opção? Porque elas superaram até o juro do NTN-B,” disse o relatório. Os NTN-Bs são os títulos do Tesouro Nacional atrelados à inflação e gestores usam os rendimentos deles como uma referência de retorno, com volatilidade, no longo prazo.

Segundo Tambellini, a carteira Brazil Buy List do Itaú BBA tem uma exposição maior a esse tipo de ações, conhecidas em inglês como bond-like stocks, do que o índice Ibovespa. A lista está dividida em papéis ligados à recuperação do ciclo doméstico, como Bradesco, Cyrela, Hapvida e Randon, papéis com avaliação atrativa, como a Vale, e papéis sensíveis à queda na Selic – como CPFL Energia, Copasa, Multiplan e Rumo. Atualmente, a carteira aloca 40% do seu peso em títulos similares a a títulos do Tesouro Nacional, enquanto o Ibovespa possui apenas 9%. Os índices de utilidades, energia, imobiliário e de dividendos estão entre os dez melhores do ano em desempenho, de acordo com dados da B3.


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