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Investidor Moderado

Previdência Privada não será “solução pós reforma”. Entenda o porquê.

Por Laura Pacheco
17 abril 2019 - 16:16 | Atualizado em 23 janeiro 2020 - 20:33

A proposta para a reforma da previdência tem causado turbulências e até discussões de baixo nível, como acontecido na audiência da Comissão de Constituição e Justiça do dia 03/04/2019. É decepcionante ver nossos representantes usarem adjetivos como “tchutchuca e tigrão” em pleno debate de um assunto tão importante para o Brasil: A Reforma da Previdência.

No artigo anterior – sobre a previdência ser ou não deficitária, comentei que, mesmo sendo aprovada a Reforma, nem sempre a melhor saída é recorrer a um plano de Previdência Privada.

Mas por quê?

Primeiramente, é preciso entender do que se trata a Previdência Privada: também conhecida como Plano de Previdência Complementar, nada mais é do que uma aplicação em um tipo de Fundo de Investimento com algumas vantagens fiscais.

E o que são Fundos de Investimentos?

Buscando ser breve, Fundos de investimentos devem ser entendidos como a possibilidade de se adquirir uma cota de uma carteira diversificada de ativos. É como imaginar um condomínio composto por um único prédio, sendo esse prédio constituído por vários apartamentos diferentes e os investidores tendo acesso a adquirir um título que dá direito a “um pedacinho” do condomínio inteiro sem que estes se tornem proprietários de nenhum dos apartamentos. E assim, os investidores adquirem um direito sobre a rentabilidade do condomínio como um todo.  

Ficou mais fácil de entender?

Sabendo o que são os fundos de investimentos, é possível entender também do porquê existirem tipos diferentes de fundos. No mercado existem inúmeras possibilidades para investir mas, em resumo, os investimentos podem ser divididos em dois grandes grupos: ativos de Renda Fixa e ativos de Renda Variável.

Manual do Imposto de Renda para Investidores

Pelo fato de o Fundo de Investimentos ser uma carteira composta por diversos ativos diferentes, os tipos de ativos que compõem essa carteira é o que define os tipos de Fundos:

  • Fundos de Renda Fixa: Carteira onde a maior parte dos recursos é alocada em Renda Fixa;
  • Fundos de Ações: Carteira onde a maior parte dos recursos é alocada em Renda Variável;
  • Fundos Multimercado: Carteira Mista.

Não cabe aqui me aprofundar sobre Fundos de Investimentos, mas é preciso saber que a Previdência Privada nada mais é que um tipo de Fundo de Investimento.

A Previdência Privada se encaixa em qual tipo de Fundo de Investimento?

De forma bem simplificada, um Fundo de Previdência Privada é o um Fundo de Renda Fixa, com estratégias de longo prazo e algumas vantagens fiscais.

É extremamente importante que o brasileiro entenda isso, pois muitos embarcam nas propostas do banco achando que é um tipo de programa previdenciário, mas não é. Além disso, pelo fato de se tratar de um Fundo, nenhum cliente deveria entrar sem ler o prospecto (material explicativo) da aplicação para ter ao menos conhecimento de quem é a gestora do Fundo e qual o histórico de rentabilidade que seus fundos desempenharam no passado.

Lembre-se!

Toda e qualquer simulação feita, seja através da plataforma ou através de um atendente, se trata apenas de uma simulação com base em dados passados, o que significa que ela não é garantida para o futuro. Isso o banco nunca te conta!

Trago essas informações para que o investidor não se deixe enganar ao acreditar que uma Previdência Privada é mais seguro e garantido que formar uma carteira de investimentos diversificada, porque que não é! Aprenda a investir para saber tomar as melhores decisões. 😉

Outra informação muito importante é que, como todo e qualquer fundo, os Fundos de Previdência Complementar apresentam riscos. Sendo assim, na adesão, o investidor verifica seu perfil de acordo com o quão disposto ele está a correr esses riscos e, a partir disso, será oferecido um plano que melhor o atende: Conservador, Moderado ou Arrojado. Lembre-se da relação risco e retorno: quanto maiores forem os riscos, maiores serão os ganhos previstos.

E-book: Guia completo e definitivo da Previdência Privada

Mas e as vantagens fiscais da Previdência Privada?

Primeiramente, tenha sempre certeza que nenhuma vantagem financeira é concedida por acaso. Sempre há condições pré-definidas, ou seja, não se aplicam para todo mundo. Para entender quais são essas vantagens é necessário conhecer os dois principais tipos de Previdência Complementar, conforme tabela:

PGBL:

Plano Gerador de Benefício Livre

VGBL:

Vida Gerador de Benefício Livre

Indicado para

Aqueles que buscam o plano de previdência como renda adicional no futuro.

Aqueles que buscam o plano de previdência como renda para viver no futuro.
Imposto de Renda Incidido sobre o valor total do resgate. Incidido sobre o valor dos rendimentos (apenas sobre o ganho de capital).
Benefício Fiscal Em caso de falecimento, a sucessão aos beneficiários é feita sem passar por inventário. Pode-se deduzir da base de cálculo do Imposto de Renda (IR) o valor de até 12% da renda bruta anual tributável. Em caso de falecimento, a sucessão aos beneficiários é feita sem passar por inventário.
Vale a pena? Como o Imposto de Renda é incidido sobre o total do resgate, é preciso entender que o benefício, de deduzir até 12% da base de cálculo do imposto todos os anos, precisa compensar essa “martelada” que o beneficiário precisará pagar de Imposto de Renda no momento do resgate. Apenas contribuintes do INSS ou do regime dos Servidores Públicos têm aceso ao benefício no cálculo do Imposto de Renda, esse é fator que justifica o PGBL ser indicado para aqueles que buscam renda adicional.

Pode não valer a pena, em alguns casos faz mais sentido montar uma carteira diversificada por conta própria, com os mesmos riscos e com melhores rentabilidades. E lembre-se! O único benefício fiscal está na sucessão em caso de falecimento. Ou seja, para um jovem ou adolescente que sequer tem filhos não faz o menor sentido ter dinheiro aplicado em planos de Previdência Complementar. E claro, isso o banco não conta para ninguém!

E se uma Previdência Privada não faz sentido para mim, o que eu faço? Onde posso investir?

Aprenda a investir o quanto antes! O primeiro passo é ter conta em uma Corretora de Valores. Assim, o investidor terá acesso a diversos tipos de aplicações, das seguras até as mais arriscadas, com e sem incidência de Imposto de Renda sobre os rendimentos, etc. A chance de conseguir uma rentabilidade maior que a oferecida pelo Previdência Privada é bem grande.

Além disso, uma carteira de investimentos diversificada permite uma maior liquidez, ou seja, o investidor consegue fazer resgates sem ser penalizado (tudo depende das aplicações que optar ao montar a sua carteira).

O grande problema é que, na hora de começar as aplicações, o investidor de primeira viagem sempre fica perdido e temeroso ao transferir seus recursos.

Para isso, conte com a ajuda de um Assessor de Investimentos qualificado e capaz de responder qualquer tipo de dúvida. Não confie naqueles que escondem informações de você. Busque aprender cada vez mais como usar a plataforma e o que são cada tipo de aplicações oferecidas. O Assessor cumpre o papel de ajudar o investidor a montar uma carteira de ativos conforme o perfil e, quanto maior for o conhecimento do investidor, menores as chances de se sentir “enrolado” pelo Assessor.

Não dependa de previdência na hora de se aposentar!

Busque informação e comece a investir!




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