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Investidor Arrojado

Como o avanço do coronavírus influencia na bolsa de valores?

Por Bruna Santos
16 setembro 2020 - 18:43

A pandemia de coronavírus pegou o mundo todo de surpresa. Por mais que não seja a primeira vez que a humanidade passa por algo do gênero, a última grande pandemia global foi a da gripe espanhola, há 100 anos. Naquela época, o mundo era muito diferente, e nenhum de nós estava vivo. Dessa forma, para a nossa geração, o surto de COVID-19 foi uma surpresa inédita e avassaladora.

Num primeiro momento, os mercados reagiram como costumam quando uma grande má notícia e inesperada irrompe no noticiário: com grandes quedas. Não é para menos, afinal, ninguém sabia o que viria pela frente. Nessas condições, os investidores costumam fugir do risco. Com o passar do tempo, porém, algumas questões foram ficando um pouco mais claras.

Preparamos este artigo para ajudar você a entender a relação entre a pandemia de coronavírus e a Bolsa de Valores. Confira!

O que aconteceu no começo da pandemia?

Quando começou a ficar mais claro que a pandemia tinha mesmo chegado para ficar, que os países europeus teriam que fechar comércios e decretar quarentena, e que o surto se espalharia para outros países ao redor do planeta, os mercados mundiais reagiram com fortes quedas.

No Brasil, não foi diferente. O Ibovespa, que chegou quase a encostar nos 120 mil pontos em janeiro, desabou em fevereiro e março, chegando a bater nos 63 mil pontos, considerada uma queda de quase 50% em menos de dois meses. O pânico se espalhou pelo mercado, que passou a precificar os potenciais danos que a pandemia poderia causar à economia mundial e, consequentemente, aos resultados das empresas.

Quando há muita incerteza no mercado, os investidores costumam fugir dos ativos de maior risco — caso das ações e dos fundos imobiliários, entre outros — para aqueles considerados mais seguros, como o dólar, os títulos do governo norte-americano e o ouro.

Após essa primeira onda de pânico, os investidores começaram a tentar analisar, com um pouco mais de calma, quais setores poderiam resistir melhor à crise e quais sofreriam mais com o cenário imposto pela pandemia. Com isso, ações de diversas empresas voltaram a subir e recuperaram boa parte das perdas que haviam sofrido naquele momento de queda generalizada.

Nesse cenário, destacam-se as ações de algumas varejistas, que souberam adaptar-se rapidamente ao novo cenário, ampliando suas atividades online. Por outro lado, as ações das empresas que dependem mais da circulação de pessoas continuaram a sofrer. É o caso das companhias aéreas, das companhias de viagens e de turismo e dos shopping centers.

O setor financeiro também foi penalizado, uma vez que a projeção é de alta na inadimplência, já que é inevitável termos aumento do desemprego e queda tanto na renda das famílias quanto no faturamento das empresas.

Como o mercado vem reagindo após o pânico inicial?

Em abril, as bolsas de valores deram início a um movimento de recuperação parcial das perdas. Essa tendência se manteve ao longo de maio até o início de junho. No dia 8 de junho, o Ibovespa encerrou o pregão a mais de 97 mil pontos, ou seja, uma alta de 54% em relação ao mínimo atingido em março.

Esse movimento de valorização refletia o bom humor do mercado global diante da reabertura das atividades em diversos países, o que levou os investidores a uma leitura de que a recuperação da economia mundial poderia ser mais rápida do que o esperado anteriormente.

No entanto, é sempre bom lembrar-se de que continuamos a navegar em mares desconhecidos. No dia 10 de junho, o Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) decidiu manter sua taxa básica de juros próxima de zero e sua estimativa de queda de 6,5% para o PIB do país em 2020.

Sinalizou, também, que espera uma recuperação mais lenta da economia norte-americana, com alto nível de desemprego, especialmente diante da forte possibilidade de uma segunda onda do coronavírus. A avaliação do Fed acendeu novamente a luz amarela nos mercados, e as bolsas mundiais voltaram a cair. O mercado brasileiro estava fechado nesse dia devido a um feriado, mas os reflexos foram sentidos um dia depois.

Na bolsa brasileira, quem bateu em retirada foi o investidor estrangeiro. De acordo com dados da B3, entre janeiro e maio de 2020, o saldo líquido (entradas menos saídas) de investimento estrangeiro na bolsa ficou negativo em R$76,85 bilhões, um recorde da série histórica, iniciada em 1994.

Ainda assim, já é possível observar uma melhora nesse número, dado que, em junho, até o dia 10, a B3 registrou entrada líquida de R$3,4 bilhões de capital estrangeiro, fazendo com que junho seja, pelo menos até aquele momento, o primeiro mês com resultado positivo desde 2020.

O que fazer diante desse cenário?

A expectativa é que um novo ciclo econômico inicie-se a partir do segundo semestre de 2020, com a reabertura total das economias. É verdade que, em um primeiro momento, a recuperação tende a ser lenta, com a confiança ainda abalada e o desemprego elevado. Ainda assim, a tendência é que haja uma retomada das economias, levando em conta que estamos em uma política de juros baixos, impulsionando o crescimento em 2021 e 2022.

A avaliação é de Luis Sales, analista de mercado da Guide Investimentos. Ele destaca ainda que, dada a baixa rentabilidade atual dos investimentos de renda fixa, a presença de investidores pessoa física na bolsa brasileira foi mantida. Na contramão dos investidores estrangeiros, eles ingressaram com R$35,27 bilhões na bolsa brasileira no acumulado do ano até maio.

Para quem está na bolsa, a indicação do analista é que mantenha seus investimentos com visão de longo prazo. Entre os investimentos mais seguros para o momento, ele destaca os setores que têm pouca dependência de uma retomada econômica, como saneamento e energia, além de empresas exportadoras.

Mesmo destacando que é difícil traçar cenários, dado o ineditismo da situação, ele reforça que as expectativas de longo prazo são de uma recuperação da atividade global, à medida que uma vacina for encontrada e os riscos da doença diminuírem.

“Algumas tendências já podem ser observadas, como o aumento do uso do home office, o incremento do comércio online e do delivery de restaurantes, a necessidade de medidas para enfrentar novas crises, a manutenção da taxas de juros em patamares baixos por mais tempo, assim como deve ocorrer também com a inflação”, completa.

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